sábado, 6 de agosto de 2011

Colaboração

Nó do passado
- Rosane Villela -

“Um dos maravilhosos privilégios da arte é que a expressão de horror e dor pelo artista, se rítmica e cadenciada, enche de calmo júbilo o espírito.” Charles Baudelaire

"Numa ponta do passado, num portão que ela achava perdido, havia um nó. Apertado. Adestrado. Um nó pastor-alemão. Bem feito, de corpo negro e claro.
Um nó de pedigree. Que arquivava antecedentes.
Quando permissivamente inquieto, era capaz de trocar olhares em segundos de orelhas e, inesperadamente, desatar sua linhagem e atacar.
Mas, até então, havia sido um nó treinado. Não incomodava. Ficava numa ponta nublada. E atrás de um portão. Um portão que ela achava perdido.
Por que o sonoro latido se nunca ecoara?
Indagativas, suas mãos acercavam-se, mas o odor bole-não-bole-vem-comigo exalava. Pedra. Sempre a mesma no seu caminho.
 Escultura de flor e horror."

Rosane Vilella é autora do blog Mergulho Literário: http://rosanevillela.blog.uol.com.br/


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