sábado, 31 de dezembro de 2011

Obrigado e desculpe-me

Por Vicentônio Silva
www.vicentonio.blogspot.com

Obrigado e desculpe-me! Já ouviu ou falou essas frases hoje? Ontem? Antes de ontem? Mês passado? Antes, durante e depois do almoço, do jantar ou do café da tarde? Entrando no banco, saindo da padaria, esbarrando numa mulher na loja ou num homem no caixa do posto de gasolina?
Agradecer e desculpar-se aparenta comportamento subserviente, submisso ou serviçal, mas na prática consiste em palavras tão mágicas quanto as dos maiores magos para enfeitiçar platéias com seus truques. Alguns homens pensam que perderão a masculinidade ou a virilidade se agradecerem uma barra de chocolate, a lembrança simplória de viagem ou as cartas da caixinha presa à grade do jardim. Alguns julgam normal a ausência de desculpas quando se avança o sinal vermelho ou se estaciona temporariamente em cima da faixa de pedestres. Outros não julgam inconveniente o discurso à flor da pele, soltando cobras e lagartos pelos lábios de onde deveriam sair rosas, jasmins, eflúvios e melodias. Pedir desculpas?
Os homens não são os únicos na lista dos que se esquecem de dizer obrigado e desculpe-me! As mulheres desfrutam da estupidez, do descaso e da deselegância masculinas. Uma delas entrou no salão de beleza gritando com a cabeleireira que, ao telefone, informara que não encontrava nem seu horário muito menos seu nome. Se essa mulher tivesse um pingo de discernimento descobriria que a beleza feminina mais intensa não repousa nos cabelos e nas unhas, contudo na sutileza de, uma vez perdida a cabeça pelo nervosismo, pedir desculpas e agradecer pela compreensão.
Agradecer e desculpar-se, mesmo quando se está correto, é a maneira mais inteligente de evitar contendas. Deus nos ofereceu dois olhos, duas mãos, dois ouvidos e uma boca. Precisamos olhar mais, ouvir rotineiramente e apalpar sempre.
Uma mulher linda passou na sua frente? Olhe (você tem dois olhos), ouça sua conversa (você tem dois ouvidos) e, se possível, apalpe seus pensamentos, entretanto, em nenhum momento, fale com ela ou sobre ela. Embora algumas mulheres se digam evoluídas ou amadurecidas, boa parte delas jamais compreenderá os elogios pelo vestido bem cortado, os esmaltes em plena harmonia com o batom, o jeito único de andar ou os cabelos que nos enfeitiçam. Se algum dia sua esposa, namorada, parceira, ficante ou quebra-galho der-lhe um beliscão, não se esqueça: obrigado e desculpe-me!
Se possuir amantes – lindas, sorridentes, sedutoras, dotadas de sensível estupidez e notável ausência de educação – use os comandos essenciais: obrigado e desculpe-me! Tenha paciência e tente domesticá-las. Um cavalheiro jamais possui a intenção de subjugar a mulher desejada, mas sim a de sobressair a informação de que Machado de Assis se distinguiu dos demais escritores pela contenção, pela sutileza, pelos silêncios.
Machuca-se com maior eficácia pelo silêncio contínuo do que pelos gritos momentâneos, pelas cobranças ridículas ou pelas argumentações desarticuladas. Trinta quilômetros no carro em silêncio – ou ouvindo tangos instrumentados sem barulhos alheios – são mais arrasadores do que oitocentos metros de ataques.
Agradecer e desculpar-se correntemente. Em casa ou na rua, na escola ou no jogo de bola, no restaurante ou na associação de moradores, no trabalho ou na diversão, no campo ou na cidade, afundado em dívidas bancárias ou recebendo o prêmio da loteria... Qualquer lugar é lugar, qualquer hora é hora, qualquer pessoa é pessoa para se agradecer por atos ou presentes ou se desculpar cordialmente por ações impensadas ou involuntárias.
Trinta anos atrás meu pai, que não ingere bebidas alcoólicas, comprou uma garrafa de uísque. Armazenou-a na geladeira três dias e três noites até que os amigos, chegando a nossa casa, esperaram ansiosamente a “surpresa” prometida. Quando viram a garrafa transpirando, riram-se:
- Logo se vê que você não é do ramo.
Para quem aprecia, serve-se uísque na temperatura ambiente acrescentando-lhe pedras de gelo. Meu pai, desconhecedor da arte e estupefato com a informação, não pensou duas: - Vocês me desculpem! Eu não sabia.
Se essas linhas serviram para alguma coisa, obrigado. Se elas apenas tomaram seu tempo e encheram-lhe a paciência, desculpe-me.

