quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Teatro Vila Velha apresenta "A cena tá preta"

Em novembro, o Vila propõe uma programação voltada para o Teatro Negro


Amêsa

No mês da Consciência Negra o Teatro Vila Velha abre seus espaços para darvisibilidade às artes cênicas de matriz afrodescendente. Com uma programação dedicada ao debate sobre o Teatro Negro no Brasil, o Vila, O Bando de Teatro Olodum, A Outra Cia de Teatro, a Cia. Nata de Teatro e o Vila da Música organizaram uma programação com entrevistas, espetáculos e música nos espaçosda casa.

Para Chica Carelli, diretora do Bando de Teatro Olodum, A Cena Tá Preta surge como um espaço para discussão e difusão do teatro negro no Brasil. “Nós dispomos de um teatro que tem um projeto de vida baseado na formação e acessibilidade, e abriga um dos mais importantes grupos de teatro negro que é o Bando. Sabemos das dificuldades que se apresentam aos artistas que têm grupos de Teatro Negro e resolvemos montar uma programação que desse visibilidade e que discutisse essas questões”, afirma.

O Bando de Teatro Olodum organizou duas mesas redondas que prometem render boas discussões. No dia 16/11 (quarta), Fábio Santana, ator do Bando, será o mediador da mesa redonda "O Teatro de grupos Negros e sua produção" que vai contar coma participação de Fernanda Júlia, diretora do Grupo de Teatro Nata e Ângelo Flávio, ator, dramaturgo e diretor do grupo CAN (Coletivo Abdias Nascimento), além de um representante do Coletivo de Produtores do Subúrbio. Já na quarta seguinte, dia 23/11, a mesa "Políticas Públicas para o Teatro Negro" será mediada pela socióloga e ativista do Movimento de Mulheres Negras Vilma Reis.

Dando continuidade ao seu projeto de memória e registro, A Outra Cia de Teatro apresenta o “Memorial Brasil de Artes Cênicas - Circuito de Entrevistas”, onde personalidades baianas que desenvolvem trabalhos cênicos com foco no negro e nas referências de matriz africana serão entrevistadas no palco do Cabaré dos Novos. O evento contará com transmissão ao vivo através da TV Vila e do site do projeto.

O Vila da Música também embarca na programação e traz o cantor, compositor e berimbalista Mestre Lourimbau. Na ocasião, o artista vai mostrar as principais músicas do seu CD “A Arte de Mestre Lourimbau”, onde comenta aspectos da sua carreira e destila uma fusão única de capoeira, MPB e jazz acompanhado por Ivan Bastos (baixo), Paulo Mucci (guitarra) e Giba Conceição (percussão).

Para compor a programação, o Teatro Vila Velha contou coma participação dos artistas. “Esse ano não conseguimos patrocínio, mas mesmo assim o teatro decidiu realizar a mostra por entender a importância de colocarno calendário baiano um evento como este”, diz Carelli. Os espetáculos que serão apresentados são “As feministas de Muzenza – uma comédia afro-baiana” que tem texto de Cleise Mendes e HaydilLinhares; “Iauretê”, do Grupo de Teatro Palmares Iñaron; “Amêsa”, um monólogo com narrativa simbólica que reflete a conjunção da recente guerra civil angolana; Siré Obá - A festa do rei, que celebra as divindades africanas e “Cabaré da Rrrrraça”, que segue em temporada contínua sempre às terças. “Temos grupos com características bem diferentes, o que torna ainda mais interessante A Cena Tá Preta”, conclui.


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As Feministas de Muzenza – Uma comédia afro-baiana
Direção: Luís Bandeira

O espetáculo é uma comédia política, hilariante e inteligente, escrito por Cleise Mendes e Haydil Linhares e dirigido por Luis Bandeira.

A história se passa na cidade de Muzenza, onde um grupo de mulheres se unem para fazer um movimento feminista e avaliam o comportamento machista no crescimentoturístico da cidade, porém encontram resistência de outras mulheres da própria comunidade que defendem os homens para desespero do Padre Alípio e do seusacristão Francelino.

