sexta-feira, 22 de junho de 2012

O outro Van Gogh

De Mauricio Arruda Mendonça
Direção de Paulo de Moraes
Com Fernando Eiras

Eu sinto como se a natureza falasse comigo
(Vincent Van Gogh)

Estreia, no dia 29 de junho, no Teatro Poeira, o espetáculo O outro Van Gogh, com Fernando Eiras e direção de Paulo de Moraes, baseado nas famosas cartas trocadas entre Vincet Van Gogh e o seu irmão, Theo Van Gogh, no período entre 1872 e 1890. Com texto de Mauricio Arruda Mendonça, a peça se passa logo após a morte do famoso pintor, em uma narrativa repleta de emoções, onde Vincent e Theo, ambos interpretados por Eiras, se alternam em um diálogo que os entrelaça e redime como se fossem uma só pessoa.

O espetáculo, primeiro monólogo da carreira do ator e do diretor, localiza-se nos últimos dias da vida de Theo Van Gogh (1857-1891), irmão, confidente e mantenedor do grande pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890). Internado numa casa de saúde, abalado pelo repentino suicídio de seu irmão mais velho, pelos pesados encargos de sustento de sua mulher, filho e de seus pais, e já sofrendo os mesmos sintomas radicais da doença mental dos Van Gogh, Theo repassa acontecimentos afetivamente importantes na sua relação com Vincent em sua luta por tornar-se um pintor. Recordando momentos intensos de vida, o refinado marchand Theo Van Gogh, busca amenizar seu sofrimento pela morte e o insucesso do irmão. Como num réquiem, o texto fala, sobretudo, do amor visceral que uniu e levou à morte esses dois irmãos. 

“Theo é lunar, Vincent é o sol. Theo é Debussy, Vincent é Strawinsky. Theo cuidou de Vincent durante toda a vida se dedicando inteiramente para que esse outro se tornasse possível, fazendo assim uma ponte entre Vincent e seus próprios desejos, compartilhando seus esforços para se tornar o pintor que queria ser e influenciar toda uma geração expressiva que viria depois. Mas Theo não era um artista, ele era marchand. Portanto, compartilhava todo o acontecimento artístico do lado de fora. Então resolvemos dar a ele um lugar no lado de dentro”, explica Fernando Eiras.

As 500 cartas são um registro de uma eterna conversa, onde a cumplicidade fazia par com a constante ironia de Theo, que só depois da morte do irmão, soube entender as suas inquietações quanto à pintura e o que, na verdade, ele queria pintar. Os temas fugiam aos que os artistas consagrados da época pintavam. Tempo para um saudoso Theo rememorar: “Em Auvers-sur-Oise, cidadezinha francesa onde viveu seus últimos momentos - conta para um grupo de pessoas que reuniu em Paris, em 1890, numa pequena sala de conferências - meu irmão passava seus dias olhando e retratando a gente do campo”. E me escrevia:Trata-se de ficar contente em ter o que beber, o que comer, onde dormir e com que se vestir”.

Fernando completa: “Maria Clara Machado, minha primeira professora de teatro, dizia com seus olhinhos brilhando que ‘teatro é lugar de gente’. Escolhemos Theo porque ele é o lugar do outro.”.

Mauricio fez uma pesquisa ampla em publicações e filmes sobre os irmãos Van Gogh. Entre o material constam os títulos: os volumes “Cartas a Theo”, de Vincent Van Gogh; Biografia de Vincent Van Gogh por sua cunhada Jo Van Gogh-Bonger, seguido de Cartas de Theo para Vincent e de Cartas de Vincent a Émile Bernard; “Van Gogh” (biografia), de David Haziot; “Sede de Viver - a vida trágica de Van Gogh” (biografia), de Irving Stone; além de filmes sobre a vida de Van Gogh e seu irmão Theo.

VAN GOGH, o pintor-personagem, que passou de louco em vida ao genial artista na posteridade é, em si, fascinante. O espetáculo é quase uma biografia do pintor holandês, tecida através da troca de cartas febris e dilaceradas com seu irmão Theo, em que os assuntos vinham diretamente do que corria em ritmo acelerado nas veias de uma cabeça em ebulição e de mãos que dominavam, firmes, os pincéis e as cores. É um texto que fala ao coração do homem contemporâneo, marcado por indiscutível atualidade e compaixão.

O holandês Vincent Van Gogh é um dos pintores mais admirados, respeitados e valorizados do mundo. Mas, nem sempre foi assim. A trajetória de Vincent foi tumultuada, oscilante e desesperada. Inquieto e sem destino certo, o artista buscou, inutilmente, paz em várias cidades da Europa.

Viveu doente, solitário, sem recursos e tendo vendido apenas um quadro durante sua vida: A vinha vermelha. No entanto, trabalhou sem parar: deixou cerca de 900 telas. Os quadros que ninguém quis continham uma revolução no mundo da pintura. Na manhã de 27 de julho, um domingo inacreditavelmente azul, Vincent saiu para o campo com um revólver na mão. Entre o amarelo do trigo e a solidão da paisagem, deu um tiro no peito. Pouco tempo depois, sua obra e talento começaram a ser reconhecidos.

Este espetáculo é patrocinado pelo fundo de apoio ao teatro – FATE/Secretaria de Cultura do Rio/Prefeitura do Rio. 



SERVIÇO
O outro Van Gogh
Estreia para convidados: 28 de junho
Estreia para público: 29 de junho
Local: Teatro Poeira (Rua São João Batista, 104 - Botafogo)
Informações: (21) 2537- 8053
Bilheteria: 2ª a 4ª. e domingo das 15 às 20h/ 5° a sábado das 15 às 21h
Horário: Quinta a Sábado, às 21h30/ Domingo, às 19h
Preço: Quinta e sexta, R$40,00/ Sábado e Domingo, R$60,00
Capacidade: 120 lugares
Gênero: Drama
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Temporada: 29 de junho a 19 de agosto
Sinopse: o monólogo, baseado nas famosas cartas trocadas entre Vincent Van Gogh e o seu irmão Theo, apresenta acontecimentos importantes da relação dos dois irmãos. Recordando momentos intensos, o Theo busca amenizar seu sofrimento pela morte e o insucesso do irmão com um texto que fala, sobretudo, do amor e cumplicidade entre eles.


FICHA TÉCNICA
Texto: Mauricio Arruda de Mendonça
Direção: Paulo de Moraes
Elenco: Fernando Eiras
Idealização: Maria Amélia Mello e Maria Lucia Lima
Cenografia: Paulo de Moraes
Figurinos: Rita Murtinho
Iluminação: Maneco Quinderé
Assessoria de Imprensa: Daniella Cavalcanti
Vídeos: Ricco e Renato Valarouca
Trilha Sonora: Ricco Viana
Direção de Produção: Andréa Alves e Claudia Marques
Co-produção e Realização: Fábrica de Eventos e Sarau Agência de Cultura Brasileira

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