*Publicado originalmente na coluna Ficções, Caderno Tem!, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 30 de dezembro de 2011.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011










Especial Marcos Sacramento
homenagem ao centenário de Assis Valente
TV Brasil - 30 de dezembro 22:30h

Sky canal 116 . NET canal 18 . TV aberta canal 2
Informações para sintonizar em sua cidade =  http://tvbrasil.org.br/comosintonizar/

Assistir pela internet = http://tvbrasil.org.br/webtv/

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

CCBB RIO - STRAUB-HUI​LLET, a mais completa mostra do casal de cineastas franceses

Terça-feira (3 de janeiro), o CCBB Rio abre a mais completa retrospectiva do casal de cineastas franceses Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, STRAUB-HUILLET. A mostra exibe 40 filmes, sendo 26 dirigidos pelo casal – entre 1962 e 2006, ano da morte de Danièle – 9 produzidos a partir de então, somente por Jean-Maire, além de uma filmografia complementar composta por 5 filmes dos diretores Harun Faröcki, Manfred Blank, Pedro Costa, Jean-Paul Toraille e Philipe Lafosse.

 Os cariocas recebem em primeira mão a mostra STRAUB-HUILLET, que irá proporcionar ao público uma imersão na vida de obra dos cineastas Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, a partir do dia 3 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Rio). Serão exibidos 26 filmes do casal – realizados de 1962 a 2006, ano da morte de Danièle – 9 produzidos a partir de então, somente por Jean-Maire, além de uma filmografia complementar composta por 5 filmes dos diretores Harun Faröcki, Manfred Blank, Pedro Costa, Jean-Paul Toraille e Philipe Lafosse – somando 40 curtas, longas e médias-metragens.  No dia 06 de janeiro (sexta-feira) acontece um debate com o público, com participação do Prof. Hernani Heffner e do crítico de cinema Ruy Gardnier, e mediação dos curadores da mostra.

Preciosa na história do cinema e com poucas exibições no Brasil, a obra singular de Straub e Huillet tem mobilizado cineastas, críticos, pensadores e público a repensar cinema e arte enquanto atos de resistência e libertação humana. Os filmes do casal lêem/reescrevem peças de teatro, música e ópera, textos em verso e prosa - Bach, Kafka, Pavese, Brecht, Hölderlin, Corneille, Cézanne e outros. Encontros com obras com as quais se envolveram profundamente para realizar uma depuração dos elementos essenciais do cinema: a imagem, o som, a palavra, os gestos, o espaço. “Todos os projetos que temos são encontros”, disse Danièle.


Jean-Marie e Danièle conheceram-se enquanto estudantes em novembro de 1954, no IDHEC (Institut des Hautes Etudes Cinématographiques). Foram casados e trabalharam juntos por mais de 40 anos. São autores de uma obra sólida, fonte de inspiração para muitos cineastas. Seus filmes vêm sendo exibidos, desde o primeiro, em festivais importantes como Veneza, Locarno, Cannes e Viennale.

A mostra STRAUB-HUILLET tem curadoria de Ernesto Gougain  e Fernanda Taddei e fica em cartaz no CCBB Rio de 3 a 15 de janeiro. Em seguida vai para Brasília, de 10 a 22 de janeiro, e encerra em São Paulo, entre os dias 17 a 29 de janeiro.

Barbara Ulrich, amiga de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub desde 1987, virá ao Brasil para acompanhar a mostra e apresentar algumas das sessões. Desde a morte de Danièle, Barbara passou a se ocupar de parte de seu trabalho. Atua na produção e distribuição dos "Straub-films" frente à Belva, nova produtora de Straub. É doutora em Filosofia com interesse particular por Friedrich Hölderlin, Martin Heidegger, Carl Gustav Jung e Michel de Montaigne.

STRAUB-HUILLET
Produção e Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Curadoria: Ernesto Gougain  e Fernanda Taddei
Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66  
Cinema I: capacidade 102 lugares
Ingressos: Cinepasse - R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia-entrada), válido por 30 dias. Também é necessário retirar as senhas. As senhas deverão ser retiradas 30 minutos antes de cada sessão.
Informações: (21) 3808-2020 - www.bb.com.br/cultura
www.twitter.com/ccbb_rj

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Missão Impossível - Protocolo Fantasma


O agente Ethan Hunt e sua equipe se metem numa roubada ao serem acusados de explodir o Palácio do Kremlin, na Rússia. Isto leva o governo americano a interromper qualquer atividade ligada à espionagem neste país, forçando o grupo a agir por conta própria, sem qualquer proteção, e resolver um caso envolvendo o lançamento de mísseis nucleares.


Quarto filme da série, MISSÃO: IMPOSSÍVEL - O PROTOCOLO FANTASMA, é novamente protagonizado por Tom Cruise, que mais uma vez demonstra não ter medo de altura e realiza cenas vertiginosas, sem dublês, no mais alto prédio do mundo, na Índia. Fui conferir o filme, e minha opinião está aqui:




Maurício Limeira
http://oadversario.blogspot.com

sábado, 24 de dezembro de 2011

O casamento do meu irmão

Por Vicentônio Silva
www.vicentonio.blogspot.com

 O Homem descobre que pode dar-se sem limites a tudo o que faz. (Pierre Teilhard de Chardin)


Meu irmão – quatro anos mais novo do que eu – casou-se no início de setembro numa Basílica. A imponência, a modernidade e a suntuosidade do lado externo contrastam com a simplicidade e o aspecto antigo do interior. Apesar das intervenções dos últimos vinte anos, um toque de outros tempos se manteve na constituição de beleza.

