quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sobre a vida e a morte, para crianças

Por Alessandra Carvalho


A morte e a finitude da vida costumam ser temas complicados de entender – que dirá de explicar. E se são difíceis para nós, adultos, imagine para as crianças.
Em seu primeiro livro voltado ao público infantojuvenil, Folhas de Castanheira, o escritor David Rocha pincela com beleza e delicadeza um tema que costuma ser denso e complicado: a passagem do tempo, a morte, o fim.
A obra conta a história de um menino e de sua velha tia, que o acompanha em suas brincadeiras apenas o observando e o protegendo de longe, como se fosse uma sombra. A tia não interage e nem participa diretamente da história, apesar de sua presença se fazer constante em todas as 31 páginas do livro.
As folhas de castanheira do título do livro são uma referência ao espaço onde se desenrola a narrativa: aos pés de uma castanheira, onde o menino pode sentir o vento e brincar despreocupadamente. Porém, as folhas representam também as mudanças de estações, a passagem das horas, dos dias e do tempo, que irremediavelmente chega ao fim.
David Rocha conseguiu, com uma sutileza e um cuidado ímpar, contar uma história sobre a vida e a morte voltada especificamente para o público infantil – eis seu maior mérito. O desenrolar da narrativa é leve e poético, talvez até melódico, e apesar de tratar de um tema que costumeiramente é desconfortável e triste, ainda cultiva a beleza e a poesia em todos os seus detalhes.
As ilustrações, de autoria de Juliermes de Souza, assim como o projeto gráfico, de Lisa Poubel, casaram harmoniosamente com os objetivos do autor, somando simplicidade à obra. Os desenhos não são minuciosamente definidos, e nem produzidos por programas de computador perfeccionistas. São delicados, porém intensos, cheios de detalhes e pequenas imprecisões, que dão ao traço verossimilhança e credibilidade. Como diz o autor, os desenhos são ‘brincantes’. E são mesmo.
Além do mais, os traços e as cores utilizadas conversam entre si e com os leitores de forma natural e legítima. Aos pequenos, atrai pela mistura de tons e de efeitos; aos adultos, por que remete a um tempo que passou, e onde tudo era mais simples e vibrante. Transporta-nos para uma viagem nostálgica e bela; uma percepção ilustrada e colorida da passagem do tempo. Levando-nos de volta para uma época em que a liberdade possuía outro significado, bem mais ingênuo e bonito, e nossas preocupações se limitavam a realçar o mundo com nossas tonalidades preferidas.
Assim, os desenhos, as cores e o projeto gráfico estão em total harmonia com o texto e a história, dando a impressão de que um único autor trabalhou todos estes pormenores, tamanha a unidade da obra. Não há como separar desenho, cor e texto sem tirar da narrativa sua beleza e sua personalidade, uma vez que as ilustrações e as cores contam tanto quanto a própria história em si.
Folhas de Castanheira é um livro de poucas páginas e muitos tons; de textos curtos, mas de reflexões duradouras. Tratando de assuntos delicados, e até mesmo subjetivos, como a vida, o tempo, a ausência, a saudade e a finitude humana, foi claramente inspirado na canção O Trenzinho do Caipira, de Heitor Villa Lobos.
Um livro que olha para trás, para o passado, recriando o momento que escapou, o riso que não percebemos, e a inocência de uma criança que observa o mundo com os olhos de dentro – ainda sem vícios, sem prejulgamentos e preconceitos.
É possível ouvir o tempo? – pergunta o autor, David Rocha. E eu respondo, após a leitura de sua obra: sim, é possível.
Mas apenas se nos permitirmos retornar para a pureza e para a poesia que somente conhecemos e entendemos quando somos crianças.
Folhas de Castanheira pode ser adquirido na Livraria Logos (www.logoslivraria.com.br) e na Livraria Cordis (www.livrariacordis.com.br), e também através do e-mail david.rdr@bol.com.br, diretamente com o autor, por R$12.
Um livro para os pais e para os filhos, que trata de vida, de beleza, de movimento e do fim.




segunda-feira, 30 de junho de 2014

Programação para quem pretende aprimorar a escrita

Escrevendo Biografias
O que é uma biografia.  Como se estrutura e se realiza uma pesquisa.  A técnica de entrevistas.  A contextualização histórica.  O cruzamento de informações.  Como a pesquisa se transforma em livro.
Paulo Cesar Araújo – Historiador, jornalista e doutorando em Ciência Política. Estudioso da história da música popular brasileira, colabora com os principais veículos de comunicação do país. É autor da biografia Roberto Carlos em Detalhes (Ed. Planeta, 2006), e do livro Eu não sou cachorro, não (Ed. Record, 2002), obra que revelou a censura à música brega durante a ditadura militar. Atualmente é professor da rede Faetec e do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.
Dia 19/07 (sábado) das 10h às 17h | Carga horária: 6h/aula
R$ 400,00 (à vista) ou 2x R$ 225,00

O Escritor e o Mercado Editorial – Caminhos para a Publicação
Como funciona a indústria do livro e o mercado editorial. Os diferentes papéis (autor/editor/indústria) e suas convergências. O que significa ser autor hoje? Quais os caminhos possíveis de trilhar para ter seu livro publicado e lido? A viagem do livro na contemporaneidade, dos originais à mesa do editor, suas principais etapas. Curso destinado a profissionais da indústria do livro e escritores que desejam ingressar no mercado conhecendo-lhe as regras.
14/07 - Da análise, seleção de originais, escolha e lançamento de livros. Gêneros e mercado: ficções, clássicos e ensaios com Maria Amélia Mello(editora da José Olympio – Grupo Record)
15/07 – O Presente e o Futuro do Livro no Mercado Virtual: o que esperar do autor, o que esperar do editor com Julio Silveira (editor da Ímã Editorial)
18/07 – O Mercado de Livros Infantis e juvenis com Ninfa Parreiras (Autora infantil e juvenil)
Das 19h às 21h | Carga horária: 6h/aula
2x R$ 200,00

Oficina da Crônica
Uma leitura preconceituosa considera a crônica um gênero rápido e fácil – um gênero mundano. Muitos chegam a acreditar que a crônica – porque em geral se edita nos jornais, ou agora nos sites da web – não é, sequer, literatura. A crônica não só é literatura, como é, talvez, o mais radical dos gêneros literários. Um gênero que oscila entre a ficção e a realidade, entre a literatura e o jornalismo, entre a mentira e a verdade. Um gênero de fronteira, que expõe e desafia os limites da própria literatura. E que luta para romper as fronteiras clássicas que separam a literatura da existência.
Em nossa oficina de crônica do ano de 2014, leremos e debateremos o trabalho de grandes escritores que foram, também, ou por isso, grandes cronistas. Crônicas geniais de Rubem Braga, Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Antonio Maria, Lygia Fagundes Telles e Luís Fernando Verissimo, entre tantos outros. Para facilitar, usaremos como livro base As cem melhores crônicas brasileiras, volume organizado pelo jornalista e cronista Joaquim Ferreira dos Santos para a editora Objetiva. Como as leituras serão em voz alta, a compra do livro não é imprescindível, embora seja desejável.
Abriremos espaço diário, também, para ler e debater crônicas escritas pelos alunos. De modo que usaremos os grandes cronistas consagrados como contraponto para refletir sobre a produção contemporânea. Os alunos que desejarem, devem levar para a oficina pelo menos uma crônica de sua própria autoria, que se torne objeto de leitura e de reflexão.
José Castello – Escritor e crítico literário do suplemento “Prosa”, de O Globo. Autor, entre outros, de As melhores crônicas de José Castello, volume organizado e prefaciado para a Global Editora pela crítica literária Leyla Perrone Moisés no ano de 2003. É, ainda, cronista regular do site “Vida Breve” (www.vidabreve.com.br), no qual publica as crônicas das terças-feiras.
Dias 24/07, 25/07 das 18h às 21h e 26/07 das 10h às 13h | Carga horária: 9h/aula
R$ 450,00

Oficina de Clichês: Como Assassinar a Narrativa
"Oficina de clichês: como assassinar a narrativa" é uma jornada pela banalidade dia adentro. Trata-se de reconhecer o funcionamento e uso dos lugares-comuns, recursos dos quais se vale a maioria dos autores iniciantes (e dos nem tanto) e que são capazes de anular quaisquer virtudes que um texto possa vir a ter. Com aula expositiva, onde será debatida a ideia do "kitsch", elemento tão bem investigado por Abraham Moles e tão caro aos estudos da comunicação, a oficina contará também com exercícios de escrita e de reconhecimento das armadilhas de facilitação. Pretende-se que, ao final do curso, o aluno nunca mais volte a usar um clichê na vida.
Cintia Moscovich – Escritora, jornalista, Mestre em Teoria Literária, roteirista de televisão e ministrante de oficinas literárias. É autora, entre outros, deArquitetura do arco-íris (contos), Por que sou gorda, mamãe? (romance) e Essa coisa brilhante que é a chuva (contos) – vencedor do Portugal Telecom 2013. Publicada na Espanha, Portugal, Itália, Argentina e Estados Unidos, a autora integra  a antologia Os melhores contos brasileiros do século organizada por Ítalo Moriconi para a editora Objetiva.
Dia 02/08 (sábado) das 10h às 17h | Carga horária: 6h/aula
R$ 400,00 (à vista) ou 2x R$ 225,00

CARPINTARIA LITERÁRIA
Cada escritor irá – por meio da leitura de um texto próprio – discorrer acerca de suas técnicas personalizadas de trabalho. Como escreve, que elementos se tornam importantes para que o texto tenha eficácia e conquiste seu leitor. Estilo próprio, linguagem, vocabulário, preocupações reais ou imaginárias são assuntos que certamente estarão na pauta dos autores convidados.
Como se escreve um romance – Técnicas personalizadas de trabalho
O romance como gênero literário. Processos e instrumentos essenciais da arte da escrita. Enredos e personagens. Estruturas narrativas.
28/07 – Rubens Figueiredo – Escritor, tradutor e professor. Autor, entre outros, de Passageiro do fim do dia (vencedor do Prêmio Portugal Telecom 2011 e do Prêmio São Paulo.); As palavras secretas e Barco a seco (ambos vencedores do Prêmio Jabuti – 1998 e 2001).
29/07 – Letícia Wierzchowski – Autora de Prata do tempo, A casa das sete mulheres – romance adaptado para a minissérie homônima da Rede Globo, Uma ponte para Terebin, Sal, entre outros. Tem livros publicados no Brasil e no exterior.
30/07 – Ana Paula Maia – Autora, entre outros, de O habitante das falhas subterrâneas; A guerra dos bastardos; De gados e homens e Carvão animal. Participa de diversas antologias de contos no Brasil e exterior. Seu blog: anapaulamaiaescritora.blogspot.com.br
Das 19h às 21h | Carga horária – 6h/aula

2x R$ 200,00

As aulas só começam em julho, mas as inscrições estão abertas pelo www.estacaodasletras.com.br e 21 3237-3947.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Cante um Conto, Conte uma Canção!


O escritor goiano Israel Teles lança e-book Letra & Música, celebrando a relação criativa e bem-sucedida entre música e literatura.

Por Penélope Quadros

Quem tem mais de trinta anos certamente se lembra das populares fitas K7. Elas eram muito mais baratas que o vinil e o CD, e ainda possibilitavam criar uma coletânea só com nossas músicas favoritas, misturando artistas, estilos e gêneros musicais. Algo que outros formatos, na época, não permitiam.

E foi inspirado pelas fitas K7 – não por acaso uma delas figura na capa da obra – que o escritor goiano (e trintão) Israel Teles escreveu a obra Letra & Música, e-book que reúne contos baseados em canções, todas cuidadosamente escolhidas pelo autor.
A ideia surgiu com o objetivo de unir duas paixões de Israel: a música e a literatura:
– A inspiração precisa movimentar-se com liberdade, e é sempre interessante quando uma mídia guia e influencia outra – conta.

Para ele, tanto a literatura quanto a música, apesar de utilizarem forma e conteúdo de maneiras diferentes, partem do mesmo objetivo: contar uma história. No entanto, enquanto a literatura se utiliza de um enredo, de uma estrutura narrativa, e de personagens previamente definidos, a música faz uso da melodia, da composição, e das variações de notas que seguem a letra da canção.

E se partem do mesmo objetivo, literatura e música também alcançam a mesma finalidade. Por esta razão, a música pode ter múltiplos significados, e cada um que a ouvir interpretará determinada canção de uma maneira muito específica e particular – tal e qual acontece com a literatura. A mesma música e o mesmo livro serão compreendidos e decodificados por cada ouvinte e por cada leitor a partir de suas próprias crenças e experiências.

O fato é que não se faz música e literatura sozinho – e Israel Teles sabe disso muito bem. Sem alguém para receber e reinterpretar a visão do artista, a arte encerra-se em si mesma, e não gera resultados e nem reflexões, nascendo e morrendo sem sair do lugar.

Assim, há um espaço cativo para o leitor (e para o ouvinte também) nas páginas virtuais de Letra & Música. É a partir desta identificação entre o produtor e o consumidor de arte que se dá o milagre da multiplicação de significados. Quem lê precisa sentir-se parte da história; precisa ser, de alguma forma, tocado e provocado pelo texto. Da mesma forma, quem ouve determinada música precisa se enxergar nela, seja em sua melodia, em sua letra, em seu ritmo. Sem identificação, não há relação.

Por esta razão, Israel foi bastante eclético no momento de escolher as músicas nas quais seus contos seriam inspirados: encontramos na obra desde sertanejo de raiz, representado por Tião Carreiro e Pardinho; rock pesado, com Faith No More, e o inclassificável e belo Cordel do Fogo Encantado, entre muitos outros.

O autor conta que a inspiração para a produção dos contos não veio apenas das letras das canções, mas de suas harmonias, notas, batidas, e de determinadas palavras perdidas em sua composição. Também, é claro, da bagagem cultural do próprio escritor, e de situações que viveu ou presenciou, e que de alguma forma marcaram sua produção artística e literária, e o tornaram quem é.

O mais bacana é que, ao final de cada conto, há links e informações a respeito da música em questão, permitindo que o leitor conheça mais e melhor os artistas citados na obra.

Porém, engana-se quem pensa que Israel é somente um amante da música; o autor é músico também. A canção que consta no vídeo de divulgação da obra (e que pode ser conferido aqui: www.youtu.be/nrnElc-Q9OU) chama-se Você se Vai, e foi composta pelo autor em parceria com Flor de Araújo. A música está disponível para download gratuito no site www.flordearaujoeisraelteles.com.br.
Lançado em português e inglês, o e-book pode ser adquirido nas lojas da Apple, Amazon, Barnes & Noble, Google, Kobo, Samsung, Livraria Cultura e IBA.
Leitores interessados em adquirir, ou saber mais sobre a obra, podem acessar o site do autor: www.israelteles.com.br.

E é por todas estas razões que o e-book Letra & Música deve ser lido, ouvido e sentido por quem entende desta relação íntima e vitoriosa entre contos e canções, entre letras e melodia, entre literatura e música.

Afinal, a diferença entre contar e cantar é tão pequena, que é praticamente imperceptível.


Penélope Quadros é jornalista e professora de literatura. E-mail para contato: penelopequadros@gmail.com



terça-feira, 17 de junho de 2014

A caça

O dinamarquês A caça (Jagten/2012) é um filme delicado, que incomoda porque, desde o começo, deixa claro como o ser humano pode ser injusto ao cometer o que ele acredita ser justiça. Não houve como não pensar na mulher linchada, recentemente, por ter sido confundida com uma sequestradora de crianças.

Trata-se de um filme delicado, porque há sim uma delicadeza inerente ao personagem central, Lucas (Mads Mikkelsen), uma pessoa querida por todos da pequena cidade onde vive, e que, recentemente separado, tem de lutar para passar mais tempo com o filho. É delicado porque mergulha nessa mania desrespeitosa do ser humano de julgar o outro baseado no seu desejo de estar certo, de se perceber incapaz de errar quando se trata da vida de outra pessoa, e de colocá-la em risco ao criar, ou mesmo...

