quarta-feira, 23 de abril de 2014

O homem duplicado

Há dois homens idênticos na cidade. Embora não sejam gêmeos, são absolutamente idênticos em tudo: aparência, voz, data de nascimento e até tamanho do pênis. Imagine então o que poderá acontecer se esses dois homens se encontrarem. E mais: imagine o tal encontro narrado pela excelência criativa de José Saramago. Publicado em 2002, o Homem Duplicado é mais uma dessas obras primas que compõe o legado do prêmio nobel português.   

terça-feira, 22 de abril de 2014

Estação das Letras comemora maioridade com festa e presença do português Gonçalo Tavares

Nascida para concretizar um sonho pessoal de sua criadora, a poeta e mestre em teoria literária Suzana Vargas, e de um grupo de escritores, entre eles Flávio Moreira da Costa, Victor Giudice, Sérgio Sant’anna e Antônio Torres, a Estação das Letras está comemorando sua maioridade: são 18 anos como reduto da literatura nacional no meio do caminho entre o Centro e a Zona Sul do Rio de Janeiro e uma bagagem de mais de 15 mil alunos em sua trajetória.
Em quase duas décadas, a Estação recebeu mestres da dimensão de Cleonice Berardinelli, Ferreira Gullar, Marina Colasanti, Ana Maria Machado, Affonso Romano de Sant’Anna e Antônio Carlos Secchin. Autores e mestres da literatura brasileira aceitaram compartilhar suas experiências profissionais com gente de muitas idades, um tanto de ideias, e, em comum, o desejo de melhorar seu fazer literário. Quiçá viver dele!
“São 18 anos de muita luta como pioneiros nessa modalidade de trabalho. Somos o primeiro espaço (e talvez único no país) alternativo, sem financiamento de ninguém, dedicado exclusivamente à literatura e leitura”, define Suzana Vargas, para quem a luta é justamente provar que um lugar como a Estação pode ser autossustentável.
A festa, com direito a “Parabéns para Você”, será na quinta-feira 24 de abril, na Fundação Casa de Rui Barbosa, a partir das 17h. O mestre da cerimônia é ninguém menos que o escritor e professor português Gonçalo M. Tavares, de passagem pelo Brasil, e que falará sobre os universos da criação literária. Gonçalo não perde a oportunidade e integra também a programação de cursos do mês com um workshop, no sábado 26.
A grade de aulas, cuidada pessoalmente pela Suzana nesses 18 anos, disponibiliza cursos regulares, que duram até quatro meses, oferecidos nas modalidades Introdução e Avançado, e cursos mais rápidos de um ou dois meses, workshops, ciclos de palestras, além de aulas rápidas aos sábados. Abril, por exemplo, conta com um ciclo de Cortázar no ano do centenário dele, de Palavra e Imagem, sobre História da Arte e, entre os profissionalizantes, o de Como ser Editor.
Para comemorar o marco dos 18 também entrou recentemente no ar o novo site da Casa (www.estacaodasletras.com.br), com o lançamento das oficinas on-line, inaugurando um novo capítulo nesta história. Com elas, a Estação realiza o desejo de muita gente, moradora nos quatro cantos do país, e mesmo fora dele, que solicita frequentemente o serviço da Entidade e acabam com a desculpa de falta de tempo e distância, abrindo ainda mais o leque de possibilidades da Estação das Letras.
- Para além dos on-line e próximo deles, a Estação deverá lançar a Rede Escreviver, inicialmente para consumo interno e logo para consumidores externos, antecipa Suzana. Trata-se de uma rede de escrita na qual os participantes trocarão informações, textos, leituras entre si e que também será abrigada na página oficial.
Dessa história merece reverência ainda o serviço fixo de análise de originais, criado há uma década, atendendo a autores de todas as regiões do país: Beirut Souvenirs (Ana Cristina Leonardos), 50 tempestades (Wanda Lins), Em cada canto um conto (Itala Sandra Del Sartro), Galo Velho (Luis Fernando Caruso) e Poemas para o fim dos tempos (Carlos Frederico Manes), As primeiras pessoas (Cesar Cardoso), A versão dos vencidos - uma ótica sobre a história do México (Humberto Borges), Um homem chamado Luiz (Lenira Tabosa Pessoa), A Ética de Demétrius (Paulo Boaventura ) e O elogio da mentira e outras histórias (Lycio de Faria) são algumas das obras lançadas no Brasil e que passaram pelas mãos dos pareceristas da Estação.
Para empresas, há cursos direcionados aos funcionários, com o objetivo de treinar a escrita adequada e estimular as capacidades criativa e interativa dos funcionários, bem como ampliar seus conhecimentos culturais. A LiterÁrea, livraria da Estação, é um polo a parte para reuniões, lançamentos, confraternizações e, claro, venda de obras escolhidas com muito cuidado.
O resultado de todo esse trabalho é medido em parte pela aceitação do mercado editorial, que recebe os autores saídos das oficinas e que acabam bem sucedidos em suas áreas de atuação. “E, enquanto produtora, idealizamos e trabalhamos com eventos cujo resultado efetivo se fez sentir na comunidade do livro, tais como as Rodas de Leitura e o Livros na Mesa, entre muitos outros, inclusive na área internacional”, complementa Suzana, mencionando Mostra Sul da Poesia Latino-Americana, Informes de Borges, além das Vanguardas Literárias da América Latina.
Como metas da Suzana Vargas estão a ampliação de serviços para atender a população de baixa renda, a formação de leitores e o estímulo da escrita de forma geral. “Escrever para sobreviver num mundo cuja história, mais do que de imagens, está vivendo da escrita”, analisa Suzana.