 Vinte e quatro horas antes da cerimônia, os familiares de São Paulo – cujo trajeto de carro leva em média cinco horas e meia – meteram-se numa aventura que culminou na troca de bateria de um dos automóveis, acionamento do seguro, espera do guincho, vinda de taxis, procura de oficina, localização de malas...

 Qualidades dos contratos em cartório civil: rapidez, eficiência e praticidade. Saímos todos do cartório direto para a churrascaria. Da churrascaria ao hotel – que ficava em outra cidade – iniciamos o primeiro transporte coletivo. Eu, no carro com minha namorada e mais três passageiros. Meu pai e minha mãe, carona com amigo de meu irmão. O sogro de meu irmão carregando mais quatro passageiros, malas e bolsas de viagem.

 Quando chegamos à cidade, o resto da tarde procurando van para transportá-los à noite. Fui deixar minha namorada em Paraguaçu Paulista. Depois, passear em Pedrinhas Paulista com Bernardino, Otávio e Tiago. Na volta, banho, lanche e retorno a Assis onde, à porta da igreja, minha namorada e minha filha já nos esperavam.

 O padre levou menos de uma hora para pronunciar o novo estado civil. Em seguida, os convidados saíram ao salão de festas tais quais tigres atrás de gazelas selvagens. Sem van – o motorista comprometera-se apenas a trazer os parentes – levei os primos, primas, maridos e esposas da igreja ao salão de festas em quatro ou cinco viagens.

 Entrei finalmente no salão. Minha namorada e minha filha sentadas à esquerda do palco, acompanhadas de casal desenvolto com quem geralmente se firma amizade nessas situações. Antes de servirem o jantar, dois telões se abriram: um filme das pessoas que integraram as vidas de solteiros dos recém-casados. As imagens de nossa família surgiram, comecei a chorar. Disseram a minha mãe que me acharam sério demais durante o casamento. Geralmente, grito, berro, esculhambo, dou risadas em tons altos, ridicularizo a todos e a mim. Justamente entre as fotos, dona Laura almoçando, faca numa mão, olhar seco. Meu irmão, sorriso aberto, abraçado a ela.

Dona Laura é minha avó materna. Faleceu em primeiro de fevereiro de 2005. O Concurso de Crônicas de abrangência nacional, cuja Comissão Organizadora presido, leva o nome dela. Chorei ininterruptamente assim que vi a foto de Dona Laura. Meu irmão mais novo, o neto preferido. Aquele a quem chamamos de “queridinho da vovó”. Para ele, os melhores pedaços de carne, as mais saborosas porções de arroz e feijão, chocolate, goiabada, Coca-Cola, salgadinhos, queijo, presunto... Para ele, compreensão eterna, paciência inesgotável, simpatia permanente. Se alguém deveria presenciar o enlace, deveria ser dona Laura. Alguém que colaborou definitivamente na vida dele – e de todos nós – contudo não teve tempo de chegar. Alguém que não ficou pelo caminho, mas que fez o caminho.

Dias atrás, concluí que Natal é mais ou menos como o casamento do meu irmão: existem pessoas que estão ali pelo amor; outras, pela comida; outras, para aparecer nas fotos; outras, de bicão; outras, pela amizade. Mais importantes do que as presentes são as que, quaisquer que sejam os motivos, não tiveram a oportunidade de comparecer. O casamento me fez refletir: antes de comemorar, agradecer a quem se lançou na lama para evitar que nos sujássemos, a quem jejuou para nos livrar da fome, a quem secou a garganta para nos oferecer água, a quem fantasiou as próprias dores para nos fazer acreditar em nossos sonhos, a quem chorou para que sorríssemos. A meu irmão, esplêndido casamento. A minha avó Laura, muito obrigado! A você, que eventualmente leu essas linhas, Feliz Natal!

*Publicado originalmente na coluna Ficções, do caderno Tem!, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 23 de dezembro de 2011.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O fundo do coração




Em 1982, passados três anos de seu clássico "Apocalypse Now", e oito anos de seu outro clássico "O Poderoso Chefão - 2ª Parte", o cineasta Francis Ford Coppola estava endinheirado, e resolveu se meter numa outra aventura de grandes proporções: criou sua produtora, a Zoetrope, e dirigiu um romance musical onde reconstruía em estúdio a cidade de Las Vegas.

O filme em questão é "O Fundo do Coração", que tem no elenco, Frederic Forrest, Teri Garr, Raul Julia e Nastassia Kinski, além de uma trilha sonora composta por Tom Waits.

Maurício Limeira escreveu mais sobre "O Fundo do Coração" aqui:
 http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/2236579-fundo-cora%C3%A7%C3%A3o/

Trailer no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=g6aYLIn9zXs

Mais textos do autor:
http://pt.shvoong.com/writers/mauriciolimeira/
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Roberta Campos lança EP digital ao vivo

Depois de lançar “Varrendo a Lua” (2010) e rodar o Brasil com show homônimo, as apresentações da Roberta Campos ficaram cada vez mais inspiradas, o repertório ganhou novas músicas e as canções novos arranjos. Por isso surgiu a ideia de registrar o show ao vivo e produzir um EP digital.

