quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O africano que existe em nós brasileiros







Na quinta-feira, a Babilonia Cultura Editorial, da Michelle Strzoda, lança o primeiro livro do seu catálogo autoral.

O africano que existe em nós, brasileiros é uma coedição com a Fundação Biblioteca Nacional, em parceria com a Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial/Ministério da Cultura, e será lançado com sessão de autógrafos no próximo dia 5 de fevereiro na Livraria Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro, a partir das 19h. Quem assina o livro é a designer de moda Julia Vidal.

Construção de identidade

Na obra, o leitor encontra a cultura africana representada em histórias, costumes, comportamento e nas cores e nos desenhos estampados no vestuário dos brasileiros. Todos os modelos retratados no livro são criações da autora, que concebeu dez coleções durante suas pesquisas.

Por meio da moda, do design e da iconografia africana, e em benefício da transmissão de códigos culturais e informações entre sociedades, o livro aborda o período da escravidão em um capítulo sobre a comercialização de africanos como negócio lucrativo. A autora mostra como a escravidão é a responsável pelas possíveis origens étnicas de negros africanos vindos para o Brasil e a dificuldade, portanto, de definir essa origem. O livro trata ainda as heranças étnicas na música, culinária e na arte. As religiões de matrizes africanas, entre elas o candomblé e a umbanda, e seus símbolos no Brasil, também compõem a publicação.

A obra nasceu do desejo de reviver o cotidiano de Salvador, cidade constantemente visitada por Julia na infância. “Pesquisar e estudar a cultura afro-brasileira foi o passaporte para voltar lá. Queria entender por que eu gostava tanto de tudo o que vivi em Salvador, para além do aspecto lúdico do lugar, e trazer do meu inconsciente para o consciente a necessidade de conhecer mais a cultura brasileira, que sempre fez parte da minha vida”, complementa a autora.

Catálogo

O Africano que existe em nós, brasileiros é um dos livros de estreia do catálogo da Babilonia Cultura Editorial que serão lançados no primeiro semestre de 2015. O projeto editorial mapeia culturas, história, memória, gastronomia, design, ficção, arte, sociedade e personagens. “O ponto de partida do catálogo é o mesmo conceito da criação da empresa, uma babel de cultura e conhecimento”, explica a jornalista Michelle Strzoda, diretora editorial e sócia-fundadora junto ao designer e diretor de arte da Babilonia, Rafael Nobre.

A autora

JULIA VIDAL (Rio de Janeiro, 1980) é descendente de africanos, indígenas e europeus. Graduada em Comunicação Visual pela EBA|UFRJ e com sua brasilidade acentuada após dois anos de graduação em Diseño Gráfico na Universidad de Buenos Aires, Julia retorna ao Brasil com olhar apurado para maior percepção das culturas africanas e indígenas no design brasileiro. Essa trajetória se fortalece com a pós-graduação em História África–Brasil, Laços e Diferenças, na Universidade Católica de Petrópolis e com cursos técnicos em design de estamparia pelo Senai e Senac. A atuação com moda começou em 2005 com a grife afro-brasileira Balaco, que recebeu seu nome após dez anos de pesquisa em design para etnias indígenas. Desfiles no Rio de Janeiro, em Bogotá e Londres abriram espaço para Julia assinar figurinos de TV, em palcos e eventos brasileiros, e em desfiles de moda como o Fashion Rio. É reconhecida como designer sustentável que celebra a herança cultural na campanha mundial Make the Future, da Shell Live Wire. O africano que existe em nós, brasileiros é seu primeiro livro.

Trecho do livro

“Para entender como uma identidade cultural se transformou em moda, precisamos resgatar de onde nasceu seu primeiro desenho, o traçado inicial. Foi através da escrita, de símbolos com múltiplos significados, que comecei este trabalho de documentar a origem estética da identidade brasileira, materializado no design de moda. Analisar a simbologia e a maneira de se comunicar de etnias africanas me proporcionou entender um pouco mais a minha cultura. A partir daí, busquei identificar formas e ritos que fazem parte do nosso cotidiano, para sabermos separá-los, a fim de identificar sua origem – se africana, indígena ou portuguesa. Mas o resultado dessa mistura é uno, é brasileiro.      (p. 15)

Serviço

Lançamento | Sessão de autógrafos
Quinta-feira, dia 5 de fevereiro, a partir das 19h
Livraria Travessa de Ipanema
R. Visconde de Pirajá 572 – Rio de Janeiro

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