sábado, 28 de janeiro de 2012

Inteligência e esperteza

Por Vicentônio Silva



Inteligência é qualidade que envaidece os homens. Basta insinuar que é inteligente para que, desarmando-se, deixando de lado escudos e abdicando de proteções, o indivíduo sinta-se mais confortável.

Já tinha feito meu pedido, instalei-me numa dessas mesas em que se apinham seis ou oito, peguei o jornal e, antes de folheá-lo, um homem educado e de barriga protuberante perguntou-me se a cadeira ao lado estava ocupada. Diante de minha negativa, pôs a bandeja sobre a mesa e iniciaria sua refeição – bastante alface, tomate, cebola, pimentão e arroz – se um homem, dentes brilhantes e cabelos para trás presos por gel, não tivesse dado um grito, aberto um sorriso e se aproximado euforicamente:

- Lembra-se de mim?

Diante da surpresa e provavelmente evitando qualquer atitude que desagradasse ao possível parceiro de quem nem fazia idéia quem fosse, estendeu a mão e, antes que dissesse palavra, o cidadão sentou-se imediatamente, escolheu picanha bem passada, batatas fritas e refrigerante.

- Esse mundo é mesmo pequeno, disse o interlocutor de sorriso aberto. Lembro bem das brincadeiras na turma. Pensei que nunca fosse acabar aquele curso!

O homem de sorriso aberto estudara com ele. Na faculdade, no curso técnico, no ensino médio, no de mecânica de autos ou no de assentador de azulejos, encanador e eletricista? Pela desenvoltura e pela arrumação das palavras, na faculdade, mas não se lembrava dele. Terminaria o almoço, estenderia novamente a mão. O garçom trouxe a picanha, as batatas fritas e o refrigerante.

- Você era o mais inteligente da turma, disse o homem de sorriso aberto, engolindo celeremente as batatas fritas e parte do refrigerante. Quando queríamos alguma opinião inteligente, eis que sua imagem surgia e todo mundo corria ao seu encontro. Para ouvir a voz da sabedoria e do discernimento, da erudição e do bom senso, da percepção apurada e do bom gosto.

Imaginava-se inteligente, porém nunca desconfiara que os colegas da turma o indicassem como tal.

- Por que está comendo esse monte de alface?

Colesterol alto, excesso de gordura, aumento de peso, dificuldades de respiração, problemas na coluna e receitas médicas para mudar a alimentação, praticar exercícios físicos regularmente. O sono melhorara e a disposição também. A balança respondia positivamente: oito quilos e meio em três meses.

- Quando saíres desse regime, retomou o sorriso aberto, estás convidado para experimentar o melhor churrasco do mundo em minha casa. Sabes onde moro? Naquela mesma rua, naquela mesma casa. Fizemos algumas reformas, erguemos uma churrasqueira, ainda estamos construindo uma piscininha, contudo já recebemos os amigos. Talvez te confundas pelo muro: três metros de altura. Segurança nunca é demais. Fora isso, mesma rua e mesma casa. Sempre estou lá no fim de semana. E, disse engolindo o resto da carne, verificando se sobrara alguma batata frita e sugando o refrigerante, o telefone continua o mesmo. Basta telefonar a qualquer hora do dia ou da noite. Estou sempre à tua disposição!

Quis dar-lhe um cartão, mas o interlocutor recusou: lembrava o número de telefone do escritório dele. Continuava o mesmo? Cidadão tão prestativo, tão boa gente, tão confiável. Como se esquecera justamente dele?

- Estou em cima da hora! Um abraço ao pai. Passo lá qualquer hora para um chocolate quente. Sei que ele adora.

O homem de sorriso aberto saiu em disparada. Pai? O pai morrera de acidente automobilístico quando ele tinha três anos.

Continuou a refeição, engolindo forçadamente as fatias de tomate e o suco de acerola. Saía da praça de alimentação quando o garçom da Churrascaria do Gaúcho disse-lhe que o gerente gostaria de falar-lhe.

- Seu amigo disse-nos que pagaria a conta. São cinqüenta e oito reais.

Veio até minha mesa, pediu-me que testemunhasse o ocorrido, que não se lembrava do cara. Pus-me à disposição. Desceríamos todos à delegacia. De um pulo, agradeceu minha gentileza, meteu a mão no bolso e puxou algumas cédulas:

- Num país como este, concluiu, mais vale um esperto do que um inteligente.

*Publicado originalmente na coluna Ficções, Caderno Tem!, Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 27 de janeiro de 2012.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Péter Forgács: Arquitetura da Memória

O artista húngaro Péter Forgács, com mais de 30 filmes e diversas instalações multimidas em sua premiada carreira, reconhecido internacionalmente pela criativa utilização de imagens de arquivo, de filmes caseiros (home movies) e de registros amadores de meados do século XX, recebe retrospectiva inédita nos CCBBs do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, a partir de 31 de janeiro.

A mostra Péter Forgács: Arquitetura da Memória reúne alguns dos mais importantes títulos desse autor pouco conhecido pelo público brasileiro. Serão exibidos 17 longa-metragens, produzidos entre 1988 e 2009, incluindo filmes da famosa série Hungria Particular, baseada em filmes caseiros realizados entre as décadas de 1920 e 1980, além de outros títulos premiados em festivais internacionais como São Francisco, Tribeca, Marselha e Leipzig. Péter Forgács chega ao Rio no dia 9 de fevereiro (quinta-feira) e participa de debate, no CCBB, sábado, dia 11, às 18h, com o pesquisador e teórico do documentário Bill Nichols, com mediação da curadora Patrícia Rebello. Nichols, que virá ao Brasil especialmente para a mostra, é uma das maiores autoridades no campo do documentário, autor de “Introdução ao documentário” (Papirus Editora, 2007), “Representing Realities” (1991, uma das pioneiras metodologias do estudo do filme documentário), e co-autor com Michael Renov da antologia de ensaios "Forgács, The Cinema's Alchemist" (2011).

No dia 2 de fevereiro (quinta), será realizado outro debate com Patrícia Rebello e o cineasta Eduardo Escorel, logo após a sessão das 18h30 de A Terra do Nada, filme dirigido por Forgács em 1996. "O que se pretende discutir nos debates, para além dos filmes do Péter Forgács, é o uso de material de arquivo no documentário, uma prática que é cada vez mais recorrente na produção contemporânea. Eles tanto estão a serviço de uma produção que se interessa em problematizar questões de história e memória, quanto em discutir a porosidade das fronteiras entre documentário e ficção, realidade e imaginário.

O interesse em trazer o Bill Nichols para a mostra está justamente inscrito nessa entrelinha: além de ser o teórico que criou uma das metodologias mais eficientes e utilizadas para pensar o cinema documentário (os modos de representação), sua pesquisa está cada vez mais orientada para aquilo que se produz no limite, quando documentário e ficção se atravessam, se encontram e dialogam.", comenta a curadora da mostra Patrícia Rebello.Os filmes da mostraA obra de Péter Forgács (http://www.forgacspeter.hu/) é composta por mais de 30 filmes, instalações e exposições multimidias. Entre os filmes, podemos destacar a série Hungary Particular, pela qual ele ficou conhecido internacionalmente.

Dos quinze filmes que compõem esta série estão na mostra The Bartos Family (1988), a saga de uma família dizimada pelo Holocausto registrada em filmes caseiros que começam no final dos anos 1920 e se estendem até meados da década de 1960; Free Fall (1996), reflexão dos tempos pré-Shoah a partir de filmes caseiros do talentoso comerciante, músico e fotógrafo György Petö; e Miss Universe 1929 (2006), a partir da história de uma húngara eleita Miss Universo no Estados Unidos, acompanhamos uma jornada incomum na trajetória dos europeus em migração em meados do século 20.

Além dos filmes realizados a partir da compilação de material de família, um outro aspecto da obra de Forgács gira em torno de filmes amadores realizados por personagens que, de alguma maneira, intuíram a urgência de registrar o tempo em que viveram. É possível ler nestas imagens intenções, dúvidas, suspeitas, rumores. E acima de tudo, que tão importante quanto a imagem em si, é todo o contexto que parecia estar fora dela mas que surge num relâmpago, deixando a marca indelével de sua presença.

Entre esses filmes, destacam-se El Perro Negro: Stories from the Spanish Civil War (2005, vencedor nos festivais de Budapeste, Denver e no Tribeca de Nova York), Angelos' Film (1999), sobre a ocupação nazista na Grécia; The Danube Exodus (1998), com registros da migração de judeus para a Palestina antes da Segunda Guerra Mundial.Outro destaque da mostra é Hunky Blues -  The American Dream (2009) um documentário poético sobre as centenas de milhares de húngaros que imigraram aos Estados Unidos entre 1890 e 1921. Para contar esta saga, Forgács lança mão de antigos épicos do cinema norte-americano, materiais de arquivo, fotografias e entrevistas.

CCBB Rio de Janeiro – 31 de janeiro a 12 de fevereiro de 2012
CCBB Brasília – 7 a 19 de fevereiro
CCBB São Paulo – 15 a 26 de fevereiro




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O artista João Werner estreia nova exposição

Depois de mostrar motéis baratos e retratos de almas em profusão, o artista plástico João Werner apresenta uma nova exposição em sua galeria em Londrina, intitulada “Ladrão!”.

Mantendo o humor ácido de suas exposições anteriores, Werner reune 24 pinturas digitais que retratam, em linguagem expressionista, os mais variados matizes da violência social. Desde brigas interpessoais e acalorados protestos de rua, até as dramáticas “Homem na escuridão”, as quais retratam pessoas (presos políticos, talvez) subjugados sob a violência sem face do Estado.

Considerando o que temos visto nos recentes movimentos do “Ocupa Wall Street” ou na dramática, assim denominada, “Primavera árabe”, estas pinturas de Werner retratam um universo cultural atual, de movimentos contestatórios sociais.

- “Bem, minhas pinturas ‘Dano à propriedade’ são de 2008 e eu até achei estar fazendo pinturas anacrônicas”, diz o artista. “Já estava ouvindo alguns amigos insinuarem uma certa adolescência tardia nos temas destes meus trabalhos, quando testemunhei o início dos movimentos contestatórios na Tunísia, em 2010. Foi uma ótima surpresa para mim ver que o desejo por mudanças sociais ainda não havia sido extirpado da espécie humana”.

Este acento anarquista revela-se, também, em pinturas como “Distribuição de renda”, “Black flag” ou em “Toda riqueza provém de violência”. Em uma linguagem visual colorida e intensa, Werner não teme revisitar os velhos bordões da esquerda radical nessa confortável e carola época pós-moderna em que vivemos.


