terça-feira, 30 de setembro de 2014

I Encontro Internacional de Mulheres Palhaças

 




De 06 a 12 de outubro acontece em São Paulo o I Encontro Internacional de Mulheres Palhaças-SP, evento sobre comicidade feminina.  Organizado pelo Teatro da Mafalda, o I Encontro Internacional de Mulheres Palhaças-SP é o 7º no mundo sobre o tema. Em sua programação traz uma incrível diversidade de tipos cômicos distribuídos em atrações nacionais e internacionais, além de mesas de debate, oficinas, vivências artísticas, aula-espetáculo e demonstrações técnicas.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os cavaletes alegres


 por Flávio Sanso
@flavio_sanso

E então chegou a época em que eles se espalham por toda a cidade, por todas as cidades. Todos estão sorrindo, alguns gargalham e mostram dentes de cristais, outros exibem o sorriso contido de galã enigmático. Estão rindo do quê? Por que vão se dar bem? Estão rindo de quem? De mim, de você? Reparem: são sempre os mesmos de quatro anos atrás (ou de dois anos, dependendo da ansiedade de cada um). Se tivermos tempo ou paciência, vamos perceber que estão ficando careca ou com fios do cabelo mais esbranquiçados. Pelo menos o tempo eles não conseguem enganar. Vários deles carregam nas costas o acúmulo de processos criminais e de improbidade administrativa. Mas o que há de mal nisso, se o sorriso deles é tão puro e sereno? A verdade é que nem todos são bem humorados, nem todos sorriem com facilidade e, claro, por serem humanos há até os que possam sofrer de depressão e problemas do gênero. Seria mais sincero se posassem carrancudos, tristes ou sérios. Qual o problema?
A mentira começa na foto.   

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Concerto Grátis

O concerto de agosto da série “Prelúdio 21 - Música do Presente” apresenta uma formação que explora as várias possibilidades sonoras de uma formação relativamente incomum na música de concerto tradicional: duo de violoncelos e percussão. No próximo dia 30 de agosto, sábado, às 15h, o programa contará com a interpretação expressiva do Duo Santoro, formado pelos irmãos violoncelistas Paulo e Ricardo Santoro, e de Ana Letícia Barros (percussão), músicos atuantes no cenário nacional. A entrada é franca.
Juntos, os três interpretarão músicas dos seis integrantes do grupo Prelúdio 21: “Fernweh“ (Marcos Lucas), “Artérias” (Sergio Roberto de Oliveira), “Canção Triste” (Caio Senna), “Magma” (neder Nassaro), “Intercâmbios II” (J. Orlando Alves) e “Cidade das Flores” (Alexandre Schubert).
O grupo de compositores Prelúdio 21 vem há 15 anos movimentando o cenário da música de concerto da cidade do Rio de Janeiro. Formado por compositores com estéticas diferentes, o grupo divulga suas obras em concertos, propiciando o contato do público com a música contemporânea.

Serviço

30 de Agosto - Série Prelúdio 21 – Música do Presente – com Duo Santoro e Ana Letícia Barros
Horário: 15h
Centro Cultural Justiça Federal – Teatro
Av. Rio Branco, 241 – Centro
Tel. (21) 3261-2550
Entrada Franca – Distribuição de senhas meia-hora antes
Classificação Livre´



domingo, 17 de agosto de 2014

Dispenso o hexa

por Flávio Sanso

O retrato que eu tenho da copa do mundo de 2014, exclusivamente quanto à seleção brasileira, é a imagem em que Thiago Silva, capitão do time, com corpo molengo de soldado ferido, é escorado aos prantos por Felipão depois do jogo contra o Chile nas oitavas de final. É o típico caso em que uma imagem vale mais que mil palavras.
Gosto de futebol e por isso me sinto à vontade para repetir as conclusões mais desanimadoras e nem por isso menos realistas: muito marketing e pouco futebol, muito sentimentalismo forçado e pouca emoção espontânea, muito individualismo e pouco coletivismo, muito choro e pouca alegria. E por aí vai.
Passado um mês da grande final, haverá quem diga que analisar copa do mundo nesta altura do campeonato é remexer discussão ultrapassada. Concordo. Mas então por que damos tanta importância a algo que, passado um mês, já é tido como tema desatualizado e que talvez já nem faça parte de nossos pensamentos diários? Este é o ponto: nesse terreno do futebol, somos doutrinados, assim como mulher de malandro, a dar valor exagerado àquilo que não merece muito mais que uma atenção passageira, um breve torpor, um suspiro de divertimento. Nesse aspecto, acho que o “sete a um” foi aquele tipo de remédio amargo que pode fazer melhorar a prepotência inútil que se reflete naquela frase batida: “somos o país do melhor futebol”. Os estrangeiros já não precisam mais responder, com ar blasé, “e daí?!”, porque depois do “sete a um”, a afirmação soa falsa, além de, agora, beirar o ridículo. Podíamos tentar ser melhores em alguma outra coisa mais importante.
O superdimensionamento que se deu à copa e que normalmente é dado às coisas ligadas ao nosso futebol bem poderia ser repetido agora que Artur Ávila, brasileiro, recebe a medalha Fields, o mais importante prêmio de matemática do mundo. É o que se tem denominado de Nobel da Matemática. O Brasil, que sempre se ressentiu de nunca ter conquistado prêmios máximos de ciência ou cultura, enfim pode se dar o luxo de comemorar a proeza. Temos aí um fato que merece os peculiares gritos de euforia de Galvão Bueno. Sim, é a vez de alardear um grande feito repetidas vezes, exaustivas vezes, em todos os meios de comunicação, valendo até aquelas campanhas publicitárias ufanistas que exaltam a condição de ser brasileiro com muito orgulho, com muito amor. Mas dessa vez a intenção não é encher o bolso das gigantescas empresas patrocinadoras do milionário mundo do futebol. Há a chance de difundir na cabeça das crianças o fato de que o estudo é meio de sucesso pessoal e profissional e que a satisfação não está somente na torcida pela vitória atlética de outras pessoas; também, e principalmente, está na capacidade de alcançar sua própria vitória. Obviamente que tudo isso não tem muito sentido sem que se melhorem as escolas e se valorizem os profissionais do ensino. Mas aí é questão de prioridade. Que a medalha Fields ajude o país a repensar o valor que ele dá às suas preferências.

