quarta-feira, 27 de março de 2013

Festival Dois Pontos


Em celebração ao Ano de Portugal no Brasil

A partir de 1º de abril 

Resultado de um projeto conjunto de seis residências artísticas de espaços municipais do Rio de Janeiro – ÁGORA (Teatro Maria Clara Machado), CÂMBIO (Teatro Café Pequeno), Projeto_ENTRE (ECM Sérgio Porto), NO LUGAR (Teatro Ipanema), Os Ciclomáticos (Ziembinski) e VEM! (Gonzaguinha), o Festival dois pontos, com início a partir do dia 1º de abril, propõe uma aproximação artística atual, através de discussões e trabalhos contemporâneos entre artistas brasileiros e portugueses no diálogo com suas culturas. Um festival composto por teatro, dança, música e artes visuais.

Ano de Portugal no Brasil é uma importante oportunidade de intercâmbio real e contemporâneo entre os dois países, uma chance rara de quebrar com estigmas mútuos. O projeto foi desenvolvido, a partir de uma curadoria apurada, para elencar projetos artísticos que estejam sendo desenvolvidos em colaborações variadas entre os dois países, sempre com o propósito de trazer e possibilitar a execução e a exibição de trabalhos importantes para ambos os mercados culturais.

Os “dois pontos” focados são também parte de uma triangulação maior: a África e seus países de língua portuguesa podem e devem ser lembrados no Ano de Portugal no Brasil. Por isso, criando, ainda que em pequena escala, um olhar para alguns artistas africanos. É, portanto, a partir do desejo de juntar forças e alavancar a potência, que a rede de teatros envolvida possui desde a sua criação, como uma primeira iniciativa a ser elaborada, produzida e realizada em rede por seis residências artísticas em exercício na cidade.

Nas apresentações teatrais, o Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto (residência artística Projeto_ENTRE), abre o festival com a peça “As Barcas”, do lisboeta João Garcia Miguel, nos dias 1, 2 e 3 de abril. O espetáculo, que é apresentado às 21h, segunda e terça-feira, e às 20h, quarta-feira, regressa no tema das viagens inspirado em um conjunto de textos de Gil Vicente. “O contexto desta obra é a impossibilidade de construção contemporânea de um mundo comum, seja em termos das realidades singulares, seja a partir de uma realidade portuguesa e ou europeia” diz João Garcia Miguel. Nos dias 11, 12 e 13 de abril, o espaço recebe o espetáculo “Mundo Maravilha”, resultado da união da companhia brasileira Foguetes Maravilha, e da portuguesa, Mundo Perfeito. Nessa criação a curiosidade se desloca para os exploradores e aventureiros que ampliaram os territórios físicos e imaginários da humanidade. Como, por exemplo, Júlio Verne, que atravessou o planeta e o espaço em foguetes de ferro fundido, balões remendados e submarinos anacronicamente avançados. O espetáculo será exibido em diversas cidades portuguesas e brasileiras.

Na residência artística Os Ciclomáticos, no Teatro Ziembinski, será exibida, todas as quartas, quintas e sextas-feiras, a partir de 05 de abril, sempre às 20h, a Mostra Gil Vicente, uma figura marcante no teatro medieval português. Serão apresentados os espetáculos A Farsa de Inês Pereira (grupo DJOTA Teatro e Artes), As Virgens de Gil (Os Autorais), O Auto da Barca do Inferno (Cia Do Risco), O Velho da Horta (Cia Teatral 2 no Ato) e Quem tem farelos? (Grupo Teatral LoucAtores).

A portuguesa Cia do Chapitô apresenta o espetáculo “Édipo” na residência artística VEM!, no Teatro Gonzaguinha, nos dias 5, 6 e 7 de abril. A Companhia do Chapitô gestualiza mais uma tragédia grega apresentando a cômica fuga de Édipo ao seu terrível destino. O que é certo é que de quatro, de pé, de bengala, rastejando, no colo ou de “cavalinho”, Édipo não vai poder escapar. “O corpo do ator é o ponto de partida da cena e mesmo da fala, na medida em que o ritmo, a frase, a voz são concebidos como gestos expressivos. O “gesto” enquanto escrita cênica baseada na expressividade e na dinâmica do corpo do ator comunica a partir de uma escrita do espaço (movimento), assim como do tempo (palavra), criando um todo harmonioso.” - Texto da Cia do Chapitô.  O grupo também realizará uma oficina de 8 a 12 de Abril (segunda a sexta-feira) das 17 às 20 horas no Espaço SESC que contará com a participação do diretor carioca André Paes Leme no dia 12, para discutir os procedimentos de criação da companhia.