Dano à propriedade

black flag


Se o espectador desta recente exposição de João Werner vai iniciar a próxima revolução, ninguém sabe. Mas, certamente, quem visitar esta “Ladrão!” terá a oportunidade de ver mais um belo exemplo da inventiva produção digital do artista.

Serviço:
Quando: de 30 de janeiro a 30 de março
Onde: Galeria João Werner, rua Piauí, 191 - loja 71, Londrina (PR).
Horário: de terça a sexta-feira, das 14 às 20h e sábados, das 11h às 17h.
A entrada é gratuita e a exposição conta com monitoria.
Maiores informações: (43) 3344-2207

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entrelinha musical

http://www.orinoceronte.com/

Chamo de entrelinha musical a parte da música que dela parece se deslocar, e a principal característica de uma entrelinha musical é a capacidade que ela tem de fazermos parar tudo o que estamos fazendo para apreciá-la. É um verdadeiro deleite. Não raro, fechamos os olhos e olhamos para cima até que aquele trecho musical acabe, e então possamos voltar para nossas tarefas cotidianas. Não é exagero dizer que a entrelinha musical seja melhor que a própria música à qual ela pertence. A entrelinha musical muitas vezes se manifesta por meio de um solo de guitarra, e o efeito é quase sempre o mesmo: ouvimos normalmente a música, mas quando chega o momento em que ela se apresenta é incontrolável que impunhemos uma guitarra imaginária na cintura, com a execução alucinada de acordes ao vento. Pink Floid era especialista em produzi-las.
Ao ouvir o CD do Agridoce (Pitty e Martin) identifiquei uma entrelinha musical, na Música 2 (Dançando). Ela aparece no final, exatamente aos 3:47. Também já ouvi a mesma canção no rádio, mas aí é diferente: a entrelinha musical não apareceu. Deve ter sido cortada para não comprometer o tempo da programação.  

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Esconderijo, peça de Léo Chacras, fala de amor, poder e intriga

foto de Fábio Ghrun

Com texto e direção do jovem dramaturgo Leo Chacra o espetáculo inédito Esconderijo estreia dia 10 de fevereiro, sexta-feira, na Sala Experimental do Teatro Augusta, em São Paulo, às 21 horas. O enredo desta montagem transita pelas paixões em suas diversas manifestações e pelas relações amorosas: três histórias de amor são marcadas por desencontros e afetos perdidos. O elenco é formado por Aline Abovsky, Renato Bisoni e Lívia Prestes.

A história se passa na São Paulo de 1969, época do regime militar no Brasil. Esse momento político é somente o pano de fundo para contar a história de Juliana, uma jovem ativista política que, após uma traição e a queda de seu “aparelho”, busca refúgio na casa de Marina, ex-mulher de seu namorado Pedro (personagem que não aparece fisicamente em cena). Elas amam o mesmo homem! Confinada no mesmo espaço com a rival, a protagonista vive um clima de suspense e mistério.

Esconderijo propõe  uma reflexão sobre o amor, o poder e  as intrigas. A relação forçada entre as mulheres faz com que o passado de ambas venha à tona. Segredos e desejos, assim como antigas disputas, vão se revelando à medida que elas vão se compreendendo. Juliana luta apaixonadamente pela liberdade e pelo seu amor. A convivência com Marina muda o rumo de suas desconfianças sobre a traição política e provoca nela o desejo de vingança. O traidor seria Fred, o jornalista com quem ela teve um romance? E quem seria Fred, este homem que luta pelo amor de Juliana até as últimas consequências?

Segundo Leo Chacra, a referência aos “anos de chumbo” é apenas o fio que conduz as personagens à convivência forçada. “A história poderia ser em outro contexto, em qualquer época, em qualquer lugar do mundo. Esconderijo está mais para a linha freudiana que marxista; fala mais de amor que de socialismo, de sentimento humano que nacionalista”. Chacra ainda explica que o texto traz uma visão pessoal sua da época de repressão política, de forma distanciada, sem levantar bandeiras.  “Falo do amor livre, da relação aberta, da resistência às causas e às pessoas”. O foco da peça está no âmbito privado, na intimidade de Juliana, Marina, Pedro e Fred.

O diretor/autor salienta que a encenação brinca com os sentimentos das personagens, aplicando uma lente de aumento no âmbito privado de suas vidas. No cenário, três poltronas são dispostas aleatoriamente representando tanto a casa de Marina como o apartamento de Fred. De forma nada conceitual, folhas de papel, jornais e livros são jogados pelo cenário, compondo uma atmosfera literária. Também um aparelho de telefone e uma máquina de escrever ajudam a simbolizar a liberdade tão ansiada. “O ambiente lembra um jovem que saiu da casa dos pais, um jovem país em formação ou a desconstrução das coisas, nos anos 60”. Justifica o diretor.

O figurino remete, sutilmente, à moda do final dos anos 60 e traz para a peça uma atmosfera de nouvelle vague, de tropicalismo. “Quero pincelar o mundo antes do eletrônico, antes da internet”, diz Leo. A trilha sonora passa pelo instrumental, folk music, rock clássico e tropicalismo. O diretor busca a força da sonoridade e dos acordes, para pontuar a simplicidade da vida ou a complexidade dos sentimentos. “Estou muito feliz dirigindo. Acho que o trabalho fica ainda mais autoral”. Finaliza Leo Chacra.