Se eu, amante do futebol, trocaria a medalha Fields pelo hexa? Não, obrigado. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Meus vizinhos são os ossos

por Flávio Sanso
extraído do site www.reticencia.com

Às vezes tento formar no pensamento o rosto da minha mãe. O nariz fica grande demais, os olhos não se alinham, a boca tem os lábios entumecidos. Fico aborrecido quando só o que consigo imaginar é um borrão desforme, pardo e emoldurado com os cabelos dela. A figura perfeita do rosto vem quando quer, e não quando eu quero. Me pega de surpresa. O rosto aparece do nada, nos momentos em que estou distraído. É muito rápido. Tento lutar com minha própria memória para que ele não se dissolva. É inútil. O rosto da minha mãe é como o desenho da nuvem que se deforma muito rápido. Já a voz dela não me vem quando quero e nem em qualquer outro momento. Está apagada para sempre desde o último suspiro. Às vezes gosto de me enganar. Quando o vento faz barulho, penso ser a voz da minha mãe. Algumas vezes ela me chama, algumas vezes ela me grita.
O sopro do vento é minha única e talvez última companhia. Estou só. Por todo meu redor não há ninguém. O sol esturrica tudo e faz o chão queimar. A terra secou e a água só faz visita nas poucas vezes de chuva. A sobrevivência por aqui é quase aberração. Minha mãe deixou de comer para não faltar comida aos filhos. Quase nada adiantou morrer de fome. Meus irmãos morreram um tantinho depois. Nunca precisei de muito para o sustento. A minha pessoa foi a única que restou. Mas talvez permanecer vivo neste lugar seja o castigo que eu mereça. A penitência que carrego é a lembrança diária do que eu fiz.
“Se arruma”, ordenava minha mãe. “Se arruma rápido”, insistia minha mãe. Queria que eu ficasse pronto para ir à escolinha. Achava que eu encontraria a chave que me libertaria da miséria. Eu berrava, me debatia no chão, fazia a pior das pirraças. Agarrei-me à perna da minha mãe com uma força desconhecida. Chorava e dizia que não queria me afastar dela. O braço da minha mãe se levantou o mais alto que podia, deixou-se cair e quando caiu levei uma bofetada que me fez calar. Ao sentir o rosto em ardência, desejei que minha mãe morresse. Aí está a maldição que me acompanha feito sombra. Não adiantou arrependimento. O meu intento já havia escapado e vagava livre no ar. No princípio imaginei que só teria minha própria consciência como testemunha. Mas é óbvio que o meu intento esteve bem à vista de Deus e do Diabo. Quando a minha mãe morreu, eu sabia que no fundo o meu intento deixara de vagar a esmo e encontrara a sua razão de ser.
A solidão nunca dá brecha para ser vencida. Estar mergulhado neste vazio é como nascer: não há escolha. Tenho andado em todas as direções e não encontro ninguém. Invado barracos vazios e inspeciono as ruínas de um vilarejo qualquer. O que me mantém vivo são os bichos que também desconhecem a razão de estarem perambulando por aqui. Pretendo que nem os bichos façam aparição à minha frente. Mas tenho medo da morte. Tenho medo de que minha mãe, lá na mansão dos mortos, já tenha descoberto tudo a respeito do dia em que desejei a morte dela. Não saberia como me explicar.
Já dos coiotes eu não tenho medo. Não se interessam por mim enquanto eu estiver vivo. Os coiotes deste lugar são pragas que aparecem para vilipendiar os mortos. Não precisam se preocupar com o trabalho do abate. São dotados de um faro mórbido que os conduz sem demora ao local da comida. São bem mais rápidos que os urubus, o que lhes garante as carnes mais suculentas. Não é coisa boa de ver.
Quando a minha mãe morreu, levaram o corpo para longe das minhas vistas. Disseram que era caso de enterro urgente e afastado. Naquele tempo, a justificativa me foi conveniente, afinal eu não teria mesmo coragem de encarar o rosto falecido da minha mãe. E se ela estivesse sorrindo na hora da morte? E se ela estivesse sorrindo para mim? O maldito desejo de fazer-se produzir seu sono irreversível era vergonha que me impediu a despedida. Ocorre que minha inteligência de hoje, que é melhor que a de ontem, sabe que os coiotes é que deram causa ao sumiço do corpo. É coisa difícil de ver e por isso mentiram para mim.
Sim, eu sei que minha vida não tem sentido senão o de expiar a minha falta. Mas, se morrer é benefício que por enquanto não posso alcançar, é justo que alguma ideia venha em socorro dos meus dias. A condição de estar condenado a conviver com a própria consciência não favorece a inovação das ideias e então é preciso atenção para não perder uma brecha que seja. E ela me vem. O relâmpago que ilumina em centésimos de segundo uma noite escura. É dessa maneira que ela me vem. A ideia súbita me força a procurar o corpo da minha mãe. Eis a distração que agora me move. Pois então como encontrar o que restou da minha mãe se não há alguém ao meu entorno para me orientar? Nem mesmo os bichos que me mantem a sobrevivência podem me prestar auxílio. Mas uma ideia sempre ativa as engrenagens do pensamento. Os coiotes, essas criaturas repugnantes que desrespeitaram a minha mãe, não têm mais de quem arrancar as vísceras. Não há ninguém ao redor. É possível que estejam a rondar os cemitérios à procura de vítimas repetidas. Este é o tempo em que os coiotes vivem de alimento requentado. Algum deles haverá de me levar até minha mãe.
Lá está um deles. De tanto fuçar entranhas, o pelo da cara apresenta a permanência de um tom rosado. Não é difícil persegui-lo. Tem os olhos pregados no horizonte. Depois que estive por tanto tempo na trilha aberta pelo coiote, avisto um mar de túmulos equidistantes entre si. Junto montes de pedras nas mãos e com elas espanto todos os coiotes que vejo pela frente. Arremesso com força, arremesso com raiva, porque o reencontro com a minha mãe não cabe a testemunho de animal traiçoeiro. Estou diante do túmulo da minha mãe e finalmente tenho a oportunidade de me despedir. “Mãezinha, me desculpa. Se a senhora desejar, volto à escolinha. Volto no tempo para lhe obedecer e para arrancar da cabeça o intento que me contaminou os dias. Acredite em mim, mãezinha querida, o desejo de hoje é o oposto daquele intento que apodreceu meu futuro: desejo sua ressurreição, desejo que esteja viva ao meu lado. Só mesmo a senhora tem o poder de desafiar a solidão que me mantém cativo em masmorra fria. Minha mãe, por favor, não me recuse o perdão.” Enquanto estou de joelhos ao lado do túmulo da minha mãe, ouço passos se aproximarem. Passos? De repente algo invade a musculatura do meu braço. Estou fraco, desfalecendo. Será que, enfim, é minha morte que se aproxima? Minha mãe virá me buscar? Uma fisgada é a última sensação antes de perder os sentidos.         

Na clausura em que experimento a mais brutal das solidões, rompe-se uma fenda, pela qual atravessa uma voz. Ela pede que eu conte a minha história. Estou inebriado e distante. Conto tudo. A voz é branda. Diz coisas que eu não entendo. Diz que meus irmãos estão vivos e administram o espólio da minha mãe. Brigam entre si. Diz que eles morreram para mim no momento em que passaram a pretender a minha internação. São coiotes. Diz que a miséria a que me refiro é a miséria moral trazida pelo acúmulo de bens e dinheiro. Diz também que não estou sozinho e que há pessoas velando pela minha saúde. Trajam o branco da paz. São os bichos que me mantém a sobrevivência. A voz se cala. Quando a fenda se fechar, quero dar conta do meu novo intento. Estarei de prontidão ao lado da minha mãe, e por lá fincarei permanência até que ela retorne. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Dead Man

No século XIX, um contador atravessa o país atrás de um emprego. Se mete, no entanto, numa roubada e acaba sendo perseguido por assassinos profissionais e, na companhia de um índio que o confunde com o poeta William Blake, se torna um fugitivo.
DEAD MAN é o faroeste existencialista em preto-e-branco (sim, isso mesmo) escrito e dirigido por Jim Jarmusch e estrelado por Johnny Depp. Fora as muitas participações especiais e o clima lento e hipnótico, características dos filmes do diretor, há ainda uma inesquecível trilha sonora assinada por Neil Young.
Mais sobre DEAD MAN aqui:



quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sobre a vida e a morte, para crianças