SERVIÇO:
Coquetel de 18 anos da Estação das Letras
Endereço: Fundação Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente 134, Botafogo / Rio de Janeiro)

24 de abril, 17h

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Matheus Brant lança livro e CD inspirados em Hannah Arendt

Com arranjos inusitados, as letras de “A música e o Vazio no Trabalho” lançam uma crítica contundente ao vazio das relações humanas no trabalho. O CD encarta uma obra multimídia composta também por literatura e artes plásticas.

O descompasso entre as múltiplas dimensões do trabalho humano inspirou o compositor Matheus Brant a conceber o seu segundo álbum autoral. Com produção assinada pelo percussionista e compositor pernambucano Lenis Rino, as faixas do “A música e o Vazio no Trabalho” lançam um olhar crítico à mediocridade e a aspereza das normas trabalhistas, usando como fio condutor o livro “A condição humana”, da cientista política alemã Hannah Arendt.

“Procurei apontar certa miopia que parece assolar as relações nas atividades humanas, o que impede a proteção de dimensões como a satisfação, o reconhecimento, a realização, a projeção, enfim, dimensões subjetivas do ser humano em seu trabalho”, diz Matheus.

Os arranjos, criados por Matheus e Lenis, chamam a atenção pela versatilidade. A música Quintal, por exemplo, tem referências que variam desde elementos dos anos 1980 até o recente arrocha baiano e suas linhas de acordeom marcantes. Dessa forma, a obra rompe com todos os limites estéticos para demonstrar o vazio das relações humanas, lançando uma crítica contundente sobre a rotina do trabalho, muitas vezes consumida em um ciclo alienante e sem nexo.

“Quintal está entre as minhas músicas prediletas. A letra tem um arranjo de palavras que transmite imagens um pouco diferentes, como a flor, o fruto, o verso, o sexo no meio do quintal”, confessa o compositor que, ultimamente escuta pagode dos anos de 1990 e música clássica como Ravel e Debussy.