Leia na íntegra: 
  
Talhe
de tudo um pouco e vários quase

domingo, 15 de junho de 2014

A Mão de Celina: você tem medo da morte?


Por Helena Fazollo.

É natural temer o que desconhecemos. E talvez por isso o medo da morte seja o mais angustiante, dentre todos os nossos temores. Primeiro porque não sabemos o que nos espera do lado de lá – se é que algo nos espera do lado de lá; se é que existe um lado de lá. Segundo porque, nesta vida, só existe uma certeza: cedo ou tarde, a morte irá bater em nossa porta. E não vai adiantar não abrir.
Celina, personagem da obra A Mão de Celina (Ed. Os Dez Melhores, 2014, R$35), conheceu a morte cedo demais. Porém, ao contrário do que costuma acontecer, Celina resolveu ignorar as supostas barreiras que separam a vida da morte, e retornou ao mundo dos vivos. Não somente para se comunicar, como também para participar da vida daqueles que ficaram. Especialmente Edu, seu namorado, que após cinco longos anos de luto finalmente encontrou um novo amor, Jana, e motivos para recomeçar.
A Mão de Celina, segundo livro do escritor gaúcho Jeremias Soares, apesar de tratar sobre a morte – e o que não sabemos sobre ela – é um livro que fala, acima de tudo, sobre a vida: vidas que se cruzam, vidas que recomeçam, vidas que terminam sem, de fato, realmente terminar. E, claro, das coincidências que esta mesma vida costuma reservar aos mais desavisados.
Por meio de um triângulo amoroso no mínimo curioso, uma vez que uma das três partes está morta, o autor passeia com autoridade e destemor por assuntos que geralmente causam um sério desconforto na maioria de nós, meros leitores mortais.
No entanto, com sua narrativa intensa e envolvente, Jeremias consegue o que parece improvável: tratar de temas duros e obscuros com leveza e humor, prendendo nossa atenção já no primeiro parágrafo.
A estrutura do livro também merece destaque. O autor compôs sua obra de tal forma, que o leitor passa a fazer parte da narrativa, conseguindo, sem dificuldade, estar no lugar de cada personagem, sentindo o que sentem, pensando o que pensam, e entendendo por que fazem o que fazem.
Aliás, desde o lançamento de seu primeiro livro, O Sobrado da Rua Velha (Ed. Multifoco, R$45, 2012), Jeremias Soares já comprovou sua habilidade para contar histórias de suspense e terror sem cair em clichês habituais. Não há efeitos literários especiais em sua obra; o autor não inventa armadilhas para o leitor, e tampouco tenta impressioná-lo com sustos desnecessários.
A Mão de Celina é um livro enxuto e completo, que também abre os trabalhos solos da Editora Os Dez Melhores (www.editoraosdezmelhores.com.br) – uma editora que chega ao mercado editorial brasileiro indo na contramão da proposta da maioria das editoras especializadas na publicação do novo autor: lançar somente dez livros por ano. Talvez menos, mas nunca mais.
E é por este – e por muitos outros motivos, que o leitor somente descobrirá quando embarcar na história de Celina, Edu e Jana – que A Mão de Celina é leitura mais do que recomendada para quem gosta de uma boa história.
Mais informações podem ser obtidas no blog da Editora Os Dez Melhores (www.editoraosdezmelhores.blogspot.com.br) ou pelos e-mails contato@editoraosdezmelhores.com.br.  jeremias.soares83@gmail.com

domingo, 8 de junho de 2014

Patrimônio Imaterial Brasileiro



Lugares, formas de expressão, saberes e ofícios transmitidos e renovados de geração em geração pelo povo brasileiro são a matéria-prima da exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro – A celebração viva da cultura dos povos, que a CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta de 23 de maio a 20 de julho de 2014.

A mostra traz os 30 bens imaterias registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entre eles a Cajuína, que entrou para o Livro dos Saberes do instituto no dia 15 de maio de 2014. O Ofício das Paneleiras de Goiabeiras no Espírito Santo, o Toque dos Sinos em Minas Gerais e a Cachoeira de Iauaretê – lugar sagrado dos povos indígenas no Amazonas – são outros exemplos que, na exposição, são materializados pela escrita, fotos, vídeos, músicas, sons e objetos.

Bens imateriais registrados no Brasil

ÂMBITO NACIONAL
- Ofício dos Mestres de Capoeira (Nacional)
- Roda de Capoeira (Nacional)

AMAPÁ
 - Arte Kusiwa - pintura corporal e arte gráfica Wajãpi (AP)

AMAZONAS
- Cachoeira de Iauaretê – lugar sagrado dos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri (AM)
- Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (AM)

BAHIA
- Ofício das Baianas de Acarajé (BA)
- Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA)
- Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim (BA)

ESPIRITO SANTO
- Ofício das Paneleiras de Goiabeiras (ES)
  
GOIÁS
- Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis (GO)
- Rtixòkò: expressão artística e cosmológica do Povo Karajá (GO/TO)
- Saberes e práticas associados aos Modos de Fazer Bonecas Karajá (GO/TO)

 MARANHÃO
- Complexo Cultural do Bumba-meu-Boi do Maranhão
- Tambor de Crioula do Maranhão

MINAS GERAIS
- Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro e das serras da Canastra e do Salitre
- Toque dos Sinos em Minas Gerais
- Jongo no Sudeste (RJ/SP/MG/ES)
- Ofício de Sineiro (MG)