5 e 6/11 | sáb e dom | 18h
R$ 20 e 10
Cabaré dos Novos
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Cabaré da Rrrrraça
Bando de Teatro Olodum | Direção: Marcio Meirelles

Um dos realizadores d´A Cena Tá Preta, o Bando de Teatro Olodum apresenta o espetáculo “Cabaré da Rrrrraça”, sempre às terças, na Sala Principal do Teatro Vila Velha. Criado em 97, o espetáculo é um dos maiores sucessos do grupo e discute a questão racial com inteligência, humor, música e dança.

Dirigida por Marcio Meirelles, a peça levanta discussões bem humoradas sobre negritude, racismo e a participação do negro no mercado de consumo, por meio depersonagens que já caíram no gosto popular, como o “Patrocinado”, a cantora“Flávia Karine” e o “Super Negão”.

Interprete da personagem “Flávia Karine” desde a criação de Cabaré, Auristela Sá entende que, apesar da pouca e sutil mudança no espetáculo, ele ainda se faz necessário. “É uma pena que a gente ainda sinta a necessidade e importância de apresentá-lo, que a gente ainda escute os depoimentos com exemplos de racismo. Seria melhor que ele fosse só artístico e não tão pessoal”, diz.

De acordo com Chica Carelli, Cabaré surgiu em um momento de crise. “O elenco estava cansado de ser mal interpretado, de ouvir coisas negativas e, principalmente, com a falta de dinheiro e de apoio.Conversamos muito e então surgiu a vontade de fazer algo diferente do quevínhamos fazendo”, conta a co-diretora do espetáculo.

A mudança se fez necessária e de certa forma radical. Ao invés de colocar no palco o povo pobre e sofrido do Pelourinho ou de outra periferia da cidade, o Bando queria continuar debatendo o racismo, mas por outro viés. “Marcio Meirelles queria falar do negro como consumidor e objeto de consumo através de personagens que mostram o negro que anda arrumado, sai nas capas das revistas, o negro fashion”, explica Chica.

Cabaré da Rrrrraça mudou a estética dos espetáculosdo Bando e também mudou a postura dos atores perante a sociedade. “Hoje eu sinto uma mudança muito forte nos atores. A gente sempre saía depois das apresentações e continuava discutindo o assunto. Acho que essa mudança também é vista no público que assiste ao espetáculo”, afirma Auristela.

Parte importante do espetáculo, os depoimentosdados pelo público ao longo da apresentação, trazem o que é dito pelos atores auma esfera pessoal e próxima de cada um. “Cabaré já foi apresentado em diversas cidades do Brasil e também em Portugal e Angola e os depoimentos são “iguais”, o que acontece aqui, acontece lá também. Lembro de um depoimento de uma moça no Rio de Janeiro que contou que uma professora da PUC entrou na sala, olhou pra ela e disse: ‘Nossa, como a PUC baixou o nível”, relata.

Outro destaque do espetáculo são os figurinos especiais usados pelos personagens e músicos em cena. Eles são assinados por um grande time de estilistas baianos. Para essa temporada o Bando vai se apresentar com o figurino preto.

Contatos:
Auristela Sá – (71) 3083-4620

08 a 29/11| ter | 20h
R$ 30 e 15
Sala Principal
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Iauretê
Teatro | Grupo de Teatro Palmares Iñaron

A peça aborda as questões ancestrais e atuais dos povos indígenas do Brasil e aponta uma possibilidade determinante de se refletir sobre estas questões no âmbito da educação e da produção do conhecimento nos níveis fundamental e médio do sistema de ensino.

