terça-feira, 26 de julho de 2011

Primeiro como tragédia, depois como farsa

Para quem gosta de ler livros há sempre uma pressão interna que exige a substituição de uma leitura tão logo finalizada. Mas em alguns momentos é como se desse um branco. Qual livro ler agora? Nessas horas costumo obedecer ao critério dos "3 avisos". Folheando um jornal me deparo com a notícia de que Slavoj Zizek estava no Brasil, e uma de suas palestras no Rio lotou. Visitando uma banca de revistas acabo surpreendido por um olhar: um rosto redondo e barbudo me observa direto da capa da revista Cult. Era ele de novo. Na livraria minha intenção era comprar "Outras Cores" do Orhan Pamuk. Estava esgotado. Foi quando olhando despretensiosamente algumas pilhas de livros, um deles desliza suavemente até minhas mãos: "primeiro como tragédia, depois como farsa" cujo autor é ... Slavoj Zizek. Como dito, não ignoro um terceiro aviso e então comprei o livro. Apesar de ser fino (tem 130 páginas), não se trata de uma leitura fácil. Mas também não se pode dizer que é inacessível. Muitas partes são até didádicas. Zizek trata de questões atuais, como o 11 de setembro e a crise econômica de 2008, com o olhar de quem é de esquerda, e aí é que está o ponto positivo de seu discurso. Termos como "esquerda" e "marxismo" costumam gerar acalorados debates ideológicos, daqueles comparáveis a discussões futebolísticas e religiosas. Mas Zizek admite as falhas do que defende e isso confere credibilidade ao seu pensamento. Caetano Veloso andou lendo Zizek e, embora discordasse com alguma coisa, rendeu homenagens à inteligência do autor. De fato, Zizek é um pensador que domina as ideias que pretende compartilhar com os leitores, valendo a pena ouvir o que ele tem a dizer.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Legião, almas para todo gosto"


João Werner, artista catalogado pela Enciclopédia de Artes Visuais do Instituto Itaú Cultural, está lançando a exposição "Legião, almas para todo gosto". A entrada é gratuita, embora sejam aceitas doações. Confira os detalhes:
Local: Galeria João Werner, Rua Piauí, nº 191, sala 71, 86010-420, Londrina, PR; 
Período: 18 de julho a 14 de outubro de 2011;
Resumo: "A guerra iconoclasta do século VIII tornou explícita a virulência contida na figuração: causava polêmica, à época, a possibilidade de uma imagem ser idolatrada como se fora, ela própria, um ser e, mais além, (e, pior ainda sob a ótica religiosa) um ser 'divino'. Mas é exatamente isto que vejo em alguns de meus retratos fictícios: traços humanos. Não traços meus, autobiográficos, mas traços que, às vezes, eu me estranho ao percebê-los. Vejo, em alguns deles, um olhar que denuncia uma intenção. Sinto que há uma 'alma' para além das pinceladas grosseiras do meu Flash. Há alguém lá, olhando de volta. Doces ou irônicas, amargas ou azedas, mansas ou raivosas, há pessoas embutidas em algumas daquelas imagens".

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Canto de contos curtos: almencardida

Olhou fixamente para o espelho que refletia um rosto perfeitamente barbeado. Era dia de mais uma reunião daquelas em que são fechados grandes negócios. O esquema era de tal maneira sofisticado e complexo que poderia ser considerado um acinte alguém alegar que aquilo era corrupção. Não era dado a questionar seus atos, mas naquele dia estava um pouco mais pensativo: “o que faço não é corrupção, muito menos crime. É preciso talento, inteligência e articulação para ganhar dinheiro do jeito que ganho. Meu pai e meu avô já faziam assim. Aprendi com eles. Os que me cercam também agem assim. O que chamam de corrupção é o dinheiro que se paga para não ser prejudicado, é ganhar vantagem sem trabalhar, e eu trabalho, trabalho muito, faço as coisas acontecerem.” Ao término da reunião, a sensação de sucesso. Durante a noite mais uma vez foi assaltado por reflexões estranhas. Por alguns segundos sentiu um grande vazio e uma forte necessidade de questionar o sentido de tudo aquilo. Logo em seguida começou a se ocupar com os pensamentos que faziam menção à viagem de férias que faria com a mulher e os filhos. Deitou a cabeça no travesseiro e dormiu suavemente.