MATO GROSSO/ MATO GROSSO DO SUL
- Modo de Fazer Viola-de-Cocho (MT/MS)
- Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe (MT)

PARÁ
- Círio de Nossa Senhora de Nazaré (PA)
- Festividades de São Sebastião na Região do Marajó (PA)

PARANÁ
- Fandango Caiçara (SP/PR)

PERNAMBUCO
- Feira de Caruaru (PE)
- Frevo (PE)

PIAUÍ
- Cajuína (PI)

RIO GRANDE DO NORTE
- Festa de Sant'Ana de Caicó (RN)

RIO DE JANEIRO
- Festa do Divino Espírito Santo de Paraty (RJ)
- Jongo no Sudeste (RJ/SP/MG/ES)
- Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e samba-enredo

SÃO PAULO
- Fandango Caiçara (SP/PR)

SERGIPE
- Modo de Fazer Renda Irlandesa (referência: SE)

TOCANTINS
- Rtixòkò: expressão artística e cosmológica do Povo Karajá (GO/TO)
- Saberes e Práticas Associados aos Modos de Fazer Bonecas Karajá (GO/TO)

SERVIÇO
Exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro - A celebração viva da cultura dos povos
Visitação: 23 de maio a 20 de julho de 2014
Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galerias 2 e 3
Endereço: Av. Almirante Barros 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Entrada franca
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Acesso para pessoas com deficiência
https://www.facebook.com/CaixaCulturalRioDeJaneiro
Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Rio de Janeiro (RJ)
(21) 3980-3096 / 4097


quarta-feira, 4 de junho de 2014

O velho relógio de corda

Por Humberto Pinho da Silva

São quatro horas de tarde escaldante. O velho relógio de parede acaba de dar quatro sonoras badaladas, que ecoaram pela casa deserta e silenciosa.
O centenário relógio de pêndulo, movido a corda, foi de minha bisavó Júlia. Sempre o conheci suspenso na parede, forrada a papel encarnado, da pequena salinha de jantar, onde tomávamos as refeições diárias.
Está protegido por sólida caixa de madeira, esbotenada e lurada de caruncho, de cor castanha, onde dois grandes ponteiros negros, marcam e contam o tempo.
Insensível, cumpridor fiel das suas funções, assistiu, altivo e sisudo, às alegrias e angústias da família.
Passivamente, viu, do alto da sua parede a morte de minha avó, na flor da idade e à criação de meu pai.
Assistiu, igualmente, aos derradeiros momentos de minha mãe, vítima de doença que não perdoa, apesar do progresso da medicina.
Impávido e sereno, sempre indiferente, sempre na monotonia do tic- tac, o pêndulo de metal amarelo, marca ritmicamente, minutos e horas. Horas que passam, que foram, mas já não são.
Minha juventude foi cronometrada por esse velho relógio de corda.
As sonoras badaladas percorriam a antiquíssima casa, avisando a hora do almoço, e indicando o termo das divertidas brincadeiras – as construções de madeira, o mecânico, os soldadinhos de folheta policromados, os bonecos de trapos, que a madrinha Baptista, com habilidade, paciência e muito gosto, confeccionava, imitando trajos usados na sua longínqua adolescência.
E sempre ele, o velho relógio de pêndulo, dia e noite, sem parar, sem descansar, avisava que o tempo passava.
Um dia fui chamado a cumprir os deveres para com a pátria.
Levei saudades da casa, onde nasci; dos carinhos maternos; do sofá, onde, em tardes sombrias, lia e relia livros que retirava da vasta biblioteca paterna; e do velho e amigo relógio.
Após a morte de meu pai, feito partilhas, trouxe-o para minha casa.
Solenemente coloquei-o na sala de jantar.
Reparei, então, que a velhice, começara a corromper a complicada engrenagem, que mostrava sinais de desgaste.
Levei-o ao relojoeiro. Mirou-o, remirou-o e por fim disse: - “É muito antigo…Os concertos são difíceis e caros…”
Pendurei-o em local de destaque, mas não lhe dei corda, para não gastar as peças.
Mas sempre que chega o Natal, acerto-o. Dou-lhe corda. Começa, então, no seu tic-tac, surdo, o mesmo tic-tac que ouvia na infância.
O velho relógio de parede traz consigo o passado: cenas, alegrias, tristezas, que sempre partilhou, impassível, mas atento, do alto da sua parede.

Os objectos antigos, que passam de geração a geração, na mesma família, possuem encanto especial e a magia de unir a família…principalmente os que já faleceram.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

KPAC

Gênero: Realismo Fantástico / Ficção Científica

Uma obra literária que você nunca viu. Capítulos são produzidos semanalmente, contando a história de uma forma que jamais foi contada por outra pessoa. Literatura fantástica do terceiro milênio. Nesta jornada você assimilará conceitos das áreas de: neurociências, ufologia, ciência política, biológicas, físicas, universo quântico, química, fantasia, psicologia, psicopedagogia, engenharias, e outras,... O objetivo é ativar conhecimento acadêmico através de fixação onírica. Até o presente instante a ordem correta dos capítulos é:

238 - Kpac: Paraíso
239 - Kpac: O aparelho de Uhr
241 - Kpac: Ninti a geneticista
247 - Kpac: Ninti cria o Neurônio
251 - Kpac: O templo de Osiris
254 - Kpac: O Jogo da Vida
256 - Kpac: A Sociologia das Nações
257 - Kpac: Mentes Brilhantes
258 - Kpac: Criando Reis
259 - Kpac: O Paradoxo do Governante
260 - Kpac: Fabricando Toys
268 - Kpac: O Colapso de Lucy
269 - Kpac: A Justiça e a Lei
270 - Kpac: O Sexo dos Deuses
271 - Kpac: A Ideologia do Espelho
272 - Kpac: Migrando Tecnologias
273 - Kpac: O Dinamizador de Fluxo
274 - Kpac: Kameney de Adamo
275 - Kpac: Marketing de Resultados
276 - Kpac: Planejando Metas
277 - Kpac: A Interação de Grupos
278 - Kpac: Seres de Luz
281 - Kpac: A Física do Deslocamento
282 - Kpac: Produzindo Multiversos
283 - Celeste: Kalix
284 - Celeste: Titânia
285 - Celeste: Urânia
286 - Celeste: Ceres

Dica: no menu ( campo PESQUISAR) do site LenderBook que está no topo da página digite KPAC .
Forma de pagamento: Pague uma pessoa para fazer um trabalho de sua necessidade. Exemplo: faxina, lavar um carro, engraxar um sapato, ... algo que para você não havia previsão e que você coloque em mente a necessidade de ajudar o próximo. Ou seja, pessoas que querem se levantar pela conquista do trabalho.
 Entre em LenderBook e comece a acessar a obra online.

Max Diniz Cruzeiro

LenderBook Company

terça-feira, 20 de maio de 2014

Negócio do livro é tema de curso inédito

Niterói recebe diretor de Marketing de um dos maiores grupos do país para desvendar os bastidores de um mercado que se revela cada vez mais promissor

Cerca de 50 mil títulos diferentes de livros são comprados, por mês, nas livrarias brasileiras. Destes, os 500 mais vendidos representam um terço dos negócios do mercado nacional, de acordo com dados publicados pela Nielsen, instituto multinacional de pesquisa que audita este mercado no Brasil. A competição é evidente também nas listas de mais vendidos, onde autores disputam o interesse leitor, especialmente do jovem leitor em formação: nomes como os de Paula Pimenta, Eduardo Spohr, Patricia Barbosa, Carina Rissi, entre outros, vendem dezenas ou centenas de milhares de exemplares.

“Muito se fala que o brasileiro não lê, mas o mercado brasileiro do livro vem crescendo. Basta notar a expansão de redes como Saraiva, que abriu nova loja este ano no Plaza; Travessa, com novidade em Botafogo e, em breve, no interior de São Paulo; Vila, que depois do Estado de São Paulo chegou a Curitiba; Leitura, originalmente de Minas, seguindo para o Nordeste e também inaugurou loja no Rio. Outras, como a Nobel, se expandem junto com shoppings para áreas mais periféricas”, avalia Bruno Zolotar, diretor de Marketing do Grupo Editorial Record, responsável pelo curso Introdução ao mercado do livro e ao marketing editorial para autores, estudantes e profissionais do setor, que será realizado pela primeira vez em Niterói (RJ), nos sábados 31 de maio e 7 de junho, no Instituto Cultural Germânico, de 9h às 12h.

O objetivo do curso é dar um panorama da realidade desse mercado e das técnicas utilizadas para ganhar visibilidade num cenário onde o marketing pode mudar o destino de um livro.    

“Formaturas Infernais, por exemplo, era um livro de contos, gênero que vende pouco, com um conto de Stephenie Meyer, a autora de Crepúsculo, e mais outras quatro escritoras. Como era direcionado ao público jovem, usamos blogs e a força da internet para colar no público que tinha lido a saga dos vampiros e isso fez com que uma obra que passaria desapercebida virasse best seller e entrasse nas lista dos mais vendidos, na época”, exemplifica Zolotar.    

As listas fazem parte do programa  do curso, assim como a mudança do perfil delas em relação ao passado, já que hoje, as redes, principalmente as com lojas em shoppings têm mais influência e mudaram o perfil do que é lido.  Segundo Zolotar, apesar de uma certa desconfiança por parte do público, as listas são uma radiografia do que o brasileiro lê. “Cada jornal ou site tem um critério, mas no geral elas são feitas da mesma forma e consideram as maiores redes e uma ou outra livraria independente mas que tenha prestígio.

O que é preciso para ser publicado? Como fazer um best seller? Quais os canais de vendas para livros? Quais são as técnicas mais usadas para divulgar um autor? A proposta deste curso é dar um panorama sobre o negócio do livro no Brasil e as técnicas de marketing mais usadas no mercado editorial.

Depois de já ter apresentado o curso no Rio de Janeiro e em São Paulo, em conjunto com entidades como a Câmara Brasileira do Livro, o Publishnews, ou em universidades, entre elas a PUC-Rio, Candido Mendes e FGV, Bruno Zolotar explica porquê escolheu Niterói.

“Quando apresento o meu curso no Rio, sempre tenho uma boa parte de alunos de Niterói, São Gonçalo ou do interior do Estado. Niterói é hoje uma cidade grande, com boa parte da população com grande interesse em cultura, uma das maiores universidades públicas do país, muita gente que trabalhando em editoras, além de ser uma cidade que tem autores como Claudia Lage, Sergio Tavares, Pedro de Luna, Marco Lucchesi e tantos outros. Estava mais do que na hora de fazer aqui, que, aliás, é a cidade onde moro.”