Por Alessandra Carvalho


A morte e a finitude da vida costumam ser temas complicados de entender – que dirá de explicar. E se são difíceis para nós, adultos, imagine para as crianças.
Em seu primeiro livro voltado ao público infantojuvenil, Folhas de Castanheira, o escritor David Rocha pincela com beleza e delicadeza um tema que costuma ser denso e complicado: a passagem do tempo, a morte, o fim.
A obra conta a história de um menino e de sua velha tia, que o acompanha em suas brincadeiras apenas o observando e o protegendo de longe, como se fosse uma sombra. A tia não interage e nem participa diretamente da história, apesar de sua presença se fazer constante em todas as 31 páginas do livro.
As folhas de castanheira do título do livro são uma referência ao espaço onde se desenrola a narrativa: aos pés de uma castanheira, onde o menino pode sentir o vento e brincar despreocupadamente. Porém, as folhas representam também as mudanças de estações, a passagem das horas, dos dias e do tempo, que irremediavelmente chega ao fim.
David Rocha conseguiu, com uma sutileza e um cuidado ímpar, contar uma história sobre a vida e a morte voltada especificamente para o público infantil – eis seu maior mérito. O desenrolar da narrativa é leve e poético, talvez até melódico, e apesar de tratar de um tema que costumeiramente é desconfortável e triste, ainda cultiva a beleza e a poesia em todos os seus detalhes.
As ilustrações, de autoria de Juliermes de Souza, assim como o projeto gráfico, de Lisa Poubel, casaram harmoniosamente com os objetivos do autor, somando simplicidade à obra. Os desenhos não são minuciosamente definidos, e nem produzidos por programas de computador perfeccionistas. São delicados, porém intensos, cheios de detalhes e pequenas imprecisões, que dão ao traço verossimilhança e credibilidade. Como diz o autor, os desenhos são ‘brincantes’. E são mesmo.
Além do mais, os traços e as cores utilizadas conversam entre si e com os leitores de forma natural e legítima. Aos pequenos, atrai pela mistura de tons e de efeitos; aos adultos, por que remete a um tempo que passou, e onde tudo era mais simples e vibrante. Transporta-nos para uma viagem nostálgica e bela; uma percepção ilustrada e colorida da passagem do tempo. Levando-nos de volta para uma época em que a liberdade possuía outro significado, bem mais ingênuo e bonito, e nossas preocupações se limitavam a realçar o mundo com nossas tonalidades preferidas.
Assim, os desenhos, as cores e o projeto gráfico estão em total harmonia com o texto e a história, dando a impressão de que um único autor trabalhou todos estes pormenores, tamanha a unidade da obra. Não há como separar desenho, cor e texto sem tirar da narrativa sua beleza e sua personalidade, uma vez que as ilustrações e as cores contam tanto quanto a própria história em si.
Folhas de Castanheira é um livro de poucas páginas e muitos tons; de textos curtos, mas de reflexões duradouras. Tratando de assuntos delicados, e até mesmo subjetivos, como a vida, o tempo, a ausência, a saudade e a finitude humana, foi claramente inspirado na canção O Trenzinho do Caipira, de Heitor Villa Lobos.
Um livro que olha para trás, para o passado, recriando o momento que escapou, o riso que não percebemos, e a inocência de uma criança que observa o mundo com os olhos de dentro – ainda sem vícios, sem prejulgamentos e preconceitos.
É possível ouvir o tempo? – pergunta o autor, David Rocha. E eu respondo, após a leitura de sua obra: sim, é possível.
Mas apenas se nos permitirmos retornar para a pureza e para a poesia que somente conhecemos e entendemos quando somos crianças.
Folhas de Castanheira pode ser adquirido na Livraria Logos (www.logoslivraria.com.br) e na Livraria Cordis (www.livrariacordis.com.br), e também através do e-mail david.rdr@bol.com.br, diretamente com o autor, por R$12.
Um livro para os pais e para os filhos, que trata de vida, de beleza, de movimento e do fim.




segunda-feira, 30 de junho de 2014

Programação para quem pretende aprimorar a escrita

Escrevendo Biografias
O que é uma biografia.  Como se estrutura e se realiza uma pesquisa.  A técnica de entrevistas.  A contextualização histórica.  O cruzamento de informações.  Como a pesquisa se transforma em livro.
Paulo Cesar Araújo – Historiador, jornalista e doutorando em Ciência Política. Estudioso da história da música popular brasileira, colabora com os principais veículos de comunicação do país. É autor da biografia Roberto Carlos em Detalhes (Ed. Planeta, 2006), e do livro Eu não sou cachorro, não (Ed. Record, 2002), obra que revelou a censura à música brega durante a ditadura militar. Atualmente é professor da rede Faetec e do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio.
Dia 19/07 (sábado) das 10h às 17h | Carga horária: 6h/aula
R$ 400,00 (à vista) ou 2x R$ 225,00

O Escritor e o Mercado Editorial – Caminhos para a Publicação
Como funciona a indústria do livro e o mercado editorial. Os diferentes papéis (autor/editor/indústria) e suas convergências. O que significa ser autor hoje? Quais os caminhos possíveis de trilhar para ter seu livro publicado e lido? A viagem do livro na contemporaneidade, dos originais à mesa do editor, suas principais etapas. Curso destinado a profissionais da indústria do livro e escritores que desejam ingressar no mercado conhecendo-lhe as regras.
14/07 - Da análise, seleção de originais, escolha e lançamento de livros. Gêneros e mercado: ficções, clássicos e ensaios com Maria Amélia Mello(editora da José Olympio – Grupo Record)
15/07 – O Presente e o Futuro do Livro no Mercado Virtual: o que esperar do autor, o que esperar do editor com Julio Silveira (editor da Ímã Editorial)
18/07 – O Mercado de Livros Infantis e juvenis com Ninfa Parreiras (Autora infantil e juvenil)
Das 19h às 21h | Carga horária: 6h/aula
2x R$ 200,00

Oficina da Crônica
Uma leitura preconceituosa considera a crônica um gênero rápido e fácil – um gênero mundano. Muitos chegam a acreditar que a crônica – porque em geral se edita nos jornais, ou agora nos sites da web – não é, sequer, literatura. A crônica não só é literatura, como é, talvez, o mais radical dos gêneros literários. Um gênero que oscila entre a ficção e a realidade, entre a literatura e o jornalismo, entre a mentira e a verdade. Um gênero de fronteira, que expõe e desafia os limites da própria literatura. E que luta para romper as fronteiras clássicas que separam a literatura da existência.
Em nossa oficina de crônica do ano de 2014, leremos e debateremos o trabalho de grandes escritores que foram, também, ou por isso, grandes cronistas. Crônicas geniais de Rubem Braga, Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Antonio Maria, Lygia Fagundes Telles e Luís Fernando Verissimo, entre tantos outros. Para facilitar, usaremos como livro base As cem melhores crônicas brasileiras, volume organizado pelo jornalista e cronista Joaquim Ferreira dos Santos para a editora Objetiva. Como as leituras serão em voz alta, a compra do livro não é imprescindível, embora seja desejável.
Abriremos espaço diário, também, para ler e debater crônicas escritas pelos alunos. De modo que usaremos os grandes cronistas consagrados como contraponto para refletir sobre a produção contemporânea. Os alunos que desejarem, devem levar para a oficina pelo menos uma crônica de sua própria autoria, que se torne objeto de leitura e de reflexão.
José Castello – Escritor e crítico literário do suplemento “Prosa”, de O Globo. Autor, entre outros, de As melhores crônicas de José Castello, volume organizado e prefaciado para a Global Editora pela crítica literária Leyla Perrone Moisés no ano de 2003. É, ainda, cronista regular do site “Vida Breve” (www.vidabreve.com.br), no qual publica as crônicas das terças-feiras.
Dias 24/07, 25/07 das 18h às 21h e 26/07 das 10h às 13h | Carga horária: 9h/aula
R$ 450,00