O CD “A música e o Vazio no Trabalho” integra uma obra multimídia composta também por literatura e artes plásticas. Todas as músicas foram criadas durante a escrita do livro “A música e o vazio no Trabalho: reflexões jurídicas a partir de Hannah Arendt” (editora Initiavia). As ilustrações são da artista plástica Deborah Paiva, conhecida por ter obras estampadas no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo. “Senti a necessidade de reunir elementos artísticos para dar extensão às minhas ideias e questionamentos. Elas manifestam o meu olhar sobre as múltiplas dimensões do trabalho humano”, explica.

Todas as 5 músicas estão disponíveis para download gratuito no site do artista: matheusbrant.com.br/musica/a-musica-e-o-vazio-no-trabalho Lá, o internauta também pode acessar os dois primeiros capítulos do livro, a apresentação, o prefácio e o posfácio.

Para quem quer conferir de perto a nova obra de Matheus Brant, 24/04, o artista faz lançamento em Belo Horizonte, sua cidade natal, com show e sessão de autógrafos no Café 104, a partir de 20h.

Sobre Matheus Brant


Músico e compositor, Matheus Brant fundou em 2005 o grupo Chapéu Panamá com o qual, em 2009, lançou o disco “Ao vivo na Biblioteca”, com seis composições próprias. Teve diversas canções selecionadas para festivais como o Festival de Música de Belo Horizonte e a Mostra de Música Cidade Canção, em Maringá, no Paraná. Em 2012, Matheus lançou seu primeiro álbum “A Semana”, que traz 12 composições suas e conta com as participações especiais de Curumin, Marina Machado, José Luis Braga, Juliana Perdigão e Renato Rosa.O disco foi gravado e produzido por Lenis Rino, co-produzido por Flávio Medeiros, mixado por Gustavo Lenza e masterizado por Felipe Tichauer, e alcançou significativa expressão na internet.

Serviço:
Lançamento nacional do livro ‘A música e o vazio no trabalho: reflexões jurídicas a partir de Hannah Arendt’ e show com músicas do CD que acompanha a edição

Lançamento Virtual - músicas e trechos do livro para download: www.matheusbrant.com.br


Em Belo Horizonte:
Dia: 24 de abril de 2014
Local: Café 104, Praça Ruy Barbosa, 104.
Horário: 20h *Na ocasião do lançamento, o livro será vendido pelo valor promocional de R$ 50,00

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Lançamento "Fundo do Céu"

Alerta para o alcoolismo feminino
Pesquisas recentes demonstram o aumento consumo de álcool principalmente por mulheres mais jovens, no Sul e Sudeste e nas famílias de maior poder aquisitivo.Terapeuta e conselheira em dependência química, Stella Rebecchi resolveu fazer um alerta para os riscos do alcoolismo feminino. Nesta quinta-feira, dia 10/04, lança o romance “Fundo do Céu – Do fundo do poço à conquista da sobriedade” na Livraria Argumento do Leblon, a partir das 19h, Rio de Janeiro.
Além da história da protagonista Fabíola, a autora traz uma dezena de depoimentos de mulheres de várias partes do Brasil que viram suas vidas se desestruturarem por completo com o excesso de bebida, mas conseguiram resgatar a si mesmas do fundo mais escuro da alma. Parte da renda arrecadada com a venda do livro será revertida para a Oficina de Jesus em Petrópolis (RJ), de recuperação de dependentes químicos.

Lançamento Fundo do Céu – Do fundo do poço à conquista da sobriedade Local: Livraria Argumento Leblon – Rua Dias Ferreira 417.
Hora: a partir das 19h
Editora Jaguatirica Digital
Autora: Stella M. de Barros Rebecchi
|Formato:  14x21     | Páginas: 222     |Preço: R$ 39,90 (impresso) R$ 19,90 (ebook)