sábado, 16 de julho de 2011

Película: "Meia-noite em Paris"

Não tenho a pretensão de analisar tecnicamente o badaladíssimo filme de Woody Allen. Aliás isso já foi feito exaustivamente pelos colunistas mais abalizados para falar sobre o assunto. O interessante foi ter me levado pela essência da trama. De repente me transportei para o cenário em que eu podia observar, mesmo de longe, alguém sentado em um banco de praça. Ao me aproximar reconhecia quem era. Machado de Assis observava o largo que hoje leva seu nome. Poderia até pedir licença, sentar ao seu lado e puxar uma conversa despretensiosa. Em outro momento estou caminhando pela orla de Salvador. Ao longe se aproxima a figura de um jovem alto que parece hipnotizado pelo mar, pelas espumas e pelos navios. O rapaz passa por mim, levanta rapidamente o chapéu como gesto de cumprimento, continua caminhando. É Castro Alves, o poeta da liberdade. Poderia até lhe pedir um autógrafo. Não, melhor não. Nada de autógrafos. A sensação que ficou foi a de que, de fato, aproveitei o filme da melhor maneira possível.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mural: Flip 2011

 









o grande nome da feira literária internacional de paraty foi valter hugo mãe. nada de surpreendente para quem já o conhecia. duas dicas para quem não ainda o conhece : a máquina de fazer espanhóis e o remorso de baltazar serapião.

confira:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/VALTER+HUGO+MAE+ARREBATA+PLATEIA+DA+FLIP+E+REVELA+QUE+AMIGOS+BRASILEIROS+O+FIZERAM+UMA+PESSOA+MELHOR_13380.shtml

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Divagando: ficção x realidade

Um amigo meu me disse que não consegue ler ficção. Nas vezes em que tenta é invadido por uma sensação de perda de tempo, pois, nesses momentos, poderia estar imerso na leitura sobre temas da realidade cotidiana, algo que o ajudasse a se posicionar no mundo “real”. Minha defesa em prol da ficção sempre foi no sentido de que a sua utilidade está no conteúdo artístico que nos é proporcionado, e também no fato de que aprimoramos nossa sensibilidade em relação aos textos que narram histórias cheias de cores e sons, a ponto de captarmos e capturarmos a expressão talentosa de grandes escritores. Nesse aspecto não há utilidade maior que a familiaridade com a escrita oferecida pela leitura de boas ficções. Todavia, com o tempo abandonei essa concepção de ajustar ficção e realidade em lados opostos. Na verdade são leituras que se completam. Basta pensar que mestres do ficcionismo, como Vargas Llosa, Saramago e o próprio Tolstói, posicionam-se com segurança a respeito de temas do mundo real, e isso não aconteceria caso não se debruçassem sobre obras que se dedicam à análise da realidade que nos cerca, fora o fato de também olharmos pelo ângulo de que suas ficções receberam significativa carga de influência das características sociais e políticas do período em que foram escritas. É assim que agora adoto o costume de variar ficção e realidade, quase sempre uma depois da outra. Atualmente é a vez da realidade com o livro “Primeiro como tragédia, depois como farsa”, de Slavoj Zizek, que analisa alguns aspectos da política contemporânea e a influência exercida por fatos históricos como o 11 de setembro e a crise econômica de 2008. Mas isso é tema para outra postagem. E você? Tem lido mais livros sobre ficção ou sobre temas reais?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Versos Soltos: Parte do que sou

Flávio Sanso
www.reticencia.com
@flavio_sanso


Parte do que sou
e vai até o que não sei
passa pelo que fui
transborda no que me tornei
parte do que sou
é o que não quero mais ser
e pra dizer que mudou
só mesmo mudando pra ver
parte do que sou
é tudo ou nada ao mesmo tempo
desviar do que desmoronou
é o que se torna meu alento


   
La Musique - Matisse                                                                                            

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Divulgação

Esta seção tem por objetivo divulgar os trabalhos de escritores empenhados na missão de semear sua expressão artística.

O escritor Wilson Gorj produziu o miniconto "Amora Negra" que foi escolhido para publicação no site Contemporary Brazilian Short Stories (CBSS), um espaço dedicado a promover internacionalmente a literatura brasileira contemporânea, selecionando, traduzindo e publicando contos escritos por brasileiros.