domingo, 11 de novembro de 2012

O sorriso e os ossos de Monalisa



Suspeita-se que os ossos de Monalisa tenham sido encontrados. Foi o que eu li em algum link suspenso na abstração da grande rede e que talvez só não tenha sido clicado porque a setinha comandada pelo rato de rabo em forma de fio preferiu se aventurar em alguma outra notícia, que por sua vez se subdividiu em várias outras notícias, fazendo com que a visita virtual perdesse o caminho de volta. Mas mesmo a pequena frase que convidava a um clique não efetuado foi suficiente para estimular reflexões etéreas e expansivas.

Monalisa (ou Gioconda, como queira) já deixou de existir há séculos. Sua pele se desmanchou sob a terra, sua boca se desfez, restando-lhe somente os ossos, cuja resistência inerente ao material de que é feito garante o testemunho de que, sim, nossos ancestrais mais remotos realmente estiveram por aqui. Todavia não são os ossos que lhe garantem a imortalidade, mas sim o sorriso.

O sorriso mais enigmático de que se tem notícia foi congelado no tempo e, certamente para a surpresa da própria Monalisa, provoca a veneração contemporânea representada por olhares atentos e flashes orientais. Mas se o sorriso em questão é enigmático, assim também o é todo o conjunto de circunstâncias que o cercam e que foram definitivamente engolidos pela passagem impiedosa do tempo. Assim, o que terá feito Monalisa imediatamente após ter posado para os últimos traços de tinta que a retrataram perenemente? Como terá sido a reação de Leonardo Da Vinci após ter terminado sua obra- prima? Comemorou? Deu de ombros julgando tratar-se de mais um entre tantos outros trabalhos sem tanta importância? E o jeito como pintou o tão famoso sorriso? Utilizou-se de alguma técnica especial, para que tenha sido proposital a construção de um sorriso enigmático ou simplesmente pintou sem imaginar que a maneira como suas pinceladas davam forma ao sorriso causaria tanta repercussão?

Tudo isso ficou para trás e só pode ser reproduzido através do exercício imaginativo. Permanente mesmo só o sorriso de Monalisa que ainda perdurará, enquanto tantos ossos se empilharem sob a terra.

Flávio de Sousa
@flavio_sanso 

Nenhum comentário: