sexta-feira, 8 de julho de 2011

Divagando: ficção x realidade

Um amigo meu me disse que não consegue ler ficção. Nas vezes em que tenta é invadido por uma sensação de perda de tempo, pois, nesses momentos, poderia estar imerso na leitura sobre temas da realidade cotidiana, algo que o ajudasse a se posicionar no mundo “real”. Minha defesa em prol da ficção sempre foi no sentido de que a sua utilidade está no conteúdo artístico que nos é proporcionado, e também no fato de que aprimoramos nossa sensibilidade em relação aos textos que narram histórias cheias de cores e sons, a ponto de captarmos e capturarmos a expressão talentosa de grandes escritores. Nesse aspecto não há utilidade maior que a familiaridade com a escrita oferecida pela leitura de boas ficções. Todavia, com o tempo abandonei essa concepção de ajustar ficção e realidade em lados opostos. Na verdade são leituras que se completam. Basta pensar que mestres do ficcionismo, como Vargas Llosa, Saramago e o próprio Tolstói, posicionam-se com segurança a respeito de temas do mundo real, e isso não aconteceria caso não se debruçassem sobre obras que se dedicam à análise da realidade que nos cerca, fora o fato de também olharmos pelo ângulo de que suas ficções receberam significativa carga de influência das características sociais e políticas do período em que foram escritas. É assim que agora adoto o costume de variar ficção e realidade, quase sempre uma depois da outra. Atualmente é a vez da realidade com o livro “Primeiro como tragédia, depois como farsa”, de Slavoj Zizek, que analisa alguns aspectos da política contemporânea e a influência exercida por fatos históricos como o 11 de setembro e a crise econômica de 2008. Mas isso é tema para outra postagem. E você? Tem lido mais livros sobre ficção ou sobre temas reais?

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