Gravado no Auditório Ibirapuera em setembro, o EP é composto por seis faixas: o atual single “Acabou”, os sucessos “Mundo Inteiro”, “De Janeiro a Janeiro” e “Varrendo a Lua” (que compõe a trilha de Malhação), a inédita “Porta Retrato” e uma versão para “Segue o Seco” do Carlinhos Brown.

Na apresentação do Auditório Ibirapuera, também foi gravado o clipe da música “Acabou”, com direção de Rafael Kent, que já está disponível no Youtube.


Roberta Campos em show no Ibirapuera

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Abafando

Por Vicentônio Silva
fonte: www.vicentoniosilva.blospot.com

Gisele entrou na pós-graduação de linguística muito mais interessada em vigiar o namorado – estudante de letras focado na escrita limpa, direta e objetiva que pudesse ser utilizada tanto em jornais quanto em anúncios publicitários – do que em desvendar mistérios científicos de constituição de signos, significantes, significados, repertórios, códigos abertos e fechados.

Acessou a página do curso aberto na Universidade Estadual Paulista – campus de Assis – preencheu os requisitos necessários, fotocopiou a documentação, montou um projeto às pressas e, por um desses motivos que só Deus explica na lavra das memórias milenares, classificou-se para estupefação do namorado que, saindo de Prudente no sábado por volta das seis e meia, encontrou-a lindamente vestida na frente de casa.

Durante o caminho, o namorado esboçou dezenas de sorrisos por saber que Gisele, advogada frustrada e insegura, finalmente aproximava-se de algo que exigisse inteligência, bom senso e desempenho intelectual. Gisele providenciara novíssimo dicionário de língua portuguesa e, da bolsa preta com que trabalhava na rotina forense, sacou um de expressões latinas demonstrando que, sem dúvida, dedicava-se ao aperfeiçoamento do idioma.

Pensou que dissimularia sua ignorância. Sem muito esforço, limitava-se a copiar aleatoriamente alguns dados explicados pelos docentes. Sintagmas simples ou compostos, orações complexas e coordenadas, frases e interjeições? O que isso mudaria em sua vida? Assim como fizera na graduação e especialização em direito penal, bastava disfarçar, desconversar quando os colegas perguntassem da matéria e, sempre que possível, revirar os olhos, exaltar suas qualidades jurídicas, abordar qualquer tema fútil, enumerar as centenas de vestidos e de pares de sandálias.

A estratégia funcionou eficazmente até o quarto ou quinto sábado – as aulas aconteciam uma vez por semana – quando um dos professores distribuiu calendário de seminários individuais, estipulando o tempo de vinte minutos para exposição, indicando os pontos que gostaria de frisar e recusando-se a fornecer bibliografias ou roteiros de leituras.

A advogadinha entrou em desespero, consultou trabalhos na internet, confrontou algumas informações, emprestou alguns livros da ampla biblioteca, procurou ex-colegas de escola que tinham se tornado professores de português e até desembolsou quantia razoável num curso de redação de duas horas na internet. Por mais que tentasse, nada da matéria entrava na cabeça. O desespero tomou conta gradativamente. Numa audiência defendendo ladrão de galinhas, perguntada se desejava se manifestar, saiu com essa:

- Qualquer inclusão de sintagmas no discurso fechado, para um receptor sem o repertório suficiente, constitui ruído na comunicação, tornando-a parcial ou absolutamente ineficaz.

O juiz olhou para o escrevente que digitava os depoimentos. Empertigou-se. No fim da noite daquela audiência, trancou-se no quarto. Como se safar do seminário de lingüística no sábado seguinte? Como exporia as principais problemáticas, os confrontos teóricos e os novos estudos? Na sexta-feira, o professor de faculdade de fundo de quintal entregou-lhe impecável trabalho sobre o tema. Cobrou mais trinta reais por uma hora de explicações ao fim da qual, engolindo duas xícaras de café, cinco pães de queijo e taça de vinho do Porto, esbravejou a estupidez da intrépida aluna.

Na sexta-feira à noite, o namorado recebeu o telefonema: estava em Assis e amanheceria repassando os temas, ensaiando situações intricadas, antecipando perguntas do professor e dos colegas.

O professor de português teve pequeno incidente automobilístico no trajeto entre Presidente Prudente e Assis. Ao entrar na sala, por volta das onze horas, a aula já terminara e Gisele, sorridente, abraçava as colegas de curso. Ela simplesmente abafara: os vinte minutos da explanação dos meandros lingüísticos usara-os defendendo a pena de morte, relatando sua viagem a Vitória e mostrando, para desespero do namorado, trinta e cinco pares de sapatos que fariam sucesso no próximo verão.