Ficha técnica
Espetáculo: Esconderijo
Texto e direção: Leo Chacra
Elenco: Aline Abovsky (Marina), Lívia Prestes (Juliana) e Renato Bisoni (Fred)
Cenário: Leo Chacra
Iluminação: Fábio Ferretti
Figurino: Geondes Antonio e grupo
Programação visual: Suzy Suzuki
Produção executiva: Geondes Antonio
Fotos: Fábio Ghrun
Serviço:
Estreia: 10 de fevereiro – sexta-feira – às 21h30 - Até 25/02
Local: Teatro Augusta (Sala Experimental)
Rua Augusta, 943 – Cerqueira César/SP - Tel: (11) 3151- 4141
Horários: sexta (21h30), sábado (21 horas) e domingo (19 horas)
Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00) – Gênero: Drama
Duração: 75 min – Classificação etária: 12 anos - Capacidade: 55 lugares
Bilheteria: 4ª a 5ª (14h às 21h), 6ª (14h às 21h30), sáb. (15h às 21h) e dom. (15h às 19h).
Reservas por telefone: 4ª a sab. (15h às 19h) e dom. (15h às 17h) – Aceita dinheiro e cartões (MC, D, V, RS e VE). Ingressos antecipados: http://www.ingressorapido.com.br/ (tel 4003-1212). Acesso universal.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Classificados

por Vicentônio Silva
www.vicentonio.blogspot.com

Fogão, condicionador de ar, geladeira, casas, terrenos, bonecas, imóveis na praia alugados durante as férias de verão ou apartamentos decorados nas serras gaúchas ou catarinenses quando das prováveis promessas de flocos de neve invadindo as cidades durante as madrugadas, automóveis com menos de cem quilômetros rodados ou motocicletas compradas de cantor famoso... O interessado em ampliar ou diminuir o patrimônio tem grandes chances de negócios se incluir seu produto nas páginas dos classificados.

Geralmente as páginas de vendas seguem despercebidas no manuseio do periódico, mas basta interesse esdrúxulo – uma viagem às cidades históricas de Minas Gerais ou às praias do Espírito Santo – para que nossos olhos deslizem ansiosos pelas letras pequenas e encontrem ofertas tão absurdas que nos estimulam ao consumo. Um amigo procurava informações sobre o aluguel de veraneio em Ubatuba: voltou para casa num carro semi-novo. Os amigos adoraram o automóvel, mas a esposa esbravejou o veículo a tal ponto de – sorte ou azar – caminhão de refrigerantes arrebentar a traseira. Detalhe: o marido ainda não pusera seguro na nova propriedade da família.

Sete ou oito anos quando tive a primeira idéia de figurar entre os anúncios classificados. Minha avó paterna morava numa casa de dois quartos, área de serviço, banheiro, sala de jantar, sala de estar, cozinha e terraço. Gostaria de residir mais próxima do filho e dos netos. Peguei o número do telefone do jornal e conversava mais ou menos há dez minutos com a atendente, dando-lhe detalhes do imóvel quando minha mãe, ouvindo o conteúdo de nosso diálogo, indagou-me quem tinha permitido a inclusão da casa nos classificados. Arreganhando orgulhosamente os dentes: - Eu!

Aos gritos e quase tabefes, explicou-me que qualquer anúncio custava dinheiro. Os anunciantes pagavam para vender a casa, comprar um carro ou oferecer serviços profissionais e especializados? Um trompetista – currículo de orquestras e apresentações para chefes de Estado – oferecia seus préstimos aos casamentos, batizados, bodas, formaturas ou jantares românticos. Uma pianista alugava mesas em sua pequena sala para quem, comprando vinhos e refestelando-se nos pratos cozinhados pelo irmão, chef com diploma de Porto Alegre, ouvisse seus dedos ágeis por quase uma hora recebendo, ao fim do manjar, caixa de chocolates caseiros.

Entre serviços e produtos, os classificados amorosos são os que chamam minha atenção: homens e mulheres, na melhor condição de apaixonados, desdobram-se na busca da palavra adequada para laçar candidatos. Descrevem suas qualidades físicas (alto, baixo, abdômen de tanquinho ou lavadora, barriguinha saliente, sem pelo no corpo, cabelos lisos, crespos ou curtos, lábios carnudos, pele bronzeada, recém-siliconada, corpo definido, sem celulite, estrias ou marcas de cirurgias...). Em seguida, as características pessoais (inteligente, viajado, culto, animado, extrovertido, sincero, tímido, discreto, atraente, poliglota, simpático, elegante, sério, responsável, financeiramente estabilizado, disposto a assumir responsabilidades de maior impacto...). Por fim, os números dos telefones, os endereços eletrônicos ou caixas postais.

Boa parte desses anúncios certamente receberia número de reclamação no PROCON ou nas demais entidades de defesa do consumidor por, de maneira arbitrária e sem medidas, enganar os incautos. Uma ex-aluna do interior paulista, mãe de alguns filhos, trocou quase três centenas de mensagens eletrônicas com um desconhecido do Rio de Janeiro cuja foto, impressa em papel de boa qualidade e exibida às amigas e, especialmente, às adversárias, prometera fim de semana inesquecível exercendo seus dotes culinários e suas performances físicas.

Na segunda-feira à noite, antes do início da aula, perguntei – obviamente me referindo às qualidades técnicas de cozinheiro – se tivera grande surpresa.

- Que surpresa! A foto era dele mesmo, mas de trinta anos atrás e nunca, repetiu enfaticamente, nunca em minha vida comi tanto ovo em apenas um fim de semana.
*Publicado originalmente na coluna Ficções, Caderno Tem!, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 20 de janeiro de 2012.

Estúpida essência

Envolvido pela prepotente certeza de uma autoatribuída perfeição própria, que o libertara de qualquer necessidade de compreensão alheia e o fundamenta em uma indubitável verdade de si, garantida sobre quaisquer outras contraversões, ele pôs abaixo todos os que lhe cercavam, não pelo acaso ou conveniência, mas pela exacerbação de si ao exigir o que não lhe era de direito: a perfeição alheia, de acordo com seus próprios padrões.


Por Rafael Castellar das Neves @DesceMaisUma!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Max Viana lança seu terceiro CD “Um quadro de nós dois”

No set list do show, que o cantor e compositor fará no Solar de Botafogo no dia 26 de janeiro, estão parte do repertório do novo disco, como por exemplo, “O que é que você quer de mim”,  “Itinerário” e “É hora de fazer verão”, além de canções dos CDs anteriores (“No Calçadão” e “Com mais cor”), como por exemplo, “Canções de rei”, “Prazer e luz”, “Vilarejo”.

Max Viana (voz e guitarra) estará acompanhado por Marcos Vasconcelos, guitarra, Andre Vasconcelos, baixo, Joao Viana, bateria, e Danilo Andrade, teclado.

Um quadro de nós dois - “Um momento de maturidade de minha carreira, que representa um passo adiante na composição, nos arranjos e na interpretação.” É assim que Max Viana define “Um quadro de nós dois”, seu terceiro CD, lançado pela Biscoito Fino e que será apresentado no Solar de Botafogo no dia 26 de janeiro.

São 11 canções que giram em torno de um mesmo tema: o amor. No disco, Max tem como maior parceiro Dudu Falcão (“Um quadro de nós dois”, “O que é que você quer de mim” e “O samba que eu guardei”). Há ainda uma parceria com Arlindo Cruz, o samba “É hora de fazer verão” (que conta com a participação especialíssima de Alcione em dueto com Max no CD). “O samba representa o que há de mais genuíno na música brasileira”, afirma o compositor e filho do músico Djavan.

A única música que não foi composta por Max para este CD é “O melhor vai começar”, de Guilherme Arantes, que traz muitas lembranças saborosas e uma comparação curiosa. “É uma música que tem uma aura de felicidade muito intensa, que me leva à adolescência, à rodinha de amigos com violão”.

Filho do músico Djavan, Max Viana nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1973. Em suas influências musicais estão ritmos como jazz, soul music, black music, MPB e flamenco. Estudou no Guitar Institute of Technology, em Los Angeles, onde teve aulas com feras como o guitarrista Scott Henderson. Max também gravou com Zé Ricardo, integrou a banda Sindicato Soul ao lado do vocalista Sergão Lorosa (atual Monobloco), por exemplo.


Max Viana
foto: Marcos Hermes

Max Viana – Um Quadro de nós dois
Local: Solar de BotafogoData: 26 de janeiro de 2012 (quinta-feira)
Horário: 21h30
Endereço: Rua General Polidoro, 180 - Botafogo
Tel: 2543-5411
Preço: R$ 40,00; R$ 30,00 (os 100 primeiros) e R$ 20,00 (meia-entrada)
Vendas: ingresso.com; bilheteria do teatro aberta a partir de 16h
Capacidade: 180 pessoas; classificação etária: 14 anos.

*A construção do Solar de Botafogo rendeu a Leonardo Franco o Prêmio SHELL 2007, na Categoria Especial e o Prêmio RENATO RUSSO (Ousadia e Arte) em 2011.
Saiba mais no site http://www.solardebotafogo.com.br/

domingo, 15 de janeiro de 2012

Jornada nas Estrelas - o filme



Foi em 1979 que a série televisiva "Jornada nas Estrelas" conquistou a tela grande, para alegria dos fãs de ficção científica, e retomando o elenco original. Aqui, diante da presença de uma entidade desconhecida chamada V'ger, cuja imensa espaçonave segue uma ameaçadora rota em direção à Terra, o almirante James Kirk recupera o comando e a tripulação da Enterprise, dando início a mais uma aventura "onde nenhum homem jamais esteve".

Com direção de Robert Wise (de "O Dia em que a Terra Parou") e com William Shatner e Leonard Nimoy encabeçando o elenco, JORNADA NAS ESTRELAS - O FILME é uma de grande apuro visual, cuja resenha disponibilizei aqui:

http://pt.shvoong.com/entertainment/movies/2245247-jornada-nas-estrelas-filme/

Maurício Limeira

http://pt.shvoong.com/writers/mauriciolimeira/
http://filmantes.blogspot.com
http://oadversario.blogspot.com

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Entre mortes e mortes

Por Vicentônio Silva


O primeiro exercício elementar, para quem deseja entrar no mundo da filosofia, consiste no questionamento rotineiro. Questionamento rotineiro distante da mediocridade, da estupidez e da frugalidade, mas que parte da mediocridade, da estupidez e da frugalidade de conceitos imutáveis ou cristalizados para definir as relações sociais, os caminhos teológicos, as visões de verdade ou de mentira. A Filosofia esclarece e dá-nos visão diferenciada acerca de conceitos milenares que importunam: amor, morte, solidão, divindade, ética, paixão, felicidade... São tantos os temas – cuja perspectiva analítica se modificou em função da evolução das tecnologias, mas manteve a essência – que levaríamos mais de dúzias de colunas para enumerá-los.

Jean Paul Sartre, influente filósofo francês do século XX e expoente do existencialmente, desenvolveu atividade intelectual não apenas no campo filosófico, mas também no literário a ponto de receber – e, comicamente, recusar – o prêmio Nobel de Literatura. Discutiu temas que nos são caros. “A idade da razão” retrata a vida do jovem Mathieu que, transcorrendo o enredo lentamente através de divagações psicológicas e confrontos pessoais, busca a definição da maturidade, simbolizada, ao fim, pelo equilíbrio do espírito.

Não são apenas os filósofos que recorrem aos anseios filosóficos para discuti-los na Literatura, mas também escritores debateram – ou pelo menos ensaiaram provocações – a Literatura através de construções filosóficas como em “O lobo da estepe”, de Hermann Hesse. Os questionamentos se avolumam de tal maneira que o enredo encurrala o leitor nos limites de sanidade: o protagonista da trama é são? O leitor entra e sai dos devaneios do Lobo questionando-se ou respaldando suas teorias?

Quando o professor e articulista de jornais Márcio Alexandre da Silva lançou “Pode morrer de tanto amar?”, a primeira pergunta recaiu sobre se o título esconde mote literário romântico ou inquietação filosófica. Ao fim e ao cabo, a Filosofia demonstra o vigor na novela desse jovem intelectual que, cerrando-se nas fileiras de Sartre e lançando a Filosofia na linguagem literária, nos apresenta painel das peripécias em que o narrador, durante todo o tempo, destoando das premissas fundamentais que alicerçam as dúvidas, parece aflito em apontar respostas, soluções, resultados.

Utilizando-se de complexo jogo de cenas que perpassam dos anos 1970 aos nossos dias, a narrativa transcorre sutilmente no interior paulista, denunciando, em forma de ficção, os problemas de uma família atacada pelos problemas da geada, as péssimas condições de vida da população – não apenas da zona urbana, mas igualmente da área rural – o descaso dos órgãos públicos com o povo, os problemas da gravidez precoce, sem planejamento e sem perspectivas (os pais do protagonista possuem menos de dezoito anos na ocasião de seu nascimento e sobreviverão com o patrimônio de “de duas porcas, três galinhas e um burro empacador”), os questionamentos em torno da felicidade escamoteados pelo narrador e retomados ao longo da trama, os jogos de futebol – esporte aparentemente inerente ao desenvolvimento da personalidade do brasileiro – como pano de fundo de várias cenas...

As mortes e as mortes lançadas ao título desta resenha parecem tão insignificantes quanto insignificantes apresentam-se as réplicas filosóficas. A complexidade não está em descobrir novas perspectivas ou inventar conceitos, mas em tornar visíveis conceitos que julgávamos imutáveis ou cristalizados, proporcionando ao leitor (interlocutor) um novo olhar sobre velhas paisagens. Numa sociedade de líquidas relações, de líquidos desejos e de líquidos objetivos, sentimentos considerados profundos adquirem novas formas e novas maneiras de enfrentamento e, ao fim das contas, o amor romântico – que nos consome, que nos adoece, que nos lança em devaneios e nos atrofia as atividades – aproxima-se mais do comportamento ignominioso do que salutar, benéfico e desejado. Quando o sentimento amoroso nos invade abruptamente, somos levados ao delírio, à estupefação, à incredulidade. Nesse estágio, apenas uma pergunta pode desmontar nossas convicções: morre-se de tanto amar?


Pode morrer de tanto amar?
Márcio Alexandre da Silva – CBJE – 36 p. – R$ 20,00

Contato com o escritor: marciobressane@hotmail.com

*Publicado originalmente na coluna Ficções, caderno Tem!, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 13 de janeiro de 2012.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Cosméticos

Por Vicentônio Silva

 O aumento da venda de cosméticos – e, conseqüentemente, a ampliação de pontos de venda e de vendedoras – é um dado que não pode ser ignorado nem nas estatísticas econômicas oficiais nem na rotina de milhões de brasileiros que tomam os transportes públicos. Outro dia peguei o ônibus de Presidente Prudente a Teodoro Sampaio a fim de resolver algumas pendências na fazenda pública quando, quase cochilando, pernas encostadas no banco da frente, vento morno entrando na fresta da janela, loira de metro e oitenta parou no corredor, reconheceu a passageira sentada ao meu lado:

- Maria! Quanto tempo! Faz o quê? Uns três anos que não nos vemos?

  Maria respondeu que não se viam há mais de cinco anos. Última vez, casamento do Pedrinho. Desde então, os caminhos se distanciaram. A loira – em poucos minutos, resumiu sua vida de dois casamentos, noivado fracassado, perda da casa da família, dívida monstruosa no banco e falência do escritório de contabilidade em Rancharia – entrara no ramo de cosméticos.

Colocou a imensa bagagem sobre as pernas de Maria, abriu o zíper complicado da mala, tirou de dentro uns mecanismos que se desdobravam em mil e, a cada abertura, apresentavam ramificações do mesmo produto. Com paciência didática – típica dos melhores professores em busca do espírito fugitivo do aluno intempérie – iniciou a explanação ressaltando a qualidade de vida adquirida durante o século anterior: a diminuição da carga de trabalho e a conquista de ócios regulares permitiram ao homem moderno mais tempo para cuidar de si. Perder peso, preocupar-se com as medidas corporais, eliminar gordura e, uma vez conquistada a segurança física, priorizar a estética.

- É aí que eu entro, disse, sorridente, puxando alguns prospectos e estendendo-os não apenas a amiga, mas também a mim que, naquele momento, já tinha perdido o sono e, irritado, ouvia as promessas de beleza. – Pois, como eu estava dizendo, reforçou, depois de também distribuir os panfletos entre alguns passageiros em pé, a estética, a conservação da pele, o charme que jogamos sobre os homens e a elegância que esbanjamos por onde passamos constituem o principal produto da mulher de hoje. Quanto mais linda ficarmos, mais oportunidades de descobrirmos novos amores. Quanto mais belas permanecermos, menos desperdícios de tempo para resolvermos nossos problemas. As portas simplesmente se abrem.

Uma senhora que ainda não tinha sido aprovada no primeiro estágio mencionado pela loira – o estágio da segurança física – esticou o pescoço quando ela prometeu novos amores e quase caiu em cima da gente ao frisar a facilidade da abertura de novas portas. Confesso que, olhando a saliência em minha barriga, nas laterais, nas coxas e nos braços, passei a olhar mais atenciosamente os produtos. Já estava tão estimulado que pouco me impressionei com os preços. Um creme de aplicação noturna – espalhado entre as sobrancelhas e as pálpebras – custava oitenta reais. O matinal, noventa e três reais; o da tarde, cento e vinte e dois reais e trinta e oito centavos.

A mala ainda dispunha de cremes de costas, de costelas, de peito (peculiarmente produzidos para homens e para mulheres), de pescoço, de orelhas, de olhos, de mãos, de dedos, de unhas, de espaços entre um dedo e outro, de testa, de nádegas (com promessas de enrijecer as flácidas e embelezar as já firmes), de cotovelos, de lábios, de nariz, de pés... Para cada parte do corpo, pelo menos mais três desdobramentos de produtos. Para os pés, existiam cremes para a hora do almoço, do café da tarde, para uso com tênis, sapatos de couro, sandálias abertas, sandálias fechadas, alpercatas, chinelas de dedo, sapatilhas...

Eu mesmo me convencera a adquirir uns cinco produtos e entregar quinhentos reais parcelados em setenta vezes no cartão de crédito – é, ela tinha máquina portátil de cartão de crédito – quando um homem de chapéu de boiadeiro fulminou as pretensões dos futuros ex-clientes:

- Com essa dinheirama, eu aconselharia cirurgia plástica! Para que reformar se pode reconstruir?


*Publicado originalmente na coluna Ficções, Caderno Tem!, do Oeste Notícias (Presidente Prudente – SP) de 6 de janeiro de 2012.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Em 2012: Patos!

Em 2004, fui pego por uma estranha angústia que parecia aprisionar    algo dentro de mim e que precisava, na verdade, ser colocado para    fora. Isto me acompanhou por algum tempo e eu sabia que precisava    encontrar um meio de tirar isso de mim. Também sabia que se tratava    de alguma forma de expressão e, olhando para os meios, entendi que a    escrita seria uma possível saída. Sem pestanejar, comecei minha    primeira tentativa de criar um livro.

Durante vários anos, entre altos e baixos, foram quatro as tentativas que realmente tiveram algum efeito considerável. Mas foi  somente a quarta que se maturou em meu primeiro romance, intitulado    "Patos". "Patos" foi concluído em 2010 e até o momento foi  continuamente descartado pelas editoras, conforme todo o processo, desde a criação à publicação, que descrevi na crônica "Persistindo na Lida"  http://descemaisuma.blogspot.com/2011/10/persistindo-na-lida.html Mas neste semestre, a Editora Novitas http://www.editoranovitas.com.br/ se interessou e, acreditando neste trabalho, criamos uma parceria para editoração e produção deste livro.
  
 "Patos" é, para mim, uma das muitas boas-novas anunciadas para 2012  e que permitem o fechamento dourado de 2011, um ano em que muito de bom foi colhido. De forma que compartilho com vocês, que tanto  acompanham e fortalecem o meu trabalho, que "Patos" está sendo gerado e deverá chegar ainda no primeiro trimestre de 2012!
  
 Aproveito este clima entusiasmante para desejar a todos um Feliz Natal e um Sensacional Ano Novo, que nos encha de conquistas, alegrias, (presentes), saúde e paz!
   
Um grande abraço!
   
Rafael  Castellar das Neves 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

LANÇAMENTO DO CONCURSO DE CRÔNICAS LAURA FERREIRA DO NASCIMENTO

A Comissão Organizadora do CONCURSO DE CRÔNICAS LAURA FERREIRA DO NASCIMENTO – evento literário surgido da parceria entre a ACULTIM (Associação de Cultura e Turismo de Maracaí) e a ADPCIM (Associação de Defesa e Proteção do Patrimônio Público e dos Direitos do Cidadão de Maracaí) – divulgou recentemente o lançamento do edital da edição 2012, cujas inscrições gratuitas se iniciam em 1 de fevereiro e se encerram em 28 de junho.

Os interessados devem ler atenciosamente as regras estabelecidas e disponíveis tanto nas páginas das entidades promotoras quanto na página própria do evento na internet.

As regras da edição deste ano estabelecem tema comum – os concorrentes deverão se inspirar no tema “nepotismo” – e limitação de texto a uma página. Os classificados serão conhecidos em setembro e os prêmios – que superam o valor de R$ 1.500,00 distribuídos entre dinheiro e livros – serão entregues em outubro.

Mais informações podem ser buscadas nos seguintes endereços eletrônicos:

- ADPCIM (Associação de Defesa e Proteção do Patrimônio Público e dos Direitos do Cidadão de Maracaí):

- ACULTIM (Associação de Cultura e Turismo de Maracaí): http://www.acultim.blogspot.com/2011/12/edital-do-concurso-de-cronicas-laura.html

- CONCURSO DE CRÔNICAS LAURA FERREIRA DO NASCIMENTO: http://www.concursosdecronicas.blogspot.com/

A Comissão Organizadora – presidida pelo crítico literário e educador Vicentônio Regis do Nascimento Silva – espera participação maior das cidades que se limitam a Maracaí, cidade-sede da ACULTIM (Associação de Cultura e Turismo de Maracaí), organizadora do evento, mas desde já agradece aos concorrentes de outras cidades e estados brasileiros assim como de concorrentes de outros países, entre os quais Polônia, Portugal e Estados Unidos, que participaram da primeira edição.

“Atingimos o número de 389 inscritos. Nossa intenção, nessa segunda edição, é chegar perto dessas inscrições ou, na melhor das hipóteses, ultrapassá-las”, resume Vicentônio Silva.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Espaço cultural promove oficina intensiva de escrita criativa

Estão abertas as inscrições para o Módulo Intensivo da Oficina de Escrita Criativa promovido pelo espaço cultural ProjetoCultura,  em parceria com a  Fundação Ema Klabin. A proposta é oferecer uma imersão em exercícios de escrita, ao longo de cinco dias seguidos, de 30 de janeiro a 3 de fevereiro, das 14h às 17h, com o editor, escritor e professor Rodrigo Petronio.

 A Oficina é destinada àqueles que desejam seguir carreira de escritor e também aos interessados em apurar as técnicas da escrita. O seu objetivo é fornecer técnicas para o desenvolvimento de ensaio, poesia, conto, crônica ou romance. Durante os encontros também serão destacados os principais vícios, cacoetes, redundâncias, erros, deslizes e equívocos de linguagem. Ao final deste Módulo Intensivo, os alunos  poderão publicar os textos escritos durante as aulas no site do Projeto Cultura – Fundação Ema Klabin.

As aulas serão ministradas pelo editor, escritor e professor Rodrigo Petronio, que é formado em Letras Clássicas e Vernáculas pela USP.  Petronio é cofundador e professor desde 2007 do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema (AIC) e coordenador de grupos de leitura do Instituto Fernand Braudel. Recebeu prêmios nacionais e internacionais nas categorias poesia, prosa de ficção e ensaio. Trabalha no mercado editorial há quinze anos, sobretudo nas áreas de edição, preparação e leitura crítica de originais. É autor dos livros: História Natural (poemas, 2000), Transversal do Tempo(ensaios, 2002), Assinatura do Sol (poemas, Lisboa, 2005)

Investimento: R$ 520,00 (R$ 260,00 na inscrição  + uma parcela de R$260,00.
Inscrições feitas até 15 de janeiro terão 20% de desconto) .

O ProjetoCultura fica na Rua Portugal, 43 - Jardim Europa, São Paulo.
Informações: 3081-5845/2339.0767 ou no site www.projetocultura.com.br

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ITHAMARA KOORAX no BAR DO TOM

(estreia: dia 01/1 - domingo // temporada -   sextas e sábados de janeiro)
Eleita como  uma das três melhores cantoras de jazz do mundo pelas revistas DownBeat, Swing Journal e   Jazz People,  Ithamara Koorax se apresentará, às sextas e sábados de janeiro, no Bar do Tom. Mas a   estreia, no local onde a cantora deu o pontapé inicial para a turnê, em 2010, será, excepcionalmente, no dia   1° de janeiro, domingo. É  a  temporada   de encerramento do tour em homenagem a João Gilberto, que rodou o Brasil e o mundo em 2011. O CD "Bim Bom" foi indicado ao Grammy e   aclamado por jornais e revistas como New York Times, DownBeat, Jazz Hot, Jazz Journal, All  About Jazz e All Music Guide. No show,  Ithamara  também mostrará músicas dos CDs "O Grande Amor"   (lançado em 2011) e "Got to be Real", que sairá em março de   2012.



SERVIÇO
 ITHAMARA KOORAX NO BAR DO   TOM
"BIM BOM - SAMBA & BOSSA   20212"
 ESTREIA: 1° de JANEIRO    (DOMINGO)
TEMPORADA: SEXTAS E   SÁBADOS
 06, 07, 13, 14, 20, 21, 27 e 28 DE   JANEIRO DE 2012
HORÁRIO:   22h00  / ABERTURA DA CASA - 21 H
 INGRESSOS:  
R$80,00 (SETOR   PALCO)
 R$ 70,00(SETOR A)
 R$ 60,00 (SETORES PAR E ÍMPAR)
 RUA ADALBERTO FERREIRA, 32 - Fone: (21) 2274-4022
CAPACIDADE - 350 LUGARES
CLASSIFICAÇÃO   ETÁRIA - 18 ANOS