terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"Modéstia" estreia dia 1º de março

De Rafael Spregelburd
Direção: Pedro Brício
Tradução: Pedro Brício, Letícia Isnard e Isabel CavalcantiCom Bel Garcia, Fernando Alves Pinto, Gilberto Gawronski e Isabel Cavalcanti


No dia 1º de março, estreia, no Centro Cultural Correios, no Rio, a comédia dramática Modéstia, do argentino Rafael Spregelburd, com direção de Pedro Brício, que também assina, junto com as atrizes Leticia Isnard e Isabel Cavalcanti, a tradução do texto. No elenco, Bel Garcia, Fernando Alves Pinto, Gilberto Gawronski e Isabel Cavalcanti, todos em duplos papéis.

Em “Modéstia”, Spregelburd trata de temas importantes no mundo atual, como a imigração, o preconceito racial e o caos provocado pela globalização. Sempre com um humor refinado e uma originalidade formal ímpares, a peça funciona como uma “comédia de portas”, contando duas estórias paralelas: uma se passa na Argentina contemporânea e a outra numa Rússia ‘tchecoviana’ em guerra. Os atores se dobram em papéis, ora interpretando o personagem de uma história, ora de outra, no incessante abrir e fechar das portas do cenário. Aparentemente, as histórias não têm relação, mas aos poucos suas conexões temáticas, suas complementaridades e contradições, aparecem num brilhante jogo dialético.

A elaborada dramaturgia de “Modéstia” expõe uma consistente discussão sobre as fronteiras nos dias de hoje – fronteiras políticas, culturais e de linguagem. E versa também sobre as incertezas do mal, e sobre a modéstia como pecado: “Esse prazer soberbo e culposo de se sentir um pouco menos do que se é, com o objetivo íntimo, talvez, de pagar em cotas cômodas uma dívida infinita”, resume o autor. Inédito no Brasil, o texto faz parte de uma heptologia escrito por Spregelburd. Inspirado pela pintura “A Roda dos Pecados Capitais”, de Hieronymus Bosch, o autor decidiu escrever peças sobre o que para ele seriam os sete pecados contemporâneos. A primeira foi ‘A Inapetência’, seguida de ‘A Extravagância’ (ambas de 1996); ‘A Modéstia’ (1999), encenada agora no Rio de Janeiro e em seguida em Brasília. Depois vieram ‘A Estupidez’, montada no Brasil em abril de 2011 pela Cia Os Dezequilibrados, com direção de Ivan Sugahara; ‘O Pânico’ (2002); ‘A Paranóia’ (2008); e ‘A Teimosia’ (2009). Segundo Pedro Brício, a vontade de montar esse texto vem da relevância e originalidade que a obra tem, além de uma enorme identificação com a linguagem do autor. “A pesquisa de uma dramaturgia atual, a valorização da palavra em cena e o uso de uma comicidade que dialoga com o drama, a poesia e o absurdo, são qualidades do texto de Rafael Spregelburg e também elementos fundamentais da minha pesquisa”, afirma do diretor.

Modéstia” é uma obra contundente, de franca comunicação com o público. Desde a sua primeira montagem na Argentina, ganhou inúmeros prêmios de melhor texto, entre eles o Prêmio Teatro XXI (GETEA), Prêmio María Guerrero, Prêmio Trinidad Guevara, Prêmio Diario Clarín (1999), Prêmio Teatro del Mundo, Prêmio Florencio Sánchez (2000) e Prêmio Ciudad de Almagro, Espanha: melhor obra dramática, Festival de Teatro Contemporâneo (2005).

SERVIÇO
Local: Centro Cultural Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro)
Informações: 2253-1580
Bilheteria: 2219-5165.
De quarta a domingo, das 14h às 19h
Valor: R$20,00
Horário do espetáculo: Quinta a Domingo, às 19h
Capacidade: 200 lugares
Duração: 90 minutos
Classificação etária: 14 anos
Gênero: comédia dramática
Temporada: de 01 de março a 15 de abril
Sinopse: A comédia dramática conta duas estórias paralelas, uma na argentina nos dias de hoje, outra numa aparente Rússia do século 19, que se revezam no palco, através de um jogo de portas. As duas estórias falam sobre crise econômica, amores impossíveis, o valor da arte. Um vaudeville contemporâneo, um quebra-cabeça teatral, original e instigante.

Créditos: Ana Alexandrina

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