Oficina de Clichês: Como Assassinar a Narrativa
"Oficina de clichês: como assassinar a narrativa" é uma jornada pela banalidade dia adentro. Trata-se de reconhecer o funcionamento e uso dos lugares-comuns, recursos dos quais se vale a maioria dos autores iniciantes (e dos nem tanto) e que são capazes de anular quaisquer virtudes que um texto possa vir a ter. Com aula expositiva, onde será debatida a ideia do "kitsch", elemento tão bem investigado por Abraham Moles e tão caro aos estudos da comunicação, a oficina contará também com exercícios de escrita e de reconhecimento das armadilhas de facilitação. Pretende-se que, ao final do curso, o aluno nunca mais volte a usar um clichê na vida.
Cintia Moscovich – Escritora, jornalista, Mestre em Teoria Literária, roteirista de televisão e ministrante de oficinas literárias. É autora, entre outros, deArquitetura do arco-íris (contos), Por que sou gorda, mamãe? (romance) e Essa coisa brilhante que é a chuva (contos) – vencedor do Portugal Telecom 2013. Publicada na Espanha, Portugal, Itália, Argentina e Estados Unidos, a autora integra  a antologia Os melhores contos brasileiros do século organizada por Ítalo Moriconi para a editora Objetiva.
Dia 02/08 (sábado) das 10h às 17h | Carga horária: 6h/aula
R$ 400,00 (à vista) ou 2x R$ 225,00

CARPINTARIA LITERÁRIA
Cada escritor irá – por meio da leitura de um texto próprio – discorrer acerca de suas técnicas personalizadas de trabalho. Como escreve, que elementos se tornam importantes para que o texto tenha eficácia e conquiste seu leitor. Estilo próprio, linguagem, vocabulário, preocupações reais ou imaginárias são assuntos que certamente estarão na pauta dos autores convidados.
Como se escreve um romance – Técnicas personalizadas de trabalho
O romance como gênero literário. Processos e instrumentos essenciais da arte da escrita. Enredos e personagens. Estruturas narrativas.
28/07 – Rubens Figueiredo – Escritor, tradutor e professor. Autor, entre outros, de Passageiro do fim do dia (vencedor do Prêmio Portugal Telecom 2011 e do Prêmio São Paulo.); As palavras secretas e Barco a seco (ambos vencedores do Prêmio Jabuti – 1998 e 2001).
29/07 – Letícia Wierzchowski – Autora de Prata do tempo, A casa das sete mulheres – romance adaptado para a minissérie homônima da Rede Globo, Uma ponte para Terebin, Sal, entre outros. Tem livros publicados no Brasil e no exterior.
30/07 – Ana Paula Maia – Autora, entre outros, de O habitante das falhas subterrâneas; A guerra dos bastardos; De gados e homens e Carvão animal. Participa de diversas antologias de contos no Brasil e exterior. Seu blog: anapaulamaiaescritora.blogspot.com.br
Das 19h às 21h | Carga horária – 6h/aula

2x R$ 200,00

As aulas só começam em julho, mas as inscrições estão abertas pelo www.estacaodasletras.com.br e 21 3237-3947.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Cante um Conto, Conte uma Canção!


O escritor goiano Israel Teles lança e-book Letra & Música, celebrando a relação criativa e bem-sucedida entre música e literatura.

Por Penélope Quadros

Quem tem mais de trinta anos certamente se lembra das populares fitas K7. Elas eram muito mais baratas que o vinil e o CD, e ainda possibilitavam criar uma coletânea só com nossas músicas favoritas, misturando artistas, estilos e gêneros musicais. Algo que outros formatos, na época, não permitiam.

E foi inspirado pelas fitas K7 – não por acaso uma delas figura na capa da obra – que o escritor goiano (e trintão) Israel Teles escreveu a obra Letra & Música, e-book que reúne contos baseados em canções, todas cuidadosamente escolhidas pelo autor.
A ideia surgiu com o objetivo de unir duas paixões de Israel: a música e a literatura:
– A inspiração precisa movimentar-se com liberdade, e é sempre interessante quando uma mídia guia e influencia outra – conta.

Para ele, tanto a literatura quanto a música, apesar de utilizarem forma e conteúdo de maneiras diferentes, partem do mesmo objetivo: contar uma história. No entanto, enquanto a literatura se utiliza de um enredo, de uma estrutura narrativa, e de personagens previamente definidos, a música faz uso da melodia, da composição, e das variações de notas que seguem a letra da canção.

