sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Um novo fim

Fechou a última das malas com todo seu passado dentro e as colocou num canto da sala. Voltou ao quarto e novamente alisou saudoso o lençol da cama. Foi à cozinha e bebeu lentamente um copo d'água e, pensativo, deixou-o solitário sobre a pia. Cruzou a sala em direção à porta, mas parou antes e voltou-se para trás. Passou os olhos marejados pelo o que havia sido por longo tempo o seu lar.

Na estante ficaram as memórias. Na mesa de canto as solitárias refeições dominicais. No canapé as tristezas e os anseios. Nas gavetas, bem no fundo, os sonhos e os defeitos. Sob o tapete os pecados.

Decidido e desolado, aspirou todos os seus medos para tê-los sempre consigo. Num só golpe se voltou à porta e partiu, deixando tudo para trás. Partiu de si mesmo, para si mesmo; mas não sem deixar no velho aparador um bilhete que lhe diria: “Não devia ter voltado!”.


Por Rafael Castellar das Neves @Desce Mais Uma!

São Paulo, 13 de setembro de 2012.

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