Água

Até 27 de abril, o público da capital e grande São Paulo pode prestigiar o espetáculo “Água” no Teatro Cacilda Becker, e conferir um espetáculo lúdico que diverte e conscientiza toda a família.
Dirigido por Cida Almeida, o espetáculo traz à cena seis palhaços que acabam “entrando pelo cano” ao desperdiçar a água. Deparando-se com seu desaparecimento, esses personagens atrapalhados partem em uma fantástica jornada e passam pelas mais incríveis aventuras marinhas e ribeirinhas, em busca de tão valioso líquido incolor, inodoro e insípido.
“A questão da água nos serve como um fio condutor, um incremento ao recurso dialógico que permitiu colagens peculiares de números e cenas. Pretende-se aqui tratar o tema não de forma enfadonha e moralista, mas como um elemento que percorre toda a fábula.”, diz Cida Almeida.
O espetáculo “Água” nasceu em 2011, como parte das comemorações aos 10 anos do Clã – Estúdio das Artes Cômicas. Criou-se uma obra de linguagem híbrida com circo, a máscara do clown, o teatro e a pantomima. A história é contada em quadros que abordam a problemática da água sob diversos pontos de vista: desde questões relativas à responsabilidade sócio-ambiental, até as metáforas usadas popularmente com a palavra água, seu significado simbólico, seu poder enquanto agente da natureza e sua importância na vida de todos os seres. A peça procura, de maneira inusitada, tratar de questões que povoam o imaginário coletivo a respeito da água. “Até pra fazer lágrimas precisa de água!”, diz um palhaço em uma das cenas da peça, ao notar que não consegue mais chorar, pois a água acabou! O não didatismo do espetáculo fica por conta da lógica absurda desse personagem clássico do circo, que responde ao mundo com a sua fértil imaginação.
Toda a peça acontece em um picadeiro-piscina inflável, e cada quadro é apresentado valendo-se de elementos cênicos próprios, representando situações onde encontramos água em diferentes estados. Os adereços manipulados pelos palhaços ganham vida, estabelecendo relações diversas e criando situações cômicas variadas. A concepção sonora do espetáculo contempla clássicos do circo, do cinema e da música erudita. A trilha muitas vezes é o elemento norteador dos quadros onde a encenação é calcada por seu ritmo, melodia e andamento e em outras se apresenta como sutil acompanhamento da cena. Algumas músicas e efeitos sonoros são executados pelos palhaços utilizando instrumentos musicais inusitados.

Onde: Teatro Cacilda Becker
Endereço: Rua Tito, 295 - Lapa - Tel: 3864-4513.
Quando: 28 de março a 27 de abril, Sábados e domingos, 16h.
Quanto: R$10,00 e R$ 5,00
Duração: 55 minutos

Classificação Indicativa: Livre para todos os públicos

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sem destinatário

Carla Dias

Eu não sei quem você é. Você não sabe quem eu sou. Não sabemos se temos algo em comum: desejos, discos, comida, partido político. Não fazemos ideia se, dia desses, estaremos em um mesmo lugar, na mesma hora.

Por nada saber sobre você, eu imagino com a imaginação desenfreada. Lembra-se de quando pintávamos desenhos na escola? Era pato azul, margarida verde, pele laranja. O preceito desse meu sentimento em relação à imaginação é o mesmo. Trata-se da mesma liberdade daquela época, de quem ainda não decorou a verdade absoluta sobre isso e aquilo. De quem ainda não desaprendeu a desconfiar de qualquer verdade absoluta.

Absolutismo me dá preguiça. E pra você? No que dá?

Ah, sim, a vida urge e a telecomunicação anda muito mais rápida e rasteira do que no tempo dos classificados em revistas de novelas em quadrinhos, as velhas, porém interessantes, fotonovelas. Nelas, parecia que o tempo era mais largo, não? As pessoas conversavam sem pressa, e suas feições eram congeladas pelo sentimento transmitido em palavras flutuando em balõezinhos.

Eu não sei se você é cientista, bancário, catador de silêncios ou criador de caso. Qual é o signo, a sina, a rua onde mora, a infância que lhe batizou, e a bebida preferida. A minha é chá de camomila, mas disso você não sabe. Com algumas gotinhas de limão, para enfeitar o paladar.