*Publicado originalmente na coluna Ficções, caderno Tem!, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 16 de dezembro de 2011.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O livro (guia) de Curitiba

por Flávio de Sousa
fonte: o rinoceronte  www.orinoceronte.com

Todos sabem que a internet é um mar bravio onde a navegação raramente encontra um porto seguro para atracar. Por isso o site “Vida Breve” foi um achado. Por ali eram publicadas crônicas diárias de adorável qualidade, e cada qual dessas crônicas eram ilustradas por desenhos não menos interessantes. Logo passei a acompanhar todas as publicações. Esperava ansiosamente o intervalo do trabalho para ler a crônica do dia. Em uma ou outra ocasião até me arriscava a emitir opiniões sobre as ideias contidas nos textos. Os verbos estão no passado porque o “Vida Breve” não existe mais. Quem acessar o endereço www.vidabreve.com verá o epitáfio do que um dia funcionou como o palco virtual de ótimas leituras. Bola pra frente. Vida que segue.
Na estante circular da livraria escolhi um livro de crônicas. Confesso que o comprei por intuição. Parecia ser bom e isso era o bastante. Seu título: “Nós passaremos em branco”; seu autor: Luís Henrique Pellanda. No início não liguei o nome à pessoa, mas depois, já imerso na leitura, percebi que o autor foi um dos colunistas do “Vida Breve”. As narrativas, que são um brinde ao exercício da crônica, têm como cenário a cidade de Curitiba, com a habilidade de despertar no leitor que não a conhece a vontade de visita-la. E por uma dessas circunstâncias da vida fui parar na capital paranaense. Com o livro em punho percorri o centro de Curitiba reconhecendo a Rua Ébano Pereira, a Praça Santos Dumont, a Boca Maldita, o Passeio Público... Em Curitiba, meu mapa de turismo foi o livro “Nós passaremos em branco”.

Praça Santos Dumont em Curitiba

sábado, 17 de dezembro de 2011

O dia em que caminhei

Um dia eu caminhei...
Não me lembro por onde,
Nem para onde,
Caminhei eu, um dia.

Sei é que um dia eu caminhei...
E sorri eu,
No dia em que caminhei.

Por Rafael Castellar das Neves www.descemaisuma.blogspot.com

Margin Call - o dia antes do fim


O escândalo financeiro que deu origem à crise global de 2008 mostrado por dentro.
No interior de um banco de investimentos, um jovem analista de risco recebe informações de que os papéis armazenados há meses não têm mais valor, e que a quebra é iminente. A informação é repassada, madrugada adentro, hierarquicamente entre alguns funcionários, até chegar ao diretor, que deve decidir se a instituição quebra sozinha ou se leva o mundo inteiro junto.
Estreia do diretor J. C. Chandor, MARGIN CALL - O DIA ANTES DO FIM é um drama e suspense que trata do sistema financeiro, e das consequências de sua manipulação. Tem um elenco estelar: Kevin Spacey, Jeremy Irons, Stanley Tucci, Zachary Quinto e Demi Moore.
Confira a resenha completa de Maurício Limeira: http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/2238063-margin-dia-antes-fim/

Mais textos de Maurício Limeira:

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Azeitonas

por Vicentônio Silva

Carlos Eduardo convidou a mim e a dois amigos para visitarmos um tio que considerava maluco, cuja chácara localizava-se entre Cornélio Procópio e Londrina – ambas as cidades situadas no norte paranaense. A mãe preocupava-se com o irmão. Meses sem notícias. Adoentada e impossibilitada de viajar, solicitou ao filho que se deslocasse para saber das condições dele. Morava acompanhado de alguns cachorros, gansos e marrecos, isolado praticamente de tudo. A mãe já cansara de telefonar. Por mais que chamasse, ninguém atendia a ligação, perdida depois de alguns minutos.

Montamos no carro por volta das oito da manhã, cruzamos a divisa por volta das nove e às nove e vinte e oito percorríamos a estrada de terra – única lembrança de meu amigo – que teoricamente daria acesso à chácara. Para quem vive, viveu ou frequenta chácaras, sítios e fazendas, compensa-se a ausência de sinalização com a gentileza dos moradores que informam onde fulano, beltrano ou cicrano residem. Por incrível que pareça, nenhum dos nove transeuntes ou proprietários tinham ouvido falar do tal tio.

Quase meio-dia quando meu amigo, reconhecendo velho Flamboyant sem folhas e um rio seco, recordou-se do atalho, entrou nele e cinco minutos após batíamos palmas em frente do alambrado enferrujado. Os cachorros apareceram primeiro. Em seguida, os marrecos. Os gansos, geralmente atrozes, vigiavam de longe. Um homem de bermudas rasgadas, segurando copo de líquido escuro – vinho do Porto da safra de 1970, conforme nos comunicou sem grande orgulho – abraçou efusivamente o sobrinho, cumprimentou-nos, perguntou-nos se tinha acontecido alguma desgraça. Qual o motivo daquela tropa?

Meu amigo revelou as angústias maternas. Por que não mandava e-mails? Por que não os visitara mais? Por que não atendia aos telefonemas? Engolindo pequenas doses, segredou outros projetos. Se gastasse dinheiro visitando os familiares, pagando internet ou telefone, aplicando em roupas de grife – os olhos de um de nossos acompanhantes espantaram-se com os trajes praticamente de mendigo – ou jogando as economias em festinhas com os amigos, os projetos ficariam prejudicados.