O espetáculo IAURETÊ marca os 33 anos do Grupo de Teatro Palmares Iñaron. A peça é uma livre adaptação do conto Meu Tio O Iauaretê de Guimarães Rosa e da obra literária Maíra de Darcy Ribeiro e cruza as histórias de dois personagens: Oxim um místico caboclo onceiro, interpretado por Victor Kizza (Barrela, Uma Mulher Vestida de Sol) e Mehín Índio que ganha vida com a interpretação de Maria Janaína (Água que Lava Alma) e revela a ancestralidade e os impactos da colonização capitalista nos povos indígenas brasileiros. IAURETÊ é adaptado e dirigido por Lia Spósito (Macunaíma, Cangaço, O Trem Baiano) e ainda conta com a direção musical de Bira Reis e a orientação artística de Antônio Godi.

O espetáculo foi premiado no FIT – Festival Nacional Ipitanga de Teatro na edição 2010 com o Troféu de Melhor Ator para Victor Kizza. Este festival de caráter nacional é realizado no município de Lauro de Freitas/BA ao longo de 05 (cinco) edições e vem ganhando expressividade, representando o movimento cultural de Lauro de Freitas por todo o Brasil. Ainda, o espetáculo IAURETÊ foi um dos grandes representantes da Bahia e do nordeste no Festival de Curitiba 2011.

IAURETÊ estreou em outubro de 2010 e desde então vem realizando temporadas de apresentações e participando de festivais artístico-culturais na Bahia e no Brasil.

Contatos
Victor Kizza – (71) 9188-3292 / victorkizza@gmail.com




Jorge – (71) 8758-0422 / heloisa_angolana@hotmail.com

09/11| qua | 20h
R$20 e 10
Cabaré dos Novos

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Memorial Brasil de Artes Cênicas – Circuito de Entrevistas

Nos dias 07 e 21 de novembro, A Outra Companhia de Teatro promove o Circuito de Entrevistas com artistas e grupos negros da Bahia, dando continuidade a seu projeto de memória e registro: Memorial Brasil de Artes Cênicas – Cena Nordestina.

Após entrevistar artistas e coletivos como Chica Carelli (BA), João Lima (BA), Fernando Yamamoto (RN), Raimundo Matos Leão (BA), GrupoBagaceira de Teatro (CE), Cia Nata de Teatro (BA) e a Cia Teatro da Queda (BA), o grupo propõe entrevistar personalidades baianas que desenvolvem trabalhos cênicos com foco no negro e nas referências de matriz africana, em virtude da celebração do mês da consciência negra.

As entrevistas acontecerão no Cabaré dos Novos do Teatro Vila Velha, às 19h, sendo transmitidas ao vivo através da TV Vila e do site do projeto: www.memorialbrasildeartescenicas.com.br, ampliando o alcance dopúblico que poderá participar presencialmente ou enviando perguntas online. A entrada será gratuita.

Contemplado com o Prêmio BNB de Cultura 2011, do Banco do Nordeste em parceria com o BNDES, o Memorial Brasil de Artes Cênicas propõe acriação de uma página virtual para a difusão da trajetória de profissionais das artes cênicas da região Nordeste, disponibilizada através de um perfil com fotografias, vídeos, textos e imagens dos mesmos.

Contatos:
Luiz Antônio Jr. – (71) 8849- 9308
Roquildes Junior – (71) 8811-4081
A Outra: aoutra@gmail.com| (71) 3083-4600

07 e21/11 | seg | 19h
Gratuito
Cabarédos Novos
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O Teatro de Grupos Negros e sua Produção
Mesa redonda – Bando de Teatro Olodum

Mediador: FábioSantana – ator do Bando de Teatro Olodum
A mesa será composta por: Fernanda Júlia, diretora do Grupo de Teatro Nata; Ângelo Flávio, ator, dramaturgo e diretor do grupo CAN (Coletivo Abdias Nascimento); Um representante do Coletivo de Produtores do Subúrbio.