E se partem do mesmo objetivo, literatura e música também alcançam a mesma finalidade. Por esta razão, a música pode ter múltiplos significados, e cada um que a ouvir interpretará determinada canção de uma maneira muito específica e particular – tal e qual acontece com a literatura. A mesma música e o mesmo livro serão compreendidos e decodificados por cada ouvinte e por cada leitor a partir de suas próprias crenças e experiências.

O fato é que não se faz música e literatura sozinho – e Israel Teles sabe disso muito bem. Sem alguém para receber e reinterpretar a visão do artista, a arte encerra-se em si mesma, e não gera resultados e nem reflexões, nascendo e morrendo sem sair do lugar.

Assim, há um espaço cativo para o leitor (e para o ouvinte também) nas páginas virtuais de Letra & Música. É a partir desta identificação entre o produtor e o consumidor de arte que se dá o milagre da multiplicação de significados. Quem lê precisa sentir-se parte da história; precisa ser, de alguma forma, tocado e provocado pelo texto. Da mesma forma, quem ouve determinada música precisa se enxergar nela, seja em sua melodia, em sua letra, em seu ritmo. Sem identificação, não há relação.

Por esta razão, Israel foi bastante eclético no momento de escolher as músicas nas quais seus contos seriam inspirados: encontramos na obra desde sertanejo de raiz, representado por Tião Carreiro e Pardinho; rock pesado, com Faith No More, e o inclassificável e belo Cordel do Fogo Encantado, entre muitos outros.

O autor conta que a inspiração para a produção dos contos não veio apenas das letras das canções, mas de suas harmonias, notas, batidas, e de determinadas palavras perdidas em sua composição. Também, é claro, da bagagem cultural do próprio escritor, e de situações que viveu ou presenciou, e que de alguma forma marcaram sua produção artística e literária, e o tornaram quem é.

O mais bacana é que, ao final de cada conto, há links e informações a respeito da música em questão, permitindo que o leitor conheça mais e melhor os artistas citados na obra.

Porém, engana-se quem pensa que Israel é somente um amante da música; o autor é músico também. A canção que consta no vídeo de divulgação da obra (e que pode ser conferido aqui: www.youtu.be/nrnElc-Q9OU) chama-se Você se Vai, e foi composta pelo autor em parceria com Flor de Araújo. A música está disponível para download gratuito no site www.flordearaujoeisraelteles.com.br.
Lançado em português e inglês, o e-book pode ser adquirido nas lojas da Apple, Amazon, Barnes & Noble, Google, Kobo, Samsung, Livraria Cultura e IBA.
Leitores interessados em adquirir, ou saber mais sobre a obra, podem acessar o site do autor: www.israelteles.com.br.

E é por todas estas razões que o e-book Letra & Música deve ser lido, ouvido e sentido por quem entende desta relação íntima e vitoriosa entre contos e canções, entre letras e melodia, entre literatura e música.

Afinal, a diferença entre contar e cantar é tão pequena, que é praticamente imperceptível.


Penélope Quadros é jornalista e professora de literatura. E-mail para contato: penelopequadros@gmail.com



terça-feira, 17 de junho de 2014

A caça

O dinamarquês A caça (Jagten/2012) é um filme delicado, que incomoda porque, desde o começo, deixa claro como o ser humano pode ser injusto ao cometer o que ele acredita ser justiça. Não houve como não pensar na mulher linchada, recentemente, por ter sido confundida com uma sequestradora de crianças.

Trata-se de um filme delicado, porque há sim uma delicadeza inerente ao personagem central, Lucas (Mads Mikkelsen), uma pessoa querida por todos da pequena cidade onde vive, e que, recentemente separado, tem de lutar para passar mais tempo com o filho. É delicado porque mergulha nessa mania desrespeitosa do ser humano de julgar o outro baseado no seu desejo de estar certo, de se perceber incapaz de errar quando se trata da vida de outra pessoa, e de colocá-la em risco ao criar, ou mesmo...

Leia na íntegra: 
  
Talhe
de tudo um pouco e vários quase

domingo, 15 de junho de 2014

A Mão de Celina: você tem medo da morte?


Por Helena Fazollo.