O PROFESSOR:

Bruno Zolotar é diretor de Marketing do Grupo Editorial Record, responsável pelo marketing e eventos de 14 editoras. Formado em publicidade pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com pós-graduação em marketing, gestão de negócios, produção editorial e marketing digital, dá aulas na pós-graduação em editoração da Candido Mendes (Ucam), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio),  e em cursos promovidos pelo Publishnews, pela Câmara Brasileira do Livro e pela Estação das Letras.




SERVIÇO:

Quando: 31 de maio e 7 de junho (sábados)
Horário: de 9h às 12h
Onde: Instituto Cultural Germânico – ICG (Avenida Sete de Setembro, 131 – Icarai – Niteroi)
Inscrições  a partir do dia 5 de maio no próprio ICG.
Informações no (21) 2714 0879 ou pelo www.cursomarketingdelivros.com
Investimento: R$ 300,00 (em até duas vezes) e desconto de 50% para estudantes



segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tempos Verbais

Tempos Verbais é um drama satírico em um ato que trata conflitos internos do nosso herói, um eu-presente derrotado e sem chão, com a personificação do seu passado e com a de seu futuro travando uma profunda e complexa discussão sobre as ações, consequências e responsabilidades de cada um deles para com a própria vida. Um roteiro integrante e angustiante, salpicado de bom humor, que levará o leitor, porque não espectador, a uma divertida, mas séria reflexão.

Autor: Rafael Castellar das Neves
Gênero: teatro drama satírico
Lançamento: 11/05/2014

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quarta-feira, 14 de maio de 2014

As diabólicas

Duas professoras num internato de meninos, Christina e Nicole planejam juntas a morte de Michel, marido da primeira e amante da segunda, que a ambas humilha e maltrata. Após dopá-lo e afogá-lo na banheira da casa de Nicole, jogam-no à noite na piscina da escola, para que alguém o encontre e pense que Michel se afogou.
Só que o corpo desapareceu, e agora as duas cúmplices passam a sofrer misteriosas ameaças.

AS DIABÓLICAS é um filme de 1955 dirigido por Henri-Georges Clouzot. Seu bem elaborado suspense foi um dos motivos que levaram Alfred Hitchock a realizar, cinco anos depois, o clássico "Psicose".

Saiba por que na resenha de Maurício Limeira, aqui:

Mais links de Maurício Limeira:

https://www.facebook.com/filmantes.videos/

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Aves de Rapina

Por Humberto Pinho da Silva

Quando faleceu minha mãe, após meses de tremendo sofrimento, que a levou à cegueira – abandonada pelos médicos, ao verificarem que não havia cura, - meu pai foi recomendado, pela funerária, que pertencia a amigo de meu avô, a retirar objectos pequenos, das salas, que familiares e amigos teriam acesso.
Ajudei-o nessa ingrata tarefa, segurando com fino arame e fio do norte, pinturas e gravuras que se encontravam ao longo da escadaria.
O velho e íntimo amigo de meu avô era católico e monárquico, de sete costados, em época que era crime grave ser cristão e adepto do rei deposto. Atrevimento que, algumas vezes, pagava-se com a vida.
Foi igualmente aconselhado a depositar o corpo em capela. Era mais seguro - informaram, - livre de aves de rapina que habitualmente frequentam velórios.
Conselho que recusou. Faltou-lhe coragem de abandonar a mulher, em capela pública, cujas portas encerravam às primeiras horas da madrugada.
Deixou-a no leito, coberta com lençóis do enxoval; sem velas, sem flores, de janelas escancaradas, por onde luminoso sol entrava a rodos.
Amigos, conhecidos e curiosos, subiam as escadas. Penetravam, a medo, no quarto, e ficavam chocados ao verem-na “ dormindo”.
Decorridos minutos, espantados, declaravam: “Assim não impressiona tanto!…”
Agora devo dizer que não gosto de ir a funerais. Não gosto, porque neles encontra-se o pior que existe nos humanos: hipocrisia, bajulação, ganância, à mistura de frases feitas; e ainda que digam que sentem muito, a maioria não sente nada.
São aves de rapina que rondam carne morta, em busca de interesses.
Familiares existem que recebem a morte com alívio: ou porque o doente era um estorvo, ou porque finalmente vão receber bens, que muitas vezes não conseguiram obter com procurações e doações…

É a vida! Melhor: é a morte! …

terça-feira, 6 de maio de 2014

Francisco Bosco no Estação das Letras

A partir do dia 13, até o final do mês, o escritor e ensaísta Francisco Bosco fala sobre a Crônica no Jornal para análise de práticas discursivas na imprensa e as ideias fundamentais sobre crônica e ensaio na Estação das Letras, que em maio abre suas portas também para um curso inédito no Rio: Profissão Editor, sob a batuta da diretora da Babilonia Cultural Editorial, Michelle Strozda. O objetivo é pensar o processo de edição de um livro como produto comercial e bem cultural.  E nos dias 15, 22, e 29 os artistas visuais André Vallias, Walter Firmo e Anna Bella Geiger falam sobre as relações que estabelecem entre suas obras: pintura, escultura, poesia e fotografia, com a palavra.


As inscrições estão abertas pelo 21 3237-3947 e a programação completa disponível no www.estacaodasletras.com.br. A Estação das Letras fica na Marquês de Abrantes, 177, Flamengo, Rio de Janeiro.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O homem duplicado

Há dois homens idênticos na cidade. Embora não sejam gêmeos, são absolutamente idênticos em tudo: aparência, voz, data de nascimento e até tamanho do pênis. Imagine então o que poderá acontecer se esses dois homens se encontrarem. E mais: imagine o tal encontro narrado pela excelência criativa de José Saramago. Publicado em 2002, o Homem Duplicado é mais uma dessas obras primas que compõe o legado do prêmio nobel português.   

terça-feira, 22 de abril de 2014

Estação das Letras comemora maioridade com festa e presença do português Gonçalo Tavares

Nascida para concretizar um sonho pessoal de sua criadora, a poeta e mestre em teoria literária Suzana Vargas, e de um grupo de escritores, entre eles Flávio Moreira da Costa, Victor Giudice, Sérgio Sant’anna e Antônio Torres, a Estação das Letras está comemorando sua maioridade: são 18 anos como reduto da literatura nacional no meio do caminho entre o Centro e a Zona Sul do Rio de Janeiro e uma bagagem de mais de 15 mil alunos em sua trajetória.
Em quase duas décadas, a Estação recebeu mestres da dimensão de Cleonice Berardinelli, Ferreira Gullar, Marina Colasanti, Ana Maria Machado, Affonso Romano de Sant’Anna e Antônio Carlos Secchin. Autores e mestres da literatura brasileira aceitaram compartilhar suas experiências profissionais com gente de muitas idades, um tanto de ideias, e, em comum, o desejo de melhorar seu fazer literário. Quiçá viver dele!
“São 18 anos de muita luta como pioneiros nessa modalidade de trabalho. Somos o primeiro espaço (e talvez único no país) alternativo, sem financiamento de ninguém, dedicado exclusivamente à literatura e leitura”, define Suzana Vargas, para quem a luta é justamente provar que um lugar como a Estação pode ser autossustentável.
A festa, com direito a “Parabéns para Você”, será na quinta-feira 24 de abril, na Fundação Casa de Rui Barbosa, a partir das 17h. O mestre da cerimônia é ninguém menos que o escritor e professor português Gonçalo M. Tavares, de passagem pelo Brasil, e que falará sobre os universos da criação literária. Gonçalo não perde a oportunidade e integra também a programação de cursos do mês com um workshop, no sábado 26.
A grade de aulas, cuidada pessoalmente pela Suzana nesses 18 anos, disponibiliza cursos regulares, que duram até quatro meses, oferecidos nas modalidades Introdução e Avançado, e cursos mais rápidos de um ou dois meses, workshops, ciclos de palestras, além de aulas rápidas aos sábados. Abril, por exemplo, conta com um ciclo de Cortázar no ano do centenário dele, de Palavra e Imagem, sobre História da Arte e, entre os profissionalizantes, o de Como ser Editor.
Para comemorar o marco dos 18 também entrou recentemente no ar o novo site da Casa (www.estacaodasletras.com.br), com o lançamento das oficinas on-line, inaugurando um novo capítulo nesta história. Com elas, a Estação realiza o desejo de muita gente, moradora nos quatro cantos do país, e mesmo fora dele, que solicita frequentemente o serviço da Entidade e acabam com a desculpa de falta de tempo e distância, abrindo ainda mais o leque de possibilidades da Estação das Letras.
- Para além dos on-line e próximo deles, a Estação deverá lançar a Rede Escreviver, inicialmente para consumo interno e logo para consumidores externos, antecipa Suzana. Trata-se de uma rede de escrita na qual os participantes trocarão informações, textos, leituras entre si e que também será abrigada na página oficial.
Dessa história merece reverência ainda o serviço fixo de análise de originais, criado há uma década, atendendo a autores de todas as regiões do país: Beirut Souvenirs (Ana Cristina Leonardos), 50 tempestades (Wanda Lins), Em cada canto um conto (Itala Sandra Del Sartro), Galo Velho (Luis Fernando Caruso) e Poemas para o fim dos tempos (Carlos Frederico Manes), As primeiras pessoas (Cesar Cardoso), A versão dos vencidos - uma ótica sobre a história do México (Humberto Borges), Um homem chamado Luiz (Lenira Tabosa Pessoa), A Ética de Demétrius (Paulo Boaventura ) e O elogio da mentira e outras histórias (Lycio de Faria) são algumas das obras lançadas no Brasil e que passaram pelas mãos dos pareceristas da Estação.
Para empresas, há cursos direcionados aos funcionários, com o objetivo de treinar a escrita adequada e estimular as capacidades criativa e interativa dos funcionários, bem como ampliar seus conhecimentos culturais. A LiterÁrea, livraria da Estação, é um polo a parte para reuniões, lançamentos, confraternizações e, claro, venda de obras escolhidas com muito cuidado.
O resultado de todo esse trabalho é medido em parte pela aceitação do mercado editorial, que recebe os autores saídos das oficinas e que acabam bem sucedidos em suas áreas de atuação. “E, enquanto produtora, idealizamos e trabalhamos com eventos cujo resultado efetivo se fez sentir na comunidade do livro, tais como as Rodas de Leitura e o Livros na Mesa, entre muitos outros, inclusive na área internacional”, complementa Suzana, mencionando Mostra Sul da Poesia Latino-Americana, Informes de Borges, além das Vanguardas Literárias da América Latina.
Como metas da Suzana Vargas estão a ampliação de serviços para atender a população de baixa renda, a formação de leitores e o estímulo da escrita de forma geral. “Escrever para sobreviver num mundo cuja história, mais do que de imagens, está vivendo da escrita”, analisa Suzana.

SERVIÇO:
Coquetel de 18 anos da Estação das Letras
Endereço: Fundação Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente 134, Botafogo / Rio de Janeiro)

24 de abril, 17h