Outro dia, eu lhe disse palavras escritas, em mensagem que mandei para mim mesma, por e-mail. Como aquelas pessoas que, necessitadas de serem escolhidas pela atenção de alguém, mandam buquês de flores a si mesmas, no trabalho, que é para que todos testemunhem o apreço, ainda que falseado.

Debaixo das pálpebras das tantas formas de comunicação de hoje em dia, descansa o desejo dos olhos nos olhos, que somos bichos que necessitam de espreitar, no decorrer do apaixonamento. E apesar de tentarmos o contrário, preferimos, ainda, conhecer pessoas a mergulharmos em perfis. Uma dose de tempo, outra de acaso.

Se o universo ainda não lhe contou, eu gosto de tomar chuva, de andar descalça pela casa, de escutar discos no último volume. Prefiro a noite, a exuberância das emoções fora do tom ao conluio das certezas. Saiba que, o que não cai bem no meu currículo, desfila bonito na minha vida. Sou nada profissional quando a conversa é fiada no sentimento.

Eu não conheço você, tampouco você sabe sobre mim, o que não lhe impede de pensar sobre mim, que a vida, com a diversidade de meios de nos comunicarmos, de nos achegarmos, ainda depende da aposta do destino. E o espírito, que renega amarras, viaja na velocidade desconhecida dos milagres. A geografia pode estar contra nós. A metafísica pode ser nossa aliada, assim como a aspereza pulcra que habita os poemas de Bukowski. O que não nos impede de chegar ali, naquele mesmo lugar, no momento: o mesmo.

Podemos ser crônica ou comicamente incompatíveis. Podemos, até, concordar com isso. Talvez sejamos a combinação exata dos ingredientes da imperfeição. Agora, é nos encontrar para ver... Aqui ou acolá, Porto Alegre ou Uberlândia. Londres ou New Orleans. Haiti ou Frankfurt. Seja lá onde for.

Texto originariamente publicado no endereço:
http://www.cronicadodia.com.br/2014/03/sem-destinatario-carla-dias.html

domingo, 30 de março de 2014

Oficina Literária

Abril está chegando com uma série de cursos especialíssimos para o mês do aniversário de 18 anos da Estação das Letras. A partir do dia 2, em dias e horários disponíveis pelo www.estacaodasletras.com.br, a escritora Ana Letícia Leal dá uma Oficina de Memórias e outra de Autoficção na Casa, que conta ainda com o Conto, pela experiência de Jair Ferreira dos Santos, entre os gêneros que serão trabalhados. O poeta e professor Gilberto Mendonça Teles aborda sentido de transformação dos fatos e fenômenos culturais na sociedade, na arte e na literatura em sua Oficina de História Literária; Roberto Rodrigues comanda os procedimentos técnicos que caracterizam cada um dos gêneros, em um convite à criação de textos a partir da leitura de diversas modalidades textuais, na Oficina de Gêneros Literários.

As inscrições estão abertas pelo site e pelo 21 3237-3947.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam



Normalmente o cenário em que se amontoam alguns mendigos de uma cidade é visto como paisagem triste porém merecedora de, no mínimo, dois segundos de atenção que logo se evapora. Assim é que a miséria exposta nos cantos da praças e ruas é ignorada, ou em outra perspectiva, tida como parte componente da sorte que a cada um cabe.
Na obra “O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam”, de Evandro Affonso Ferreira, a um mendigo é concedida voz e a partir disso o mundo desses miseráveis destaca-se e recebe uma rajada de luz que os retira, pelo menos durante o período de cento e vinte e sete páginas, de sua insignificância. Diferente do que possa parecer, há sentimento e história em cada ser maltrapilho que se arrasta por entre as pessoas que não o enxergam ou que o desprezam ou que o temem.
Eis uma obra de arte em que o mendigo-narrador, abusando de raciocínios líricos, dramáticos e encantadores, demonstra que mesmo aos menos afortunados é permitido o direito de amar com sofisticação.