Édipo

O Teatro Maria Clara Machado, residência artística ÁGORA, recebe a Commedia a la Carte, também de Lisboa, nos dias 12, 13 e 14 de abril, com o espetáculo Wanted. A história de três vaqueiros valdevinos nos conformes da mitologia do oeste americano de maneira cômica e criativa. "Na criação de Wanted, Carlos M. Cunha, César Mourão, Ricardo Peres, dirigidos por John Mowat, não se preocupam por aí além com substratos ou metalinguagens, até por a substância do seu trabalho ser fazer rir sem consequências psico-filosóficas. E, embora pudessem, nem sequer realçam o seu reaproveitamento de sacos de plástico e bocados de corda e pedaços de cartão e garrafas usadas como sinal de uma consciência ecológica. Limitam-se a fazer, a pegar no lixo dos outros e criar cenários, adereços, sons, principalmente sons que conduzem a acção de disparate em disparate como uma fantasia juvenil", crítica de Rui Monteiro para o Time Out de Portugal. No dias 19, 20 e 21 de abril, o teatro recebe a Cia Escola da Noite, de Coimbra, com o espetáculo Novas Diretrizes em Tempos de Paz. A peça conta a história de um emigrante polaco, Clausewitz, que desembarca no porto do Rio de Janeiro, próximo ao fim da II Guerra Mundial, em busca de uma nova vida como agricultor. Com texto de Bosco Brasil e direção de António Augusto Barros, “Novas diretrizes em tempos de paz, afinal é um ótimo exemplo de tudo o que, no texto, é dito sobre o papel do teatro, e que podemos verificar ter tido os mesmos méritos em tempos de guerra, paz ou terrorismo” para a crítica Bárbara Heliodora.



A residência artística NO LUGAR, do Teatro Ipanema, apresenta o espetáculo MoMO, nos dias 12, 13 e 14 de abril, que conta a história de um casal que faz um pacto de registrar suas memórias para serem mostradas após a morte do primeiro. Os dois atores/criadores, Flávia Gusmão e Michel Blois, percorrerão sua árvore genealógica. Ela, portuguesa de origem cabo-verdiana, e ele, brasileiro de origem portuguesa. Com essa pesquisa os atores pretendem montar uma “Falsa” ou “Verdadeira” biografia do que acreditam fazer parte deles ainda. E, de 19 a 28 de abril, sextas e sábados, às 21h30, e domingo, às 20h30, será apresentada “Peça Romântica para um Teatro Fechado” da Cia Provisória (Pequena Orquestra, Cia Teatro Independente, Cia dos Outro Clube Paradoxo). Com participação do diretor internacional Tiago Rodrigues da Companhia Mundo Perfeito (Lisboa,) terão apenas duas semanas para criarem um espetáculo. Além de incentivar a convivência entre grupos diversos e o cruzamento de linguagens artísticas distintas, esse núcleo visa o desenvolvimento de uma relação mais concreta entre artistas brasileiros e portugueses. A ideia é que as companhias do Rio de Janeiro embarquem numa prática colaborativa desenvolvida por Tiago Rodrigues, sem perderem de vista a importância do desenvolvimento de suas próprias práticas.

No CÂMBIO, Teatro Café Pequeno, será realizada a “(des)ocupação – pequeno café luso-brasileiro”, de 25 a 28 de abril, às 20h. Um evento interdisciplinar, entre criadores portugueses e cariocas que tem como conceito proporcionar um dispositivo de vivências no intuito de conjugar trabalhos artísticos que questionem a histórica contemporaneidade da construção de ambas nações portuguesa e a brasileira. Serão abordados e questionados os seguintes pontos: (Des)colonização do território/pensamento; (Des)conhecimentos mútuos; (Est) éticas e procedimentos das Identidades interferentes. Direção artística de Berta Teixeira e César Augusto.

Já nas apresentações de dança, dias 18, 19 e 20 de abril será apresentado “Encontro e a Vontade de Querer Fazer Acontecer”, de Guilherme Garrido, também no Teatro Café Pequeno. Encontro” propõe a criação de pequenos mecanismos performativos relacionados com a voz, o vídeo, a luz e a música tendo como pano de fundo a situação do encontro. De um encontro como um date, do encontro como um finding something, de um encontro como um “encontrão” de corpo (em Portugal, dar um encontrão significar esbarrar em alguém), do encontro com a família, com o amor... do encontro como um desejo de descobrir o outro.  Cada artista convidado terá o desafiador período de uma semana para desenvolver um objeto artístico, onde as premissas serão o querer estar junto, o querer fazer parte da vida de alguém, o desejo de pertencer e acreditar em algo, de transformar e traduzir sentimentos de amor, ternura, disputa, rivalidade e intimidade em pequenos shows montados em um formato de cabaret. Com um período reduzido de tempo, haverá pouco espaço para os julgamentos e para as constantes barreiras que se impõem numa criação artística tradicional, dando mais liberdade ao processo.

No Espaço Sérgio Porto, João Lima e Vítor Roriz apresentam o projeto “Ilusionistas”, nos dias 19, 20 e 21 de abrilEspetáculo intrigante, Ilusionistas propõe uma experiência através da linguagem e da representação, entre o ver e o ser visto e a incessante construção do eu e do outro. O espaço e a cena se revelam em constante transformação. Contemplado com o Prêmio Funarte Klauss Vianna, estreou no dia 2 de agosto de 2012, tendo em seguida uma bem sucedida temporada de 12 apresentações no Teatro Hermilo Borba Filho, em Recife, uma em Barcelona, e já conta com apresentações agendadas no Rio de Janeiro e em Lisboa. Nestemesmo espaço Micheline Torres e Rita Natálio apresentam o espetáculo Museu Encantador, dias 26, 27 e 28 de abrilUm projeto de natureza coletiva e colaborativa que reflete sobre os vínculos culturais entre Portugal e o Brasil  iniciado por Rita Natálio em 2012 e que se estende até 2014. “Como Micheline Torres e Rita Natálio se juntaram num dia de março para entender o que é encantamento” é a primeira residência de pesquisa do projeto, partindo do encontro de Rita e Micheline para refletir sobre encantamento, fascínio, espanto, deslumbramento, afeto, estranhamento. Cultura e memória guiam este diálogo inacabado e simbólico das duas artistas, que atravessam uma enciclopédia do infinito em uma casa provisória, conversando com obras de autores brasileiros como Arthur Omar, Bispo do Rosário, Qorpo Santo, Eduardo Viveiros de Castro e autores portugueses como Herberto Helder, João César Monteiro, Miguel Gomes, José Gil.

Na programação paralela, acontece no Teatro Ipanema o espetáculo “Horror ou breve estudo sobre a paralisia”, do Colectivo 84, nos dias 2 e 3 de abrilQuatro jovens perdidos no bosque interrogam a capacidade que se tem de paralisar a criação de utopias urgentes e de tirar o sono, ao revelar-se em excesso, em nome da ideologia do progresso e do lucro, os mistérios da fé e do corpo.Direção e cenografia de John Romão e textos de Mickael de Oliveira. Com Carlos Aragão, John Romão e Mariana Tengner Barros. Nos dias 5, 6 e 7 de abril o grupo Mundo Perfeito, dirigido por Tiago Rodrigues, apresenta “Se uma janela se abrisse”. Um telejornal é “dobrado/dublado” ao vivo por atores e um DJ, neste espetáculo que substitui o discurso público pelo íntimo e descobre formas alternativas dfalar de um dia que passou. A partir daí, nasce um outro “jornalismo”, à escala humana de um palco, onde um olhar entre dois atores pode ter a mesma importância que o fenômeno do aquecimento global. No Espaço Sérgio Porto, Raquel André & Tiago Cadete apresentam LAST, dias 5,6 e 7 de abril. Raquel e Tiago dirigem uma ficção plástica do que resta, criando formas que eternizam a “fama/morte, como uma possibilidade à nossa memória”.

Horror - Susana Paiva

Partindo para o lado da música, o Teatro Café Pequeno abre suas portas para dois shows. “Melhor Amigo”, de António Pedro Lopes e Guilherme Garrido, no dia 4 de abril. O show apresenta composições originais e covers, com canções de amor, viagem, intimidade e melancolia, em português e em inglês.  “Sobre o Mar: Poesias”, dias 10 e 11 de abril, é uma performance de Ondjaki (Angola) e Marcello Magdaleno (Brasil). No roteiro, canções e poemas de Ondjaki e Marcello, poemas de autores brasileiros, portugueses e africanos ditos sobre uma trilha sonora e as projeções de drawings executados por António Jorge.

E para descontrair e agitar o festival no dia 05 de abril, às 22h30, a Garagem Gamboa terá uma festa com a cantora brasileira Arícia Mess e o DJ Alx, de Portugal. Arícia Mess canta uma mistura de música pop com tropicalismo baiano. Seu primeiro disco saiu em 2000, em uma época onde ser independente não era nada comum e foi uma das primeiras artistas a misturar sem medo o Tropicalismo (no caso de Arícia, especialmente Gilberto Gil) com Michael Jackson e Stevie Wonder. Ainda em clima de festa, dia 7 abril, a ocupação recebe o Baile das Concertinas, com a banda Amigos do Alto Minho e Buraco da Lacraia Dance Show. Em ambas as festas o cardápio oferecido será Botecos com petiscos portugueses.


SERVIÇO GERAL

Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto – residência artística Projeto_ENTRE
End: Rua Humaitá, 163 – Humaitá
Capacidade: 98 lugares
Abertura de Bilheteria e horário: 17h
Ar-condicionado
Acessibilidade para cadeirantes

Teatro Ziembinski – residência artística Os Ciclomáticos
End: Rua Heitor Beltrão, s/n - Tijuca
Tel: (21) 2254-5399
Capacidade: 133 lugares
Ar-condicionado
Abertura de Bilheteria e horário: De quarta a sexta-feira | 18h
Acessibilidade para cadeirantes

Teatro Gonzaguinha – residência artística VEM!
End: Rua Benedito Hipólito, 125 – Praça Onze / Centro
Capacidade: 130 lugares
Ar-condicionado
Abertura de Bilheteria e horário: 16h
Acessibilidade para cadeirantes

Teatro Maria Clara Machado – residência artística ÁGORA
End: Rua Padre Leonel Franca, 240 – Gávea
Tel: (21) 2274-7722 
Capacidade: 124 lugares
Ar-condicionado
Abertura de bilheteria e horário: 15h
Acessibilidade para cadeirantes

Teatro Ipanema – residência artística NO LUGAR
End: Rua Prudente de Moraes, 824 – Ipanema
Capacidade: 222 lugares
Ar-condicionado
Abertura de bilheteria e horário: De terça-feira a domingo | 15h
Acessibilidade para cadeirantes

Teatro Café Pequeno – residência artística CÂMBIO
End: Av. Ataulfo de Paiva, 269 – Leblon
Tel: (21) 2294-4480 
Capacidade: 80 lugares
Ar-condicionado
Abertura de bilheteria e horário: De quarta a domingo | 16h às 21h
Não tem acessibilidade para cadeirantes

Garagem Gamboa
End: Rua da Gamboa, 279, Zona Portuária
FICHA TÉCNICA FESTIVAL

Realização: Treco Produções
Direção Artística:
  • ÁGORA - José Della Vedova, Fabianna de Mello e Souza e Mauro Vianna
  • CÂMBIO - André Vieira, César Augusto e Jonas Klabin
  • NO LUGAR - Fabricio Belsoff, Michel Blois e Rodrigo Nogueira
  • Os Ciclomáticos - Ribamar Ribeiro
  • Projeto_ENTRE  - Daniela Amorim, Joelson Gusson e Marta Vieira
  • VEM! - Alexandre Mello, Guilherme Zanni e Rogério Garcia
Coordenação de projeto: André Vieira e Marta Vieira
Coordenação de logística: Leila Maria Moreno
Produção de logística: Ana Beatriz Silva
Coordenação técnica: Felipe Argollo e Leandro Barreto
Assistência técnica: Tábatta Martins
Produção de objetos: Rodrigo Abreu
Cenotécnico: Dodô Giovanetti
Coordenação de comunicação: Paula Rollo
Produção de comunicação: Marcelo Mucida
Programação Visual: Felipe Braga
Assessoria de imprensa: Daniella Cavalcanti
Site: Rafael Medeiros
Conteúdo e Webmarketing: Marina Murta e Rafael Medeiros
Vídeos: Rafael Puetter e Tábatta Martins
Fotografia: Arthur Seixas e Renato Mangolin
Administração: Cristiane Cavalcante
Produção Local: Ana Terra, Paula Loffler, Rogério Garcia
Técnicos de luz: João Gioia, Neck Vila Nova, Pablo Cardoso, Thierry Brito
Técnico de som: Luciano Siqueira
Técnico de vídeo: Lucas Canavarro e Vitor Damasceno
Apoios: Cia dos Atores, Clique Viagens, TEMPO_FESTIVAL

Agradecimentos
Alessandra Reis, Alex dos Santos e toda a equipe do Teatro Café Pequeno, Aline Carrocino, Ângela Blazo e toda a equipe do ECM Sérgio Porto, Bia Junqueira, Bia Radunsky, Candida Nepomuceno, Cely Bianchi, Cláudia Marques, David Serrão, Diana de Rose, Dulce Penna e toda a equipe do Teatro Maria Clara Machado, Eliane Lax, Elisa Carvalho e toda a equipe do Teatro Ipanema, Eva Doris, Fernando Libonati, Joana Aguiar, Jorge P. A. Pacheco, Juliana Peixoto, Lia Sarno, Marcelo Valinhas e toda a equipe do Teatro Ziembinski, Maria Teresa Vieira, Márcia Dias, Marco Nanini, Mark Deputter, Otto Jr., Paulo Mattos, Rômulo Salles e toda a equipe do Teatro Gonzaguinha, Tárik Puggina e Thomas Walgrave.

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