16/11 |qua | 19h
Gratuito
Cabarédos Novos
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Mestre Lourimbau
Vila daMúsica

No próximo dia 17 de novembro, no Teatro Vila Velha, Mestre Lourimbau mostra as principais músicas do seu CD “A Arte de Mestre Lourimbau”. Na ocasião, Mestre Lourimbau, que é, além de cantor, compositor eberimbalista, comenta aspectos da sua carreira e destila uma fusão única de capoeira, MPB e jazz acompanhado por Ivan Bastos (baixo), Paulo Mucci (guitarra)e Giba Conceição (percussão).

Gravado ao vivo no Teatro Vila Velha, o CD tem onze faixas, sendo que dez delas são de sua autoria ou parcerias com Djalma Araújo, Antonio Carlos e Ivan Bastos. Gravado em abril de 97, o show contou com o acompanhamento de Bau Carvalho (guitarra), Ivan Bastos (baixo) e Gilmar Gomes(percussão), sempre procurando rearmonizar os trabalhos em cima da base do berimbau.

Lista Amiga: basta enviar um e-mail paraviladamusica@teatrovilavelha.com.br, colocando no assunto “Vila da Música”, como nome completo, e assim, poderá pagar meia-entrada em todos os shows do mês! Só precisa mandar o nome uma vez, pois faremos uma única lista e o nome estará disponível em qualquer um dos shows. Os nomes serão aceitos até as 17h do dia de cada show.

Contato:
AntonioNykiel – (71) 9987 4375

17/11 |qui | 20h
R$ 20 e10
Cabarédos Novos
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Políticas Públicaspara o Teatro Negro
Mesa redonda – Bando de Teatro Olodum

Mediadora: Vilma Reis - socióloga e ativista do Movimento de Mulheres Negras

23/11 |qua | 19h
Gratuito
Cabaré dos Novos
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Amêsa
Teatro | Direção:Suelma Costa

O espetáculo Amêsa é baseado no texto “Amêsa ou a Canção do Desespero” do dramaturgo angolano José Mena Abrantes, com direção artísticade Suelma Costa e interpretação de Heloisa Jorge – atriz angolana radicada noBrasil. A peça está de volta a Salvador/BA depois de circular por alguns estados brasileiros e de uma temporada de apresentações em Luanda, capital de Angola - África.

O texto que inspira o espetáculo parte de uma narrativa simbólica que reflete a conjunção da recente guerra civil angolana (1975-2002) através das memórias da personagem Amêsa - esta que apresenta sua própria história embarcando em um rio de lembranças por uma intensa busca pela sua identidade.

 A peça representoua Bahia no Festival de Teatro de Curitiba 2009, no qual colheu retornos positivos de público e crítica. No mesmo ano, a convite do autor do texto, o dramaturgo angolano José Mena Abrantes, o espetáculo foi para Angola e realizou um total de 09 apresentações na capital de Angola, Luanda.

A peça participou, ainda, do Festival do Teatro Brasileiro- Cena Baiana no Ceará, no qual percebeu uma receptividade significativa, observada durante as rodas de bate-papo com estudantes e professores das escolas públicas de Fortaleza, promovidos pela produção do festival. Já naBahia, a peça foi premiada no FIT-Festival Nacional de Teatro de Ipitanga, nas categorias de melhor atriz (Heloisa Jorge), melhor texto (José Mena Abrantes) emelhor iluminação (Everton Machado) em 2009.

Contato:
Heloisa Jorge – (71) 8758-0422 / 9266-8644





30/11 |qua | 20h
R$ 20 e10
Cabaré dos Novos
  

Serviços
Bilheteria: Segunda a sexta das 14 às18h quando tem espetáculo. Nos finais de semana 2h antes do espetáculo. A carteira de estudante deve ser apresentada no ato da compra.
Reserva de ingresso: 71 3083-4600
Acessibilidade: O Teatro Vila Velha conta com rampa de acesso e espaços reservados para pessoas com dificuldade delocomoção.
Estacionamento: O Passeio Público conta com um amplo espaço para estacionamento. Acesso pelo Largo dos Aflitos ou, em dias de espetáculo, pela Avenida Sete de Setembro. 
Solicitação de pauta: pauta@teatrovilavelha.com.br

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