É natural temer o que desconhecemos. E talvez por isso o medo da morte seja o mais angustiante, dentre todos os nossos temores. Primeiro porque não sabemos o que nos espera do lado de lá – se é que algo nos espera do lado de lá; se é que existe um lado de lá. Segundo porque, nesta vida, só existe uma certeza: cedo ou tarde, a morte irá bater em nossa porta. E não vai adiantar não abrir.
Celina, personagem da obra A Mão de Celina (Ed. Os Dez Melhores, 2014, R$35), conheceu a morte cedo demais. Porém, ao contrário do que costuma acontecer, Celina resolveu ignorar as supostas barreiras que separam a vida da morte, e retornou ao mundo dos vivos. Não somente para se comunicar, como também para participar da vida daqueles que ficaram. Especialmente Edu, seu namorado, que após cinco longos anos de luto finalmente encontrou um novo amor, Jana, e motivos para recomeçar.
A Mão de Celina, segundo livro do escritor gaúcho Jeremias Soares, apesar de tratar sobre a morte – e o que não sabemos sobre ela – é um livro que fala, acima de tudo, sobre a vida: vidas que se cruzam, vidas que recomeçam, vidas que terminam sem, de fato, realmente terminar. E, claro, das coincidências que esta mesma vida costuma reservar aos mais desavisados.
Por meio de um triângulo amoroso no mínimo curioso, uma vez que uma das três partes está morta, o autor passeia com autoridade e destemor por assuntos que geralmente causam um sério desconforto na maioria de nós, meros leitores mortais.
No entanto, com sua narrativa intensa e envolvente, Jeremias consegue o que parece improvável: tratar de temas duros e obscuros com leveza e humor, prendendo nossa atenção já no primeiro parágrafo.
A estrutura do livro também merece destaque. O autor compôs sua obra de tal forma, que o leitor passa a fazer parte da narrativa, conseguindo, sem dificuldade, estar no lugar de cada personagem, sentindo o que sentem, pensando o que pensam, e entendendo por que fazem o que fazem.
Aliás, desde o lançamento de seu primeiro livro, O Sobrado da Rua Velha (Ed. Multifoco, R$45, 2012), Jeremias Soares já comprovou sua habilidade para contar histórias de suspense e terror sem cair em clichês habituais. Não há efeitos literários especiais em sua obra; o autor não inventa armadilhas para o leitor, e tampouco tenta impressioná-lo com sustos desnecessários.
A Mão de Celina é um livro enxuto e completo, que também abre os trabalhos solos da Editora Os Dez Melhores (www.editoraosdezmelhores.com.br) – uma editora que chega ao mercado editorial brasileiro indo na contramão da proposta da maioria das editoras especializadas na publicação do novo autor: lançar somente dez livros por ano. Talvez menos, mas nunca mais.
E é por este – e por muitos outros motivos, que o leitor somente descobrirá quando embarcar na história de Celina, Edu e Jana – que A Mão de Celina é leitura mais do que recomendada para quem gosta de uma boa história.
Mais informações podem ser obtidas no blog da Editora Os Dez Melhores (www.editoraosdezmelhores.blogspot.com.br) ou pelos e-mails contato@editoraosdezmelhores.com.br.  jeremias.soares83@gmail.com

domingo, 8 de junho de 2014

Patrimônio Imaterial Brasileiro



Lugares, formas de expressão, saberes e ofícios transmitidos e renovados de geração em geração pelo povo brasileiro são a matéria-prima da exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro – A celebração viva da cultura dos povos, que a CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta de 23 de maio a 20 de julho de 2014.

A mostra traz os 30 bens imaterias registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entre eles a Cajuína, que entrou para o Livro dos Saberes do instituto no dia 15 de maio de 2014. O Ofício das Paneleiras de Goiabeiras no Espírito Santo, o Toque dos Sinos em Minas Gerais e a Cachoeira de Iauaretê – lugar sagrado dos povos indígenas no Amazonas – são outros exemplos que, na exposição, são materializados pela escrita, fotos, vídeos, músicas, sons e objetos.

Bens imateriais registrados no Brasil

ÂMBITO NACIONAL
- Ofício dos Mestres de Capoeira (Nacional)
- Roda de Capoeira (Nacional)

AMAPÁ
 - Arte Kusiwa - pintura corporal e arte gráfica Wajãpi (AP)

AMAZONAS
- Cachoeira de Iauaretê – lugar sagrado dos povos indígenas dos rios Uaupés e Papuri (AM)
- Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (AM)

BAHIA
- Ofício das Baianas de Acarajé (BA)
- Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA)
- Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim (BA)

ESPIRITO SANTO
- Ofício das Paneleiras de Goiabeiras (ES)
  
GOIÁS
- Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis (GO)
- Rtixòkò: expressão artística e cosmológica do Povo Karajá (GO/TO)
- Saberes e práticas associados aos Modos de Fazer Bonecas Karajá (GO/TO)

 MARANHÃO
- Complexo Cultural do Bumba-meu-Boi do Maranhão
- Tambor de Crioula do Maranhão

MINAS GERAIS
- Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro e das serras da Canastra e do Salitre
- Toque dos Sinos em Minas Gerais
- Jongo no Sudeste (RJ/SP/MG/ES)
- Ofício de Sineiro (MG)

MATO GROSSO/ MATO GROSSO DO SUL
- Modo de Fazer Viola-de-Cocho (MT/MS)
- Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe (MT)

PARÁ
- Círio de Nossa Senhora de Nazaré (PA)
- Festividades de São Sebastião na Região do Marajó (PA)

PARANÁ
- Fandango Caiçara (SP/PR)

PERNAMBUCO
- Feira de Caruaru (PE)
- Frevo (PE)

PIAUÍ
- Cajuína (PI)

RIO GRANDE DO NORTE
- Festa de Sant'Ana de Caicó (RN)

RIO DE JANEIRO
- Festa do Divino Espírito Santo de Paraty (RJ)
- Jongo no Sudeste (RJ/SP/MG/ES)
- Matrizes do Samba no Rio de Janeiro: partido alto, samba de terreiro e samba-enredo

SÃO PAULO
- Fandango Caiçara (SP/PR)

SERGIPE
- Modo de Fazer Renda Irlandesa (referência: SE)

TOCANTINS
- Rtixòkò: expressão artística e cosmológica do Povo Karajá (GO/TO)
- Saberes e Práticas Associados aos Modos de Fazer Bonecas Karajá (GO/TO)