A conversa prolongou-se, passeamos pela casa e, a cada cômodo que entrávamos, espantávamo-nos com a bagunça: pia cheia de pratos, roupas sujas no banheiro, varanda forrada de barro, ninhos na área de serviço e na garagem. O tio de meu amigo, professor universitário aposentado, gostava de seu estilo de vida. Quando o colega que se espantara com seu jeito inquiriu, após visualizar velha lata de azeitonas como única fonte de alimentação disponível na geladeira desbotada, se não seria mais vantajoso diminuir as aplicações em seus planos para adquirir alguns produtos, reformar a casa e contratar empregada, o tio de meu amigo interrogou-nos:


- Tenho setenta e dois anos. Caminho, nado três vezes por semana, escrevo, leio, traduzo, analiso esteticamente, diferencio os acordes mais sublimes das mais complexas músicas, sei de cabeça os mais importantes pintores desde a Idade Média. Já viajei trinta e oito países, todos os estados brasileiros, nadei no Mar Morto, engoli neve da casa dos maiores poetas de todos os tempos, visitei os escritórios e bibliotecas dos filósofos da modernidade, entrei em campos de concentração desativados, bailei com mulheres com quem jamais nem vocês, nem seus pais, nem seus avós e, muito menos, seus filhos terão o inigualável prazer de dançar. Nos próximos meses, tomarei nos braços as mais belas damas de Viena, farei amor com as mais lindas da Costa do Marfim, beijarei as mais fulgurantes da Dinamarca, conversarei com os melhores dramaturgos da Noruega, provarei os melhores pratos da Finlândia, da Grécia, de Marrocos e da Hungria, provarei os vinhos da Macedônia, da Irlanda e de Mônaco. Lançarei dinheiro em reformas e empregadas?

Quando nos sentamos em um restaurante de Londrina, dois pediram filé de peixe, meu amigo, salada acompanhada de cremes e molhos orientais. A garçonete me frisou: seguia o pedido dos amigos ou desejaria algo diferente?

- Uma lata de azeitonas, por favor.

*Publicado originalmente na coluna Ficções, Caderno Tem!, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 9 de dezembro de 2011.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Os pedais e a orla

por Flávio de Sousa
Num desses momentos em que a vida exige mudança de rumo, Alvarenga foi morar no litoral. Por lá inaugurou um negócio tão simples quanto inovador. Passou a alugar bicicletas para passeios pela orla, com o preço estipulado por uma hora de pedalada. Tudo começou com três unidades. Passados quinze anos já eram quarenta bicicletas e quatro funcionários. Alvarenga adotava o curioso procedimento de nunca exigir alguma garantia pela devolução das bicicletas. Nem dinheiro antecipado, nem retenção de carteira de identidade. O lema era a confiança extrema em seus clientes, e nisso havia um indisfarçável orgulho. Por muito tempo não houve qualquer ocorrência de que alguém tivesse surrupiado alguma bicicleta. Certa vez Alvarenga viu se aproximar um homem de meia idade ostentando a aparência discreta de quem transmite apenas placidez. Após as tratativas de praxe, o homem saiu pedalando vagarosamente. Uma, duas, cinco horas se passaram e ele não voltou. Alvarenga não sentiu a raiva dos enganados, mas sim uma aguda sensação de decepção e fracasso. Mergulhou em profunda tristeza. Quando ainda tentava se recuperar do baque, leu a notícia de que um barco havia afundado a mais ou menos um quilômetro dali, e nenhum dos tripulantes havia sido encontrado. As engrenagens de sua mente logo imaginaram a possibilidade de que o homem-que-nunca-mais-voltou estivesse naquele barco, ele e a bicicleta. Alvarenga sorriu e resolveu zerar sua estatística. Nunca ninguém havia deixado de devolver uma bicicleta alugada.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O escritor Cesar Cardoso lança dois livros infantis

O escritor Cesar Cardoso está lançando dois novos livros para o público infantil. O Que É Que Não É?, ilustrado por Cris Alhadeff, é um jogo de esconde-esconde entre as imagens e o texto, onde um inocente chafariz pode virar um esguicho de baleia. Mal saiu do forno, o livro já foi selecionado para o Programa Nacional de Biblioteca da Escola – PNBE, e chegará às bibliotecas das escolas públicas de todo o país. Você Não Vai Abrir?, ilustrado por Salmo Dansa, propõe um outro jogo. Nas páginas dele, o autor e o próprio livro discutem quem é que realmente conta as histórias. E na briga dos dois quem sai ganhando é o leitor, que se delicia com poesias, contos, notícias e outros textos, sempre com muito humor.

Os dois livros, publicados pela Editora Biruta, serão lançados na Livraria Museu da República, na quarta feira, dia 14 de dezembro, das 19 às 22 horas. A livraria fica na Rua do Catete 153, no Rio de Janeiro.