Flávio Sanso
www.reticencia.com

@flavio_sanso

segunda-feira, 17 de março de 2014

Estapafúrdia (Nem tudo que reluz é nobreza)

Escrita por Adriano Veríssimo e encenada pela Cia Teatro Metrópole, a peça fala de ambição, sexualidade, família, ostentação e poder de forma leve e divertida. Num povoado distante chamado Ecimól, a Rainha Norma dá a luz ao seu segundo filho, Henrique. Quando percebe que o pequeno príncipe se tornara a cada dia mais feio e sua aparência cada vez mais horrenda, decide então jogá-lo do alto do Monte Sdrúbal. O que ela não imaginara é que em uma grande festa dada pela Rainha Simone, sua grande rival, uma grande surpresa lhe aguardara. Henrique sobreviveu à queda e tornou-se um grande artesão, e pretende se vingar dela neste momento.

Baseada levemente nos mitos gregos de Hefesto e Narciso com enredos contemporâneos e cômicos, a peça aborda temas da atualidade, como a beleza humana, respeito ao próximo e valores universais presentes em nosso cotidiano. O cenário foi concebido no conceito da fragmentação, com elementos cênicos construídos com retalhos de madeira. Ele reforça a multiplicidade das faces, das personalidades presentes no texto e destaca o trabalho artesanal, que é a marca de um dos principais personagens, Henrique. O figurino segue a linguagem concebida na dramaturgia do espetáculo, tendo assim uma releitura da idade média, adaptado a características de personalidade e do "tipo" de cada personagem. Coturnos, sapatilhas e devidos adereços completam cada figurino, que foram devidamente pensados com tons e caimentos rústicos, com desgastes feitos simbolizando reinos decadentes e antiquados.

SERVIÇO

O QUE: Estapafúrdia (Nem tudo o que reluz é nobreza)
ONDE: Teatro Commune – Rua da Consolação, 1218 – São Paulo – SP – 11 3476-0792
QUANDO: de 12 de março a 01 de maio, quartas e quintas, às 21h
QUANTO: R$ 40,00 (Inteira) e R$ 20,00 (Meia entrada)
PARA QUEM: Indicado para quem quiser dar boas risadas, independente da idade

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Nebraska

Woody Grant, já à beira da esclerose, imagina que tenha sido contemplado com o prêmio de um milhão de dólares quando recebe uma dessas propagandas de assinatura de revistas. Seu objetivo é caminhar até o endereço indicado na propaganda para exigir o dinheiro. Um de seus filhos, cansado de tentar convencê-lo de que sua intenção é uma loucura, embarca na ideia mirabolante do pai e o leva até o local em que supostamente receberá o dinheiro. As várias ocorrências que se passam durante a viagem revelam-se motivo de estreitamento de relação entre pai e filho. O filme é rodado em preto e branco, o que realça os aspetos dramáticos da história. Mas não é unicamente uma história dramática. Várias passagens são hilárias, incluindo aí a atuação de June Squibb, a esposa de Woody Grant. Fazia tempo que não presenciava o público do cinema aplaudir o final de um filme, como foi o caso. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Escrita criativa

A Escrita Criativa é tema de oficinas com Silvia Carvão e Roberto Rodrigues na Estação das Letras (www.estacaodasletras.com.br) este semestre. A partir de março, a especialista em Leitura e Produção Textual e o mestre em Literatura Brasileira vão dar dicas sobre Como desbloquear a capacidade de escrever, apresentar textos, músicas, postais e outras linguagens como elementos facilitadores do processo de criação e identificar os procedimentos técnicos que caracterizam cada um dos gêneros literários.


As aulas acontecem na Marquês de Abrantes, 177, no Flamengo. As inscrições estão abertas pelo site ou pelo 21 3237-3947.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

No próximo dia 15, a cantora Luzia Dvorek apresenta o show de lançamento de seu CD no SESC Santos

Luzia apresentará neste show as doze canções que compõem seu primeiro disco. Seu repertório é bastante diversificado e contempla composições de várias gerações e influências diferentes: há desde a mineira Consuelo de Paula até o gaúcho Vitor Ramil. “O que dá uma brasilidade ao trabalho”, como observa a cantora. Destaque para a canção “De Amor Eu Morrerei“, de Dominguinhos, transformada por Luzia numa canção minimalista, e “Pestaneja”, de Carlinhos Brown, que ilumina a originalidade do canto e timbre de Luzia.


Sobre o CD
 “Luzia”, disco independente distribuído pela Tratore, mostra o cuidado musical da artista através da escolha das canções e dos instrumentistas. Produzido por Alê Siqueira, o álbum é bastante diversificado e contempla composições de diferentes estados, desde a mineira Consuelo de Paula até o gaúcho Vitor Ramil.
Gravado no estúdio Ilha dos Sapos, mantido por Carlinhos Brown em Salvador, o CD traz 12 faixas. Entre os destaques, o xote “De amor eu morrerei”, de Dominguinhos, marcado pela sanfona de Marcelo Jeneci, que parece desfiar um diálogo com a cantora, e o samba “Novo amor”, de Edu Krieguer. Luzia dá voz às inéditas “Cantiga de menina” (Breno Ruiz e Paulo Cesar Pinheiro), “Além do Paraíso” (Antonio Villeroy), e “No colo da lua cheia” (Paulo Dafilin e Roque Ferreira).
André Mehmari é outro convidado, como pianista de “Choro das Águas”, que também conta com a participação especialíssima de Ivan Lins em um duo. O que comprova a grande preocupação de Luzia com a musicalidade das canções, cercando-se de ótimos instrumentistas.
Em duas faixas do disco, Carlinhos Brown, autor da toada “Pestaneja”, participa na percussão. “O Carlinhos sempre foi uma referencia estética e musical para mim. Ele teve um susto quando eu, uma paulistana, escolhi a música “Pestaneja” para cantar”, diz.
Ela ainda transforma a balada pop “Fields of Gold”, de Sting, em uma música genuinamente brasileira, em versão de Zeca Baleiro e Lui Coimbra (Ouro e Sol). Porém, o que prevalece nesse álbum de estreia de Luzia, é o gênero canção.
Consciente da competitividade do meio, a jovem intérprete chega sem receios, lembrando que a comunicação dela se dá pelo canto. “Tenho de seguir meu caminho sem pensar que há muitas cantoras. Como disse Simone em uma entrevista, cada um tem seu caminho único. Então, temos de procurá-lo para alimentar a concretização do nosso desejo”, conclui, dizendo que quando julgar ter atingido maturidade suficiente, também pretende cantar sua criação autoral, que já exercita na intimidade.

Local: SESC Santos
Endereço: Avenida Conselheiro Nébias, 136 – Aparecida – Telefone: 13 3278-9800
Dia 15 de fevereiro, 21 hs
Ingressos: R$ 2,00 // R$ 5,00 // R$ 10,00

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A última canção de Bernardo Blues e Ipanema em Lágrimas

Dia 20 de Fevereiro, na Livraria da Travessa, em Ipanema, Rio, a Editora Faces vai lançar dois livros do escritor Waldir Leite: “A última canção de Bernardo Blues” e “Ipanema em Lágrimas”.
 A última canção de Bernardo Blues é um romance policial sobre um serial killer que ataca homossexuais na zona sul do Rio. É inspirado no crime que vitimou o teatrólogo Luiz Antonio Martinez Correia, em 1987. Revoltado com o crime, o irmão de uma das vítimas, um seminarista prestes a se tornar padre, mergulha na vida gay da cidade, em busca de descobrir a identidade do assassino do irmão. Ação e suspense da primeira à última página.
Ipanema em Lágrimas conta a infância de um menino sensível, filho de um coronel linha dura, no auge da ditadura militar no Brasil. O menino gosta de se vestir com as roupas da mãe e brincar de boneca. O pai o reprime de forma rude. Um dia o garoto conhece um comunista procurado pelo militares por ações terroristas, que está escondido numa oficina de automóveis perto de sua casa. A amizade que nasce entre o garoto e o comunista muda a vida de todos os personagens e transforma a história em uma tragédia.

Ipanema em Lágrimas será lançado apenas em sua versão digital, no formato de e-book. A ideia é que ele nunca seja lançado numa versão impressa.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Preciso andar

A partir de 02 de Fevereiro a SEDE DAS CIAS recebe o espetáculo “Preciso Andar”, concebido pela dupla responsável pela coordenação geral da SEDE. A peça, que teve sua estreia em janeiro deste ano, é o mais novo espetáculo criado por Ivan Sugahara e Tárik Puggina, que já realizaram juntos as peças: “Sade em Sodoma”, “A estupidez”, “Mulheres sonharam cavalos”, “Antes que você me toque”, “A Serpente” e “Pacto”. Desde julho, a dupla está também à frente da SEDE DAS CIAS, indicada ao Prêmio Shell de 2013 na Categoria Inovação. “Preciso Andar” vem comemorar essa nova conquista, celebrando a sua parceria e a ocupação. 
 O espetáculo possui o título original “Wanderlust”, do inglês Nick Payne, o mais jovem ganhador do Evening Standard Awards, uma expressão alemã que pode significar tanto o desejo de viajar quanto o de sair de uma zona de conforto ou do próprio eixo. Incorporada ao vocabulário britânico, a expressão sugere a abordagem principal do texto: a necessidade de se reinventar. Libido, prazer, afetividade e amor são os temas abordados pela encenação que conta com talentos da cena contemporânea no elenco.

Primeira montagem carioca do celebrado autor inglês Nick Payne, o espetáculo mostra seis personagens que passam por transformações em suas vidas. Suas crises são contemporâneas, ligadas ao amor e à sexualidade. Todos estão ‘precisando andar’.

SERVIÇO

Temporada: 02 a 24 de fevereiro

Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 - Escadaria Selarón – Lapa - Rio de Janeiro)

Informações: (21) 2137-1271

Gênero: Comédia dramática

Duração: 90 minutos

Horário: De sexta a segunda, às 20h.

Ingresso: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Lista amiga a R$10,00.

Bilheteria: aberta 1h antes do espetáculo

Capacidade: 50 lugares

Classificação: 16 anos


Oficinas gratuitas sobre escrita criativa

Silvia Carvão, Suzana Vargas, João Paulo Vaz e Ninfa Parreiras fecham a programação de férias da Estação das Letras com oficinas gratuitas sobre escrita criativa, poesia, conto e literatura infantojuvenil. As aulas serão no dia 22/02, das 10h às 16h30, durante o “Livros na Mesa” realizado no último sábado de cada mês e terão uma hora cada, com intervalos entre elas. Com vagas limitadas, as reservas podem ser feitas pelos 21 3237-3947 e pelo www.estacaodasletras.com.br.

A Estação das Letras fica na Marquês de Abrantes, 177, no Flamengo. É coordenada pela escritora, professora e curadora de Bienais nacionais Suzana Vargas, com a proposta de ser um reduto da literatura nacional no Rio de Janeiro. Por lá já passaram nomes de relevância nacional, entre eles Afonso Romano, Ruy Castro, Luiz Ruffato, escritores premiados, como Claudia Lage e Paulo Scott, e de lá saem muitos escritores que despontaram para o reconhecimento em suas áreas. Suzana mantém oficinas regulares e uma grade mensal com temas e professores que os alunos querem ter e ouvir. São abordados os gêneros literários e cursos que preparam e aprimoram o profissional do e para o mercado editorial. A análise de originais, pioneira no Rio de Janeiro, é um serviço fixo disponibilizado pela Estação das Letras.