SERVIÇO
Exposição Patrimônio Imaterial Brasileiro - A celebração viva da cultura dos povos
Visitação: 23 de maio a 20 de julho de 2014
Horário: terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Galerias 2 e 3
Endereço: Av. Almirante Barros 25, Centro (Metrô: Estação Carioca)
Telefone: (21) 3980-3815
Entrada franca
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Acesso para pessoas com deficiência
https://www.facebook.com/CaixaCulturalRioDeJaneiro
Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Rio de Janeiro (RJ)
(21) 3980-3096 / 4097


quarta-feira, 4 de junho de 2014

O velho relógio de corda

Por Humberto Pinho da Silva

São quatro horas de tarde escaldante. O velho relógio de parede acaba de dar quatro sonoras badaladas, que ecoaram pela casa deserta e silenciosa.
O centenário relógio de pêndulo, movido a corda, foi de minha bisavó Júlia. Sempre o conheci suspenso na parede, forrada a papel encarnado, da pequena salinha de jantar, onde tomávamos as refeições diárias.
Está protegido por sólida caixa de madeira, esbotenada e lurada de caruncho, de cor castanha, onde dois grandes ponteiros negros, marcam e contam o tempo.
Insensível, cumpridor fiel das suas funções, assistiu, altivo e sisudo, às alegrias e angústias da família.
Passivamente, viu, do alto da sua parede a morte de minha avó, na flor da idade e à criação de meu pai.
Assistiu, igualmente, aos derradeiros momentos de minha mãe, vítima de doença que não perdoa, apesar do progresso da medicina.
Impávido e sereno, sempre indiferente, sempre na monotonia do tic- tac, o pêndulo de metal amarelo, marca ritmicamente, minutos e horas. Horas que passam, que foram, mas já não são.
Minha juventude foi cronometrada por esse velho relógio de corda.
As sonoras badaladas percorriam a antiquíssima casa, avisando a hora do almoço, e indicando o termo das divertidas brincadeiras – as construções de madeira, o mecânico, os soldadinhos de folheta policromados, os bonecos de trapos, que a madrinha Baptista, com habilidade, paciência e muito gosto, confeccionava, imitando trajos usados na sua longínqua adolescência.
E sempre ele, o velho relógio de pêndulo, dia e noite, sem parar, sem descansar, avisava que o tempo passava.
Um dia fui chamado a cumprir os deveres para com a pátria.
Levei saudades da casa, onde nasci; dos carinhos maternos; do sofá, onde, em tardes sombrias, lia e relia livros que retirava da vasta biblioteca paterna; e do velho e amigo relógio.
Após a morte de meu pai, feito partilhas, trouxe-o para minha casa.
Solenemente coloquei-o na sala de jantar.
Reparei, então, que a velhice, começara a corromper a complicada engrenagem, que mostrava sinais de desgaste.
Levei-o ao relojoeiro. Mirou-o, remirou-o e por fim disse: - “É muito antigo…Os concertos são difíceis e caros…”
Pendurei-o em local de destaque, mas não lhe dei corda, para não gastar as peças.
Mas sempre que chega o Natal, acerto-o. Dou-lhe corda. Começa, então, no seu tic-tac, surdo, o mesmo tic-tac que ouvia na infância.
O velho relógio de parede traz consigo o passado: cenas, alegrias, tristezas, que sempre partilhou, impassível, mas atento, do alto da sua parede.

Os objectos antigos, que passam de geração a geração, na mesma família, possuem encanto especial e a magia de unir a família…principalmente os que já faleceram.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

KPAC

Gênero: Realismo Fantástico / Ficção Científica

Uma obra literária que você nunca viu. Capítulos são produzidos semanalmente, contando a história de uma forma que jamais foi contada por outra pessoa. Literatura fantástica do terceiro milênio. Nesta jornada você assimilará conceitos das áreas de: neurociências, ufologia, ciência política, biológicas, físicas, universo quântico, química, fantasia, psicologia, psicopedagogia, engenharias, e outras,... O objetivo é ativar conhecimento acadêmico através de fixação onírica. Até o presente instante a ordem correta dos capítulos é:

238 - Kpac: Paraíso
239 - Kpac: O aparelho de Uhr
241 - Kpac: Ninti a geneticista
247 - Kpac: Ninti cria o Neurônio
251 - Kpac: O templo de Osiris
254 - Kpac: O Jogo da Vida
256 - Kpac: A Sociologia das Nações
257 - Kpac: Mentes Brilhantes
258 - Kpac: Criando Reis
259 - Kpac: O Paradoxo do Governante
260 - Kpac: Fabricando Toys
268 - Kpac: O Colapso de Lucy
269 - Kpac: A Justiça e a Lei
270 - Kpac: O Sexo dos Deuses
271 - Kpac: A Ideologia do Espelho
272 - Kpac: Migrando Tecnologias
273 - Kpac: O Dinamizador de Fluxo
274 - Kpac: Kameney de Adamo
275 - Kpac: Marketing de Resultados
276 - Kpac: Planejando Metas
277 - Kpac: A Interação de Grupos
278 - Kpac: Seres de Luz
281 - Kpac: A Física do Deslocamento
282 - Kpac: Produzindo Multiversos
283 - Celeste: Kalix
284 - Celeste: Titânia
285 - Celeste: Urânia
286 - Celeste: Ceres

Dica: no menu ( campo PESQUISAR) do site LenderBook que está no topo da página digite KPAC .
Forma de pagamento: Pague uma pessoa para fazer um trabalho de sua necessidade. Exemplo: faxina, lavar um carro, engraxar um sapato, ... algo que para você não havia previsão e que você coloque em mente a necessidade de ajudar o próximo. Ou seja, pessoas que querem se levantar pela conquista do trabalho.
 Entre em LenderBook e comece a acessar a obra online.

Max Diniz Cruzeiro

LenderBook Company