O carioca Cesar Cardoso (1955) é escritor, poeta, fotógrafo e roteirista e edita o blog PATAVINA’S (http://cesarcar.blogspot.com/). Em 2010 realizou a exposição de fotos No Vermelho Piscante Gire Com Cuidado, no Centro Cultural Carioca. Já escreveu para programas como Tv Pirata, Sai de Baixo, a Grande Família, Toma Lá Dá Cá e atualmente está no programa Os Caras de Pau, da Rede Globo.


sábado, 3 de dezembro de 2011

O anjo exterminador



Por Maurício Limeira

Numa cena de "Meia Noite em Paris", de Woody Allen, o protagonista vivido por Owen Wilson encontra, numa de suas viagens ao passado, o pintor Salvador Dalí e o cineasta Luis Buñuel, ambos surrealistas. Na cara de pau, sugere ao segundo a ideia para um filme, em que os convidados de uma festa não conseguem deixar a sala do anfitrião, embora não haja qualquer impedimento para fazê-lo.

O filme em questão é O Anjo Exterminador, que Buñuel realizaria no México em 1962. Neste clássico em preto e branco, Buñuel, principal nome do movimento surrealista no cinema, mistura crítica social, religião e psicologia num filme claustrofóbico e provocador, recomendado para todo apaixonado por cinema.


Maurício Limeira escreveu sobre ele aqui:
http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/1686471-anjo-exterminador/


Mais textos de Maurício Limeira:

http://pt.shvoong.com/writers/mauriciolimeira/
http://filmantes.blogspot.com
http://oadversario.blogspot.com

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Trabalho de escola

por Vicentônio Silva

O mundo se transformou quando completei treze anos. Gozava de respeito de pais, familiares e conhecidos, a diretora da escola reconhecia minhas qualidades, mas, na prática, por um desses mecanismos que infestavam as cabeças nesse período, minhas notas começaram a despencar. Até mesmo em matérias como inglês, português e matemática, com as quais desde sempre me dei bem, minhas médias variavam entre dois e cinco. Sem recursos para esconder de meu pai as notas vermelhas que pululavam o boletim.

Provas finais de ciências, geografia e educação artística. Provavelmente ficaria pendurado em inglês, contudo a professora, conversando comigo ao fim do recreio, sentenciou nova chance desde que, dali a uma semana, sem rodeios e de maneira séria, assumisse o compromisso de entregar trabalho sobre o conteúdo do primeiro e do terceiro bimestres além de redação de trinta linhas.

Pelo menos de inglês meu couro salvava-se de levar cacetadas corretivas. No fim de semana, peguei as apostilas da escola, livros do curso que freqüentava duas vezes por semana, anotações avulsas. Uma hora e meia depois, o trabalho impecável – folhas coloridas, desenhos bem articulados e capa repleta de flores de campo – repousava na minha escrivaninha para, na terça-feira, depois do intervalo, colocar nas mãos da professora.

Arrumei minha mesa, abri a gaveta e coloquei o trabalho lá dentro, protegido por um plástico, fechado cuidadosamente com grampo. Limpei o guarda-roupa, encontrei um compasso e duas réguas antigas, uma caixa de lápis de cor, um caderno de desenhos meio amarrotado. Tive saudades do tempo de quarta-série. Instintivamente abri a última página, espalhei os lápis na mesa, comecei a desenhar um coração e, mesmo mal acabado, identifiquei o motivo de meus devaneios, a causa de minha desatenção e a resposta de minhas concentrações nos últimos meses: Lara.

Lara transferira-se de escola militar do Rio de Janeiro. O pai dela, oficial da Marinha, recebera a designação de trabalhar no Porto de Presidente Epitácio, mas optou pela instalação da família em Presidente Prudente. Apesar de vagar pelos bancos da sétima série, pensava numa maneira de romper os limites de idade e de convivência de grupo para me aproximar daquela morena de dentes perfilados que terminava o terceiro colegial. Ainda não tivera coragem de declarar meu amor. Riscava alguns versos na contra-capa de meus cadernos. Os professores acreditavam que eu estivesse anotando assuntos relacionados às disciplinas quando, na prática, escrevia acrósticos inspiradores.

Dias e mais dias, lendo, relendo, escrevendo e inventando poesias com o nome da garota de meus sonhos, de meus devaneios, de meus desejos e de minhas vontades. Bastava uma folha de guardanapo de lanchonete de beira de calçada flanar no vento para iniciar versos de homenagem a Lara.

Justamente escrevia versos para a menina de meus sonhos, sentado no banco improvisado de ponto de ônibus, quando uma sombra se fez em minha frente. Ergui os olhos. Lara sorria: - Você não estuda na mesma escola que eu? Gelei, a respiração descompassada prejudicou a articulação de alguma frase de imediato. Conversamos por cerca de vinte minutos até eu perder minha condução e o ônibus dela com destino a Indiana interromper meus momentos de regozijo.

Entrei em casa apressadamente, tranquei-me no quarto, recusei o jantar – minha mãe batendo à porta de cinco em cinco minutos até se entreter com as novelas – e me pus a desenhar corações, olhares, bocas, lugares para onde viajaria com Lara. Poderia ser Indiana, Teodoro Sampaio, Álvares Machado ou, quem sabe?, Presidente Epitácio. Tempos depois, embarcávamos num cruzeiro que visitava Inglaterra, Portugal, Espanha, Grécia e Itália. Seguíamos de trem para Rússia, Suíça e França. Comecei a cochilar. Agendei-me mentalmente: dia seguinte, pegaria a bolsa, a bola de futebol, o agasalho para devolver à minha prima, a roupa de educação física e o trabalho de inglês.

Adormeci sobre a mesa. Dia seguinte, minha mãe gritava: meu pai sairia em cinco minutos. Vesti a camisa ao avesso, troquei as cores das meias, saí correndo com os sapatos na mão. Recolhi os objetos de minha lista mental: bolsa, bola de futebol, agasalho, roupa de educação física.

*Publicado originalmente na coluna Ficções, caderno Tem, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 2 de dezembro de 2011.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pianista chinês Haochen Zhang se apresenta de graça, amanhã, na Escola de Música da UFRJ

Recital do vencedor da última edição do Concurso Internacional Van Cliburn faz parte do Festival Internacional BNDES de Piano do Rio de Janeiro
O Festival Internacional BNDES de Piano do Rio de Janeiro, que abriu sua programação no último dia 27, segue com sua série de recitais na cidade. O pianista chinês Haochen Zhang, que venceu a última edição do concurso Van Cliburn, se apresentará na sexta-feira, dia 2 de dezembro, na Escola de Música da UFRJ. O Festival conta com 12 concertos a cargo de grandes vencedores dos maiores concursos internacionais de piano e a presença de Nelson Freire em recital no encerramento da etapa carioca. Todas as apresentações serão gratuitas. Além do Rio, Manaus, Recife, Belém, Aracaju e Fortaleza receberão o festival.
divulgação
Haochen foi o primeiro chinês vencedor na história do concurso Van Cliburn. Menino prodígio, aos cinco anos deu seu primeiro recital, apresentando as 15 Invenções a Duas Vozes de Bach, e as sonatas de Haydn e Mozart; aos seis anos, fez seu début com a Orquestra Sinfônica de Xangai, interpretando o Concerto para Piano K. 467 de Mozart; aos sete e aos nove anos, ganhou o Primeiro Prêmio no Concurso de Piano de Xangai. Aos 12 anos, Zhang deu uma série de recitais na China, cujo programa incluia os Doze Estudos op. 10 de Chopin. Desde seu Primeiro Prêmio no Concurso Internacional Van Cliburn, Zhang fez tournées pela Europa, Japão, Estados Unidos e Israel, incluindo concertos com as Orquestras Filarmônica de Israel, Filarmônica de Londres e Hong Kong, as Sinfônicas de Belgrado e Kansas City e uma tournée com a Orquestra de São Francisco.
O Festival lança a edição 2012 do Concurso Internacional BNDES de Piano. A terceira edição do concurso será realizada de 25 de novembro a 8 de dezembro do ano que vem no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro do BNDES. O homenageado será Almeida Prado, renomado compositor e pianista brasileiro falecido recentemente.

Programação Completa no Rio:
Domingo, 27/11 - 11h - ABERTURA DO FESTIVAL - THEATRO MUNICIPAL
Recital de DANIIL TRIFONOV, vencedor Concurso Tchaikovsky 2011
Obras de Chopin e Liszt
LANÇAMENTO DO LIVRO "GUIOMAR NOVAES DO BRASIL" de Luciana Medeiros e João Luiz Sampaio com 2 CDs Live  GUIOMAR NOVAES & NEW YORK PHILHARMONIC
Terça, 29/11 - 19h - SALÃO LEOPOLDO MIGUEZ DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRJ
Recital de EVGENY BRAKHMAN - 3º Prêmio Concurso BNDES de Piano 2010
Obras de Bach, Rachmaninov, Brahms e Prokofiev
Sexta, 2/12 - 19h - SALÃO LEOPOLDO MIGUEZ DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRJ
Recital de HAOCHEN ZHANG - Vencedor Concurso Van Cliburn 2009
Obras de Scarlatti, Chopin, Beethoven, Ravel e Liszt
Terça, 6/12 - 19h - SALÃO LEOPOLDO MIGUEZ DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRJ
Recital de FABIO MARTINO - Vencedor Concurso BNDES de Piano 2010
Obras de Brahms, Liszt e Scriabin
Sexta, 9/12 - 19h - SALÃO LEOPOLDO MIGUEZ DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRJ
LUKAS GENIUSAS - 2º Prêmio do Concurso Chopin 2010
Obras de Chopin
Sábado, 10/12 - 19h - SALÃO LEOPOLDO MIGUEZ DA ESCOLA DE MÚSICA DA UFRJ
KOTARO FUKUMA - 2º Prêmio Concurso BNDES de Piano 2010
Obras de Bach, Beethoven, Liszt, Ligeti e Liapounov
Domingo, 11/12 - 17h - THEATRO MUNICIPAL - ENCERRAMENTO DO FESTIVAL Recital de NELSON FREIRE
Obras de Schumann, Prokofiev, Granados e Liszt

Serviço:
Festival Internacional BNDES de Piano do Rio de Janeiro
Recital com Haochen Zhang
Dia 2 de dezembro de 2011, às 19h
Local: Escola de Música da UFRJ
Endereço: Rua do Passeio, n°98, Lapa
Capacidade: 500 lugares
Informações: www.concursopianorio.com
